“Piora da estrutura de capital”: essa é a principal justificativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) para o segundo rebaixamento consecutivo da Usina Coruripe
“Piora da estrutura de capital”: essa é a principal justificativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) para o segundo rebaixamento consecutivo da Usina Coruripe. Desde que começou a ser analisada, em setembro de 2014, a companhia nunca apresentou elevação em seus ratings de crédito.
Apesar de um bom desempenho operacional na safra 2015/16, a S&P considera que “Usina Coruripe vêm se deteriorando nos últimos meses”. A agência colocou a empresa na listagem de CreditWatch com implicações negativas, o que representa que a companhia recebeu uma perspectiva de crédito com a possibilidade de novos rebaixamentos em breve.
Detalhes sobre o relatório e os índices da companhia, que levaram a S&P considerar a Coruripe suscetível ao momento econômico e oscilações de mercado, podem ser conferidos a seguir.
“Piora da estrutura de capital”: essa é a principal justificativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) para o segundo rebaixamento consecutivo da Usina Coruripe.
Desde que começou a ser analisada, em setembro de 2014, a companhia nunca apresentou elevação em seus ratings de crédito.
A S&P admite que a Coruripe apresentou um bom desempenho operacional na safra 2015/16, no entanto, alguns indicadores encontram-se em situação delicada. “A posição de liquidez e estrutura de capital da processadora brasileira de cana-de-açúcar Usina Coruripe vêm se deteriorando nos últimos meses”, alega a agência em relatório.
Dessa forma, o rating de crédito corporativo, avaliados apenas em escala nacional, foi rebaixado de A- para BBB. Isso significa que, antes, a capacidade da Coruripe em honrar seus compromissos financeiros era considerada como “forte”. Agora, a S&P acredita que a empresa está mais suscetível a um enfraquecimento motivado por “condições econômicas adversas ou mudanças nas circunstâncias”.

Além disso, a agência colocou a empresa na listagem de CreditWatch com implicações negativas. Isso representa que a companhia recebeu uma perspectiva de crédito com a possibilidade de novos rebaixamentos em breve, especialmente se a Coruripe não for capaz de estender o prazo de amortização de sua dívida, melhorando gradualmente sua posição de liquidez. Atualmente, a liquidez da usina é classificada como “menos que adequada” pela S&P.
Dívida de curto prazo ainda preocupa
No rebaixamento anterior da Usina Coruripe, realizado em setembro de 2015, a S&P já havia apontado as dívidas de curto prazo como um dos principais problemas da companhia. Elas são responsáveis, de acordo com o novo relatório, por uma forte deterioração na posição de liquidez e na estrutura de capital.
“O cenário econômico desafiador no Brasil, com crédito mais restrito e altas taxas de juros, piorou as condições para prazos e taxas de refinanciamento, o que aumenta a pressão sobre a liquidez da empresa”, complementa o documento.
Ainda segundo a S&P, a Coruripe está em negociações avançadas para melhorar o perfil de seu endividamento. Mesmo assim, a agência considera que poderá rebaixar o rating novamente à medida que os prazos de vencimento se aproximarem, ameaçando a – já fraca – liquidez existente.
Melhor safra beneficia usina
A posição da Coruripe só não é mais delicada porque, segundo a própria S&P, a usina registrou uma das melhores performances operacionais de sua história na safra 2015/16.
Um destaque nesse sentido foi a moagem recorde de cana-de-açúcar, que atingiu 14,2 milhões de toneladas devido a um aumento em sua produtividade agrícola. A Coruripe também se beneficiou dos preços mais altos em reais de açúcar para a exportação, além de ter comercializado etanol no mercado interno durante o período de entressafra, quando o produto também conquistou uma valorização.
“Em consequência, sua margem Ebitda passou de 40,6% para cerca de 43% entre os anos fiscais de 2015 e 2016, respectivamente”, conclui a S&P. Isso significa que a empresa conquistou uma margem de lucro bruto maior (excluindo juros, impostos, depreciações e amortizações) em relação a sua receita líquida.
Alavancagem melhorada não é suficiente
Outro ponto positivo do relatório da S&P com relação à Coruripe é a geração de caixa operacional livre (FOCF), que foi classificada como “ligeiramente positiva”. Isso foi possível devido ao Ebitda mais alto aliado a um nível menor de dinheiro investido na safra 2015/16. Em anos anteriores, o FOCF da usina foi negativo.
Dessa forma, a agência observa que as métricas de alavancagem da Coruripe tiveram uma melhora mesmo com o efeito da depreciação cambial, o qual aumentou o valor em reais da parcela da dívida da companhia vinculada ao dólar.
Entre os indicadores analisados que levam as dívidas da companhia em consideração, dois cálculos foram destacados pela S&P. No primeiro, a relação da dívida sobre o Ebitda passou de 3,5 em 2014/15 para 3,2 em 2015/16. No outro, o fluxo operacional de caixa sobre a dívida subiu de 22,6% para 24,6% entre as safras.
Mesmo com essas melhoras, a S&P observa que a Coruripe está exposta a riscos de refinanciamento no curto prazo. Isso também motivou uma mudança na avaliação de ratings comparativos de crédito (CRA), que foi de positiva para neutra, além da alteração na avaliação da estrutura de capital, que passou de neutra para negativa.
Renata Bossle – NovaCana