Etanol: Mercado: Gasolina

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Rotas alternativas ao Estreito de Ormuz são insuficientes para atender à demanda


Agence France-Presse - Publicado: 17 Mar 2026 - 08:25

O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transitavam antes da guerra no Oriente Médio 20% das exportações mundiais de petróleo, leva os países da região a buscar rotas alternativas para vender seu petróleo e os países consumidores a procurar outras fontes de abastecimento.

Entre essas alternativas estão alguns países da América Latina, uma região que se destaca por sua menor exposição ao conflito e por contar com exportadores líquidos de energia, cujas principais economias podem se beneficiar de preços mais altos.

“Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU) podem redirecionar parte de sua produção de petróleo bruto para terminais situados fora do Golfo”, afirma a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês).

“Essas medidas permitem compensar as perdas do fluxo de petróleo que transitava pelo Estreito de Ormuz”, indica seu relatório mensal, publicado após o início da guerra.

No entanto, essas rotas alternativas “ajudam, mas continuam sendo insuficientes”, destaca a consultoria Kpler.

Cerca de 20 milhões de barris por dia, ou aproximadamente 20% do consumo mundial de petróleo, passam normalmente pelo Estreito de Ormuz, com destino principalmente à China, Índia, Coreia do Sul e Japão.

Segundo a IEA, cerca de 350 petroleiros, carregados ou vazios, estão atualmente imobilizados ali. O Irã considera que navios dos Estados Unidos e de seus aliados são “alvos legítimos”. Apenas cerca de 80 embarcações conseguiram atravessar o estreito desde o início da guerra.

A opção dos oleodutos

Em um estudo publicado em 9 de março, o banco Standard Chartered afirma que Kuwait, Catar, Bahrein e Iraque exportam praticamente todo o seu petróleo pelo estreito, enquanto Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos dispõem de capacidade parcial por meio de oleodutos para evitar o transporte marítimo.

Na Arábia Saudita, isso ocorre por meio do oleoduto que liga Abqaiq, perto do Golfo, ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. O reino registrou assim, em 9 de março, um recorde de exportações diárias a partir de seus portos ocidentais: 5,9 milhões de barris por dia, contra uma média de 1,7 milhão em 2025, segundo a IEA.

Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, transportam o petróleo pelo porto de Fujairah, no Golfo de Omã, para evitar o Estreito de Ormuz, embora os volumes adicionais sejam limitados.

Os dois países dispõem de uma capacidade adicional de transporte que pode chegar a 5,5 milhões de barris por dia, ressalta a IEA.

Mas, “apesar dos carregamentos recordes em Fujairah e Yanbu, as exportações efetivas do Oriente Médio continuam representando cerca de um terço de seu nível normal”, observa a Kpler.

Ataques iranianos com drones e mísseis representam um risco permanente para essas instalações.

América Latina à margem

Nesse contexto global, a América Latina aparece como a região menos exposta aos impactos da guerra, segundo relatório da consultoria Capital Economics.

Ao contrário da Europa e da Ásia, que dependem de importações de energia do Oriente Médio, a maioria dos principais países latino-americanos é exportadora líquida de energia.

“Os preços mais altos da energia melhorarão seus termos de troca, aumentarão as receitas de exportação e reforçarão suas posições comerciais”, afirmou a consultoria.

Grande parte dos países da região depende mais de energia hidrelétrica, eólica e solar e, nas duas semanas seguintes ao início da guerra, suas moedas em geral se mantiveram mais estáveis do que outras economias emergentes.

“Isso sugere que a América Latina pode se mostrar mais resiliente que outras economias emergentes diante do atual choque energético, e que países exportadores líquidos de energia podem até se beneficiar”, afirmou o relatório, citando especialmente Colômbia, Brasil, Argentina, Equador, Venezuela e Guiana.

Compras de longa distância

As exportações de petróleo russo, cujas infraestruturas são atacadas regularmente pela Ucrânia, continuam insuficientes apesar da flexibilização parcial das sanções americanas.

“Embora a demanda por petróleo russo possa aumentar devido às grandes perturbações nos fornecimentos do Oriente Médio, nossas previsões para o país permanecem inalteradas por enquanto, com uma produção média de 9,3 milhões de barris por dia para o restante de 2026”, afirma a IEA.

Nesse cenário, a consultoria Kpler estima que “as refinarias asiáticas deverão intensificar suas compras de carregamentos de longa distância provenientes da bacia atlântica”, ou seja, dos Estados Unidos, da África Ocidental e da América Latina, já que não se prevê uma reabertura rápida do tráfego no estreito de Ormuz.

Essas rotas comerciais, porém, são mais longas e exigem mais navios, em um momento em que o mercado global de petroleiros já está sob pressão.

Antes da guerra, “prevíamos um preço médio do Brent de US$ 60 por barril em 2026, já que o mercado enfrentava um grande excedente”, afirmou o centro de estudos Rystad Energy, destacando que desde 28 de fevereiro o preço do petróleo tem oscilado entre US$ 80 e US$ 120 por barril.