Os futuros de açúcar demerara iniciam a semana pressionados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Além do real desvalorizado ante o dólar pesa sobre os preços a revisão de portfólios por fundos. Estes agentes vão redefinir suas posições considerando as mudanças nos principais índices de commodities. Participantes avaliam que há espaço para perdas pelo menos até quinta-feira (14), quando esse movimento deve se encerrar.
A revisão envolve os dois principais índices de commodities, S&P GSCI e BCOM. Entre a última sexta-feira (8) e a próxima quinta, fundos que acompanham esses indicadores precisam reajustar seus portfólios. Para o Banco Société Générale, esses fundos administram aproximadamente US$ 125 bilhões e terão de vender cerca de 21% do volume médio diário de açúcar para acompanhar o rebalanceamento, o que corresponde a aproximadamente US$ 869 milhões e 51.803 contratos.
Do lado cambial, há o dólar ainda acima dos R$ 4. A moeda nesses níveis estimula fixações por usinas, o que é baixista para os contratos. Na sexta, a divisa encerrou em R$ 4,0340 (-0,37%).
Mas há também fatores construtivos. Depois de uma semana de tempo aberto, o Centro-Sul deve registrar precipitações volumosas. Em São Paulo, os acumulados devem ser de 100 mm até o dia 15. No Paraná e em Minas Gerais deve chover menos, com volumes na casa dos 70 mm. Vale lembrar que há ainda mais de 40 usinas processando na principal região produtora do País, e a umidade pode atrasar os trabalhos de moagem.
Nos gráficos, os futuros voltaram para abaixo de 14,50 cents por libra-peso, que figura como resistência inicial. Depois disso aparecem os 15 cents/lb.
Na sexta-feira, março caiu 29 pontos (1,97%) e fechou em 14,46 cents/lb, com máxima de 14,98 cents/lb (mais 23 pontos) e mínima de 14,44 cents/lb (menos 36 pontos). Maio recuou 27 pontos (1,87%) e terminou em 14,45 cents/lb. Na semana, acumularam desvalorizações de 5,11% (menos 78 pontos) e de 4,95% (menos 74 pontos), respectivamente.
O spread março/maio, que iniciara a semana passada em 32 pontos, encerrou sexta em 28 pontos de prêmio para o primeiro contrato da tela.



E pelo mais recente relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), fundos reduziram o saldo comprado em açúcar em 10.478 lotes na semana encerrada em 5 de janeiro. A posição passou de 201.021 para 190.543 lotes.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) encerrou a sexta-feira em R$ 82,92/saca, baixa de 0,04% ante a véspera. Em dólar, o índice ficou em US$ 20,56/saca (+0,24%).
