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Para ex-ministro de Lula, Aécio é o que tem mais compromisso com o agronegócio


Agência Estado - Publicado: 17 Set 2014 - 11:46 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00

O coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (GV Agro), ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou, em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que o candidato do PSDB a presidente da República, Aécio Neves, é o que mais se aproximou e que mais tem compromisso com o setor. "O candidato que olhou, que tem compromisso, foi o Aécio Neves, até agora", disse Rodrigues, deixando claro que votará no tucano.

Segundo ele, no entanto, o agronegócio está dividido entre Aécio e as candidatas Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT). Segmentos, como sucroenergético, apoiam Marina. Já agricultores de regiões do Brasil ainda dependentes do crédito rural e de recursos do Plano Safra, como no Mato Grosso, têm afinidade com a presidente e candidata à reeleição, de acordo com Rodrigues.

Rodrigues criticou o fato de Marina, ao assumir a vaga de Eduardo Campos (PSB), morto em 13 de agosto deste ano, ter ressuscitado dois pontos "cinzentos" para o agronegócio: a revisão dos índices de produtividade para fins de reforma agrária e o desmatamento zero. "Marina ressuscitou o famoso índice de produtividade que não faz mais sentido. E o desmatamento zero é um ponto muito forte. Eu combato o desmatamento ilegal, mas é perfeitamente possível abrir áreas para a produção de alimentos", disse.

O ex-ministro lembrou que ele e Marina, quando ela era ministra do Meio Ambiente, tiveram divergências no projeto de lei que liberou o plantio de alimentos transgênicos no País. As rusgas seguiram com as posições divergentes de ambos, mais recentemente, na aprovação do Código Florestal. "Mas Marina flexibilizou bem e não há tema que seja tabu e que seja resistível a ela. Não vejo dificuldade contentora em Marina e ela está mais flexível", ponderou Rodrigues.

Ao declarar voto no candidato do PSDB, Rodrigues afirmou, no entanto, que as instituições do agronegócio não devem formalizar apoios a candidatos para não criar uma "camisa de força" nas associações. "Mas o dirigente tem todo direito de declarar voto e não vejo problema nisso", afirmou. "Eu já declarei voto em Aécio Neves", completou.

Rodrigues coordenará o 3º Fórum Nacional do Agronegócio, sábado, em Campinas, e afirmou que o evento não pretende discutir com os representantes dos candidatos os problemas já conhecidos, mas traçar uma linha de ação para o setor a partir do começo do novo mandato. "Não adianta discutir logística, seguro rural, que são problemas conhecidos de todos e precisam de ação. O que queremos discutir são coisas práticas o dia 1º de janeiro, criar uma iluminação ao produtor rural".

O ex-ministro considerou que o aumento da oferta e dos custos de produção, com a consequente queda nos preços das commodities farão com que a safra 2015/2016 seja de margens negativas e de risco de inadimplência, o que torna necessária a implantação efetiva do seguro rural, sistema ainda incipiente no País. "A safra não será um desastre ainda, porque vamos equilibrar queimando gordura das boas safras passadas, mas poderemos ter problemas em 2016".

Presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Rodrigues avaliou, por fim, que as conversas com o governo sobre os pleitos do setor são mais produtivas, com medidas já anunciadas, e que a perspectiva é positiva para retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, o que melhoraria a renda do produtor e a competitividade do etanol.

"Mas nada disso, porém, significa que investimentos voltarão. É preciso conversar e definir estratégia permanente para a bioenergia brasileira", concluiu.

Gustavo Porto