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Rio de Janeiro quer aumentar produção de etanol no estado


DCI - Publicado: 09 Mai 2013 - 17:17 | Atualizado: 10 Mai 2013 - 09:23
A produção de etanol no Rio de Janeiro pode aumentar em mais de duas vezes com os incentivos que o governo estadual tem direcionado ao setor sucroalcooleiro, segundo estimativas do próprio poder público. Na safra 2012/2013, a produção de etanol hidratado foi de 68,3 milhões de litros, o que, segundo o secretário estadual de Agricultura e Pecuária, Christino Áureo, corresponde a menos de 10% do que os consumidores fluminenses consomem.

No final do ano passado, o governo publicou um decreto reduzindo de 24% para 2% a incidência de ICMS sobre as usinas. Com apenas essa medida, Áureo acredita em uma produção de 6,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar ao ano no Rio de Janeiro, com mais da metade direcionada à produção de etanol. Na última safra, o cultivo de cana-de-açúcar foi de menos de 1,9 milhões de toneladas, sendo que 53% desse volume foi direcionado para a produção de etanol hidratado, o único tipo de etanol produzido no estado.

A safra da cana-de-açúcar foi 14% menor com relação aos 2,2 milhões de toneladas da safra 2011/2012, enquanto o volume de etanol que chegou ao mercado foi 11% menor ante os 76 milhões de toneladas do período anterior. "O parque foi quase todo desmontado no ano passado", lamenta o secretário estadual.

Quando o incentivo fiscal foi lançado, o governo havia estabelecido a meta de aumentar a produção de etanol em sete vezes até 2017. Para este ano, Áureo já assinala para a possibilidade da produção passar de 10% para até 25% do consumo estadual. "Não temos a pretensão de substituir os outros estados na produção. Vamos continuar a usar [o etanol] de São Paulo e Mato Grosso", assinala. Os primeiros projetos que receberam a dedução no ICSM integram o grupo da Usina Canabrava e ficam em Quissamã e em Campos dos Goytacazes.

Tecnologia

Outra medida do governo é a destinação de R$ 20 milhões para os produtores reduzirem o uso de agrotóxicos em seus canaviais. Metade da verba será retirada do próprio Tesouro e disponibilizada aos produtores por meio de linhas de financiamento, e os outros R$ 10 milhões serão disponibilizados por meio do Rio Rural, Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável em Microbacias Hidrográficas, que utiliza verbas do Banco Mundial, detalhou Áureo. O foco deste pacote, porém, é mais para a produção de açúcar do que de etanol.

Dentre as técnicas que serão disponibilizadas pelo governo fluminense aos produtores do setor sucroalcooleiro fluminense está um serviço de monitoramento climático e do solo fornecido pela empresa de tecnologias agrícolas Ollearys.

Segundo o CEO da empresa, Marcos Balbi, a medição permite que o produtor saiba se o clima oferece as condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças fúngicas e bacterianas. "As doenças que acometem as plantas só acontecem em função do clima", explica Balbi.

A tecnologia, que já é utilizada em plantações de horticultura e fruticultura na Região Serrana do estado, será inicialmente adotada por um grupo de pequenos produtores reunidos na Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro (Coagro), na baixada de Campos de Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro.

Neste caso, nem os produtores de cana nem a cooperativa fluminense gastarão um centavo. A Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro) captará o recurso a partir de um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) a ser publicado em junho. O valor ainda não foi definido, mas segundo o presidente da Pesagro, Silvio Galvão, o serviço de cada plataforma custa, em média, R$ 25 mil ao ano.

Com a medição, os produtores do setor sucroalcooleiro devem reduzir seus gastos com agrotóxicos e diminuir custos, além de aumentar a produtividade.

Camila Souza Ramos