Em um cenário de forte aumento de oferta e de demanda por grãos produzidos em Mato Grosso, a Rumo prevê que fechará em 2024 o “gap” de sua tarifa de transporte ferroviário ante outros modais e opções concorrentes, disse o presidente-executivo da companhia, João Alberto de Abreu, durante evento com investidores.
Conforme a apresentação, a tarifa da operação norte da Rumo, a partir de Rondonópolis (MT) até Santos (SP), girou em R$ 205 por toneladas no primeiro semestre, enquanto o frete rodoviário para trazer o grão desde Sorriso até o terminal de Rondonópolis foi de R$ 179 por tonelada.
Isso resultaria em um custo somado dos dois modais até o porto paulista de R$ 384 por toneladas, versus um valor do transporte alternativo (rodovia, hidrovia e porto do norte) de R$ 436 por tonelada.
Segundo o executivo, a empresa está de olho nas oportunidades para fechar a diferença existente entre a sua tarifa e as alternativas de logística, para que a Rumo avance em sua rentabilidade e continue fazendo os investimentos.
“O nosso objetivo para 2024 é fechar este ‘gap’. Vemos o mercado com muita demanda, construtivo, e é isso que vamos buscar para 2024”, afirma.
Abreu ressaltou o forte crescimento da produção de soja e milho de Mato Grosso dos últimos anos, acrescentando que as projeções sempre acabam sendo superadas pela produção no campo. O CEO disse que, diante disso, o que resta é fazer o investimento em Mato Grosso “o mais rápido possível”.
A Rumo já realiza obras dos primeiros 34 quilômetros no trecho de extensão da ferrovia até Lucas do Rio Verde. “No ano que vem, a gente inicia mais 150 km de construção, o que começa antes dos 34 terminarem”, disse ele, destacando que o objetivo é operar o terminal de Campo Verde, que está 200 km ao norte de Rondonópolis, em 2026.
Essas obras deverão gerar aumento do investimento da Rumo nos próximos dois a três anos, disse Abreu, explicando que o Capex será divulgado no momento oportuno.
Em 2023, a previsão é de Capex de R$ 3,6 bilhões a R$ 3,8 bilhões. “Aqui já tem um investimento importante das obras da extensão de Lucas [do Rio Verde], mas o investimento de maior peso começa em 2024”, explicou.
O executivo também citou que a obra da primeira pera ferroviária da margem direita no porto de Santos está em processo, o que elevará fortemente a capacidade ferroviária para o maior porto do país. Isso é importante, acrescentou, diante do aumento de carga que deve vir a partir do Mato Grosso.
Roberto Samora