Agência de classificação de risco manteve a análise de perspectiva estável para o grupo
A agência de classificação de risco Standard & Poor's manteve a análise de perspectiva estável para o Grupo Jalles Machado. A agência reafirmou, os ratings ‘BB-’ na escala global e ‘brA’ na escala nacional Brasil, repetindo a nota de crédito dada ao grupo goiano no ano passado. O risco financeiro se manteve como “significativo”.
A S&P baseou a análise em três pontos-chave. A seguir:
- os argumentos da agência
- fraquezas e virtudes do grupo
- previsões de moagem, capex, endividamento, alavancagem e saídas de capital de giro sazonais
A agência de classificação de risco Standard & Poor's manteve a análise de perspectiva estável para o Grupo Jalles Machado. A agência reafirmou, os ratings ‘BB-’ na escala global e ‘brA’ na escala nacional Brasil, repetindo a nota de crédito dada ao grupo goiano no ano passado. O risco financeiro se manteve como “significativo”.
A S&P baseou a análise em três pontos-chave: melhora da condição de caixa, alto nível da produção agrícola e industrial e alavancagem estável.
Um deles é o aumento gradativo da geração de fluxo de caixa operacional livre (FOCF). Esse avanço deu à Jalles a possibilidade de redução da dívida e a melhora progressiva da estrutura de capital mesmo em um momento de preços globais baixos, tanto de açúcar quanto de etanol, e efeitos da volatilidade cambial sobre a dívida.
A melhora de caixa é assegurado pela expectativa de que a companhia vai continuar operando perto ou em sua capacidade total, o que provoca a diluição de custos fixos e aumento da eficiência industrial, além de manter os investimentos (capex) em níveis baixos, de manutenção.
Adicionalmente, a venda de uma participação de 65% de um de seus ativos de cogeração de energia para a Albioma, que incluiu a transferência de dívidas de R$ 44 milhões. A negociação, informa a agência, fortaleceu a posição de caixa e compensou o alto endividamento da empresa no curto prazo.
A S&P confia na redução da dívida da Jalles no exercício fiscal de 2016, "mesmo diante de uma eventual depreciação adicional da moeda brasileira, o que, por sua vez, aumenta as receitas da empresa vindas da exportação de açúcar".
Produção positiva no campo e na indústria
Outro aspecto que sustenta a avaliação da agência está ligado ao índice de produtividade das plantações registrado pela companhia, às condições climáticas favoráveis observadas na região onde opera, ao percentual elevado de cana própria e ao trabalho cultural adequado apresentado nos últimos anos.
A S&P destacou que o perfil regular de risco de negócios da companhia e a geração sólida de fluxo de caixa são sustentados pelos preços do açúcar em reais, que registraram recuperação no início deste ano, e também pela diversificação em produtos de maior valor agregado, como o açúcar cristal e o orgânico com preço premium mais alto sobre os valores dos contratos referenciados da curva futura.
"A capacidade de cogeração de energia da empresa é um suporte adicional a essas métricas, apesar dos preços do açúcar bruto baixos no mercado global e os do etanol estáveis, e da sua menor escala e maior concentração geográfica quando comparadas a de seus pares", aponta a análise.
Alavancagem estável
Completando o tripé que respalda a avaliação, a agência considerou a manutenção dos índices de alavancagem da Jalles no exercício fiscal de 2015, com o indicador de dívida ajustada sobre o Ebitda em 3,1x e o de geração interna de caixa sobre dívida em torno de 23%, por conta da geração de Ebitda mais alta.
O relatório também lembra que o maior nível de endividamento da empresa esteve ligado à desvalorização do real, mas sem registro de efeito-caixa, já que as demonstrações financeiras são feitas em reais.
Projeções
Para reforçar o estabelecido com a avaliação de perspectiva estável para a Jalles Machado, a S&P levou em consideração o cenário macroeconômico do país. A agência toma como base a queda do PIB do país em 2% e uma possível estabilidade em 2016, mais uma taxa de câmbio média de R$ 3,30 em relação ao dólar este ano e de R$ 3,50 para o próximo.
A análise se baseia também na projeção de que os preços médios de açúcar se mantenham em torno de US$ 0,13 por libra-peso na safra 2015/2016, com um aumento marginal nos próximos anos e na estabilidade dos preços do etanol na temporada atual.
A avaliação considera ainda o aumento marginal dos níveis de moagem, chegando a 4,35 milhões de toneladas ao final deste ciclo por conta de volumes maiores vindos da usina Otávio Lage, com uma projeção de 4,4 milhões de toneladas na safra 2016/17, mais capex nos níveis de manutenção em torno de R$ 235 milhões no ciclo 2015/16 com aumento marginal nos próximos anos e saídas de capital de giro sazonais de cerca de R$ 50 milhões ao longo deste ano.
Liquidez "menos que adequada"
A liquidez da Jalles é vista pela agência como "menos que adequada". Para a S&P, a relação entre fontes e usos de liquidez da companhia praticamente não mudou entre as safras 2014/15 e a atual. O que reflete que a empresa tem conseguido rolar vencimentos de curto prazo.
Assim, as principais fontes de liquidez para a empresa são a posição de caixa de R$ 168,5 milhões em março deste ano, geração interna de caixa de R$ 281,8 milhões no exercício fiscal de 2016, a venda de uma participação em um ativo de cogeração de energia e novas emissões ou refinanciamentos de dívida chegando a R$ 102,8 milhões durante agosto deste ano.
A dívida de curto prazo de R$ 379,6 milhões e exigências de capital de giro próxima dos R$ 5 milhões no exercício fiscal de 2016 estão entre os principais destinos da liquidez.
“Poderemos rebaixar os ratings se a empresa não for capaz de alongar gradualmente seu perfil de vencimento da dívida, em face de FOCF mais fraco ou negativo provocado por preços do açúcar mais baixos ou condições climáticas adversas”, informa o boletim. Na avaliação da agência, isso pode prejudicar os índices de produtividade da empresa, resultando em capacidade ociosa e aumento das necessidades de capex, gerando um possível aumento da dívida.
A S&P lembra que a classificação poderia ser negativa caso o índice da dívida sobre Ebitda da empresa fosse além dos 4x e o de geração interna de caixa sobre a dívida fosse menor do que 20%.
Já “uma ação de rating positiva é improvável em decorrência da escala limitada da empresa, o que restringe seu perfil de risco de negócios, e também dos fundamentos fracos da indústria, que pesa sobre sua capacidade de aumentar significativamente o FOCF e fortalecer a liquidez”, explica a agência.
Filipe Albuquerque — NovaCana