A Rumo prevê ampliar em cerca de 30% seu resultado operacional de 2023, diante de estimativas de nova safra recorde de soja no país e de receitas crescentes no transporte de fertilizantes e de açúcar.
A previsão considera o ponto médio da expectativa anunciada pela companhia de logística do grupo Cosan para o lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) para este ano, de R$ 5,4 bilhões a R$ 5,8 bilhões, ante resultado comparável de R$ 4,3 bilhões no ano passado.
A Rumo também anunciou seus resultados do quarto trimestre de 2022, período em que apurou lucro líquido de R$ 243 milhões, ante prejuízo de R$ 384 milhões um ano antes.
A variação refletiu, entre outros fatores, o crescimento de 13% ano a ano do volume transportado, a 17,9 bilhões de toneladas equivalentes (TKU), com destaque para maiores volumes de produtos como milho e farelo de soja. Isso ocorreu mesmo com grande perda de participação de mercado no Porto de Santos (-14,6 pontos percentuais ano a ano), na exportação de grãos no Mato Grosso (-12,7 pontos) e em Goiás (-27,6 pontos).
Refletindo também o aumento de tarifa de 39%, a receita líquida da Rumo cresceu R$ 2,22 bilhões, alta de 47%.
Segundo a Rumo, o ganho de eficiência energética e a redução do direito de passagem cobrado pela MRS amenizaram o aumento de 42% do preço de combustível. Ainda assim, o custo variável subiu 46%.
O Ebitda da companhia de outubro a dezembro totalizou R$ 905 milhões em termos ajustados, alta de 116%, com a margem subindo 13 pontos percentuais, a 40,8%.
Os resultados também incorporaram a conclusão da venda da participação de 80% na EPSA por R$ 1,4 bilhão, além do recebimento de R$ 150 milhões adicionais em proventos.
O resultado financeiro ficou negativo em R$ 625 milhões, 40,4% pior do que um ano antes, refletindo o efeito do aumento da Selic sobre as dívidas bancárias.
A empresa fechou 2022 com alavancagem financeira (medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda) de 2 vezes, ante 2,4 vezes em setembro e 2,8 vezes no fim de 2021.
A Rumo também anunciou expectativa de iniciar as operações no Terminal de Campo Verde em 2026 e seguir com os trilhos para Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso.
Na noite da véspera, a Rumo reportou dados operacionais de janeiro, com 4 bilhões de TKU transportados, queda de 22,5% ano a ano, influenciada pela paralisação de sete dias na Malha Paulista devido às condições climáticas.
Aluisio Alves