Nas últimas semanas, uma velha polêmica voltou com mais força à pauta de discussões do setor sucroenergético: a remuneração dos produtores de cana-de-açúcar pelo bagaço. O assunto é discutido, pelo menos, desde 2009 por produtores, e a centelha para os questionamentos ganha força com os resultados nos balanços financeiros dos grupos sucroenergéticos.
De um lado a matéria-prima tem propiciado a muitas usinas uma renda significativa, por meio da geração de energia elétrica com a queima do bagaço ou pela sua venda direta. Do outro, plantadores alegam que, à despeito disso, a quantidade de fibra contida ainda penaliza o ATR da cana, o que os coloca em uma posição desprivilegiada em relação ao uso da indústria.
Para engrossar mais o caldo, a discussão caminha em paralelo à revisão do próprio Consecana, item que se mostrou mais urgente na agenda de plantadores de cana e de usinas. O modelo – que começou a ser revisto recentemente em reuniões realizadas no mês de dezembro, como informado pela Orplana – ainda é o melhor para precificação dos produtos, segundo os plantadores. No entanto, estes garantem que, sem uma atualização, poderá fazer com que os canaviais entrem em colapso.
Em São Paulo, principal estado produtor do Centro-sul, isso significaria colocar em risco 53% da cana moída na safra 2015/16, ou 169,7 milhões de toneladas. Em outros estados, a cana adquirida de terceiros também não é nada desprezível e vem aumentando sua participação ao longo das temporadas.
Para a reportagem a seguir, o portal novaCana.com ouviu lideranças envolvidas com as discussões para conhecer as demandas e as questões que permeiam os encontros que estão ocorrendo para a revisão do Consecana, que será aplicada a partir do próximo ano.
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