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Risco de inadimplência em moeda estrangeira da Biosev permanece elevado

biosev-150915A agência de classificação de risco Fitch afirmou os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor da Biosev, considerada a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo

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Em abril, a agência de classificação de risco Fitch afirmou os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs - Issuer Default Ratings) da Biosev, considerada a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo. A avaliação indica a presença de significativo risco de crédito, porém, com a presença de uma pequena margem de segurança.

A companhia, assim como muitas empresas do setor, vive uma situação de endividamento delicada devido ao risco cambial, uma vez que grande parte de seus débitos está vinculada ao dólar.

Apesar de manter a classificação de risco, a perspectivas de ratings da companhia, que indica em qual direção um rating é provável de ser alterado, foi revisada de ‘estável’ para ‘negativa’ – o que indica possibilidade de rebaixamento.

A justificativa da mudança de perspectiva de rating inclui as análises de fluxo de caixa da companhia, do grau de alavancagem e de parcerias comerciais. Veja os detalhes na reportagem a seguir.

A Fitch projeta que a alavancagem líquida ajustada da Biosev deverá permanecer entre 5,0 vezes e 5,5 vezes nos próximos quatro exercícios fiscais. O alto grau de alavancagem representa maiores riscos para os investidores.

Em abril, a agência de classificação de risco Fitch afirmou os ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor (IDRs, na sigla em inglês) da Biosev, considerada a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo. Já a perspectivas de ratings da companhia, que indica em qual direção um rating é provável de ser alterado, foi revisada de ‘estável’ para ‘negativa’ – o que indica a possibilidade de rebaixamento.

Segundo a agência, a perspectiva negativa reflete as dificuldades enfrentadas pela Biosev para melhorar seus principais indicadores operacionais e atingir fluxo de caixa livre (FCF) positivo. “Os índices de crédito da companhia permanecem fracos, apesar do aumento dos preços do açúcar”, destaca o relatório da Fitch.

Com isso, os IDRs de Longo Prazo em Moedas Estrangeira foram mantidos em B+. A empresa possui essa classificação desde abril de 2016, quando sofreu um rebaixamento. A avaliação indica a presença de significativo risco de crédito, porém, com a presença de uma pequena margem de segurança.

A classificação nessa categoria demonstra que os compromissos financeiros correntes estão sendo honrados, entretanto, a capacidade de continuar efetuando o pagamento dependerá de um ambiente de negócios e econômico sustentado e favorável.

Já o Rating Nacional de Longo Prazo da Biosev foi mantido em A-, uma classificação que denota um risco de crédito baixo. Contudo, mudanças adversas nas condições dos negócios, econômicas ou financeiras, podem afetar mais a capacidade de pagamento dessas obrigações no prazo esperado.

Ainda de acordo com a agência, a Biosev realizou significativos investimentos para melhorar a produção agrícola e reduzir a capacidade ociosa das usinas, o que deverão comprometer o fluxo de caixa dos ativos e manter a alavancagem em patamares elevados.

Na opinião da Fitch, a manutenção dos atuais ratings dependerá da capacidade da Biosev em melhorar seu desempenho operacional, reduzir a alavancagem e atingir custos de caixa médios mais compatíveis com os dos pares avaliados com os mesmos IDRs. Positivamente, a Fitch destaca a ampla capacidade de moagem e armazenamento da empresa, aliada a seu modelo de negócios diferenciado, baseado em polos industriais.

O relatório ainda complementa que a companhia demonstra capacidade de acesso a linhas de crédito de médio e longo prazos, e seu índice de cobertura caixa/dívida de curto prazo foi satisfatório no final dos dois últimos exercícios fiscais.

Liquidez se mantém satisfatória

A Fitch acredita que a Biosev reportará posição de caixa superior a R$ 1,6 bilhão e dívida de curto prazo em torno deste patamar em 31 de março de 2017, após a rolagem da dívida de curto prazo e a venda de estoques no quarto trimestre do exercício fiscal de 2017, período da entressafra para o setor brasileiro de cana de açúcar.

Em 31 de dezembro de 2016, a companhia reportou estoques superiores a R$ 830 milhões a valor contábil, compreendendo 190 mil toneladas de açúcar e 371 milhões litros de etanol. Com base em valores de mercado, a Biosev registrou estoques de R$ 1 bilhão até a data.

A companhia manteve o acesso a financiamentos de médio e longo prazos junto à sua controladora e a instituições financeiras e conseguiu rolar parte de sua dívida de curto prazo, o que também contribuiu para a posição de liquidez satisfatória que deverá ser registrada em 31 de março de 2017.

Em 31 de dezembro de 2016, a empresa reportou posição de caixa de R$ 502 milhões, comparando-se desfavoravelmente com a dívida de curto prazo de BR$ 2,7 bilhões.

Expectativa de manutenção de fluxo de caixa negativo

Segundo análise, a Fitch acredita que a Biosev reportará um fluxo de caixa de ativos (FCF) médio negativo ao longo das próximas três safras, em torno de R$ 630 milhões.

Já o fluxo de caixa das operações (CFFO) deverá melhorar no exercício de 2017 devido ao aumento dos volumes moídos e dos preços do açúcar. “No entanto, as despesas com os canaviais devam aumentar os investimentos da companhia, deixando o FCF negativo em mais de R$ 700 milhões”, aponta a agência.

De acordo com dados fornecidos pela Fitch, no período de 12 meses encerrado em 31 de dezembro de 2016, os recursos das operações (FFO) e o CFFO totalizaram R$ 430 milhões e R$561 milhões, respectivamente. Dessa maneira, o CFFO não foi suficiente para cobrir os investimentos da companhia, de R$ 1,2 bilhão, o que resultou em FCF negativo de R$ 676 milhões.

Alavancagem deve permanecer alta

Uma consequência dessa geração de fluxo de caixa negativo é um aumento no índice de alavancagem da Biosev. A Fitch projeta que a alavancagem líquida ajustada da Biosev deverá permanecer entre 5,0 vezes e 5,5 vezes nos próximos quatro exercícios fiscais. O alto grau de alavancagem representa maiores riscos para os investidores.

Para a agência, o aumento dos preços do açúcar e a melhora da produção agrícola, além da redução da capacidade ociosa, serão neutralizados pelo aumento dos investimentos.

Segunda a agência, em 31 de dezembro de 2016, a companhia reportou índice dívida líquida ajustada/Ebitdar de 5,0 vezes, inalterado frente ao de 5,1 vezes registrado em 31 de dezembro de 2015 e no exercício de 2016.

Melhora do desempenho operacional é lenta

Para as previsões, a Fitch reconhece as melhoras operacionais da Biosev nos dois últimos anos, “embora o ritmo da recuperação tenha sido mais lento do que o esperado”.

Pelas projeções da agência, a companhia deve reportar um aumento dos volumes moídos no exercício fiscal de 2017, frente ao período anterior. E mesmo que a utilização da capacidade aumente no exercício fiscal de 2017, a agência espera que a companhia ainda opere com relevante capacidade ociosa em comparação com os pares de porte semelhante.

Ainda segundo a Fitch, as melhoras na atual safra dependerão, sobretudo, das condições climáticas.

Associação com a Louis Dreyfus diminui riscos

A agência de classificação de risco ainda classificou como positiva a associação da Biosev com o Louis Dreyfus Commodity Holding Group (Grupo LD), um dos principais clientes do açúcar produzido pela empresa. De acordo com a Fitch, normalmente, as vendas intragrupo totalizam uma faixa de 700 mil a 900 mil toneladas de açúcar VHP por ano. Qualquer evidência de redução do suporte do grupo LD, segundo o relatório, teria sensibilidade sobre a avaliação de rating.

O grupo detém 72% da Biosev e presta suporte à companhia, tanto operacional como financeiro. “A associação com o grupo LD se traduz em sinergias positivas, além de proporcionar à Biosev acesso a uma ampla gama de dados e informações sobre a situação atual dos mercados globais de açúcar e etanol, os estoques e a demanda destes dois produtos, as tendências dos preços e o desempenho das moedas estrangeiras em todo o mundo, dentre outros pontos”, afirma o relatório.

Segundo o documento, o suporte do LD também ocorre na forma de adiantamentos recebidos do grupo para futuras entregas de açúcar VHP. Estes adiantamentos são utilizados no financiamento das necessidades de capital de giro da Biosev, de acordo com a Fitch. Por sua vez, a transação é vista pela agência de classificação com bons olhos, já que a dívida apresenta menor risco de refinanciamento quando comparada a dívidas bancárias normais, por ser entre companhias.

“A adoção de práticas de gestão de risco eficientes tem se refletido positivamente no atrativo patamar de preços com hedge do açúcar e também tem ajudado a diminuir o impacto da recente volatilidade cambial”, destaca a Fitch sobre o suporte do grupo.

Marina Gallucci – NovaCana

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