
Thiago Duarte, do BTG Pactual, durante palestra no Teco Latin America
“A taxa interna de retorno de um projeto de etanol de milho está em torno de 15%. É um número bom para caramba, mas é menor do que em projetos de cinco a seis anos atrás, que chegavam a 30% nas mesmas condições. O fenômeno é parecido com a cana, mas em uma intensidade diferente”.
A fala é do sócio e analista sênior para o agronegócio do banco BTG Pactual, Thiago Duarte, e ocorreu durante a décima edição do Teco Latin America, evento voltado para a cadeia produtiva de etanol de cereais, ocorrido nesta terça-feira, 1º, em São Paulo (SP). Duarte falou sobre o cenário macroeconômico e sobre as tendências da indústria de etanol.
Para dar uma dimensão da importância dessa indústria, ele aponta que há cerca de R$ 20 bilhões em investimentos no momento. Ainda segundo o analista, neste ano, o etanol de milho deverá corresponder a um volume próximo de 25% da oferta total de etanol do Brasil, ante uma participação praticamente nula há dez anos.
Duarte também calcula que, em três anos, essa participação de mercado deverá chegar a 35%. “É o exemplo mais sólido da pujança e competitividade desta indústria”, considera.
De acordo com ele, cerca de 14% do milho produzido no Brasil neste ano será usado para produção de etanol – e não há perspectiva de faltar matéria-prima tão cedo. Além disso, ele afirma que não existem sinais de redução de área para o grão.
Conforme Duarte, a indústria se desenvolve mais em Mato Grosso, pois esse é o estado com o milho mais barato do mundo. “Enquanto houver excedente de produção do grão nessa região, teremos matéria-prima a bons preços garantida”, completa.
Além disso, o analista cita um dos principais coprodutos da indústria de milho. Ele diz que a tese de longo prazo do grão seco de destilaria (DDG) é “perfeita”, pois o país tem muito espaço para desenvolver a pecuária e liberar áreas para serem usadas na produção de grãos, que oferecem maior produção, melhor aproveitamento e aumento de riqueza da terra.
“O DDG é parte desta equação, pois é preciso melhorar a alimentação deste animal”, explica. Ainda assim, ele aponta que o farelo de milho não está atendendo à mesma fatia dos custos de produção que pagava no passado.
Duarte ainda alerta para a indústria de etanol de milho não incorrer nos mesmos erros que a de cana, que passou de um crescimento vertiginoso de plantas para uma subsequente sequência de fechamentos, ao ter dificuldade no controle de custos.
Outra limitação existente e cada vez mais latente, segundo Duarte, é a obtenção de energia. O analista observa que o preço da madeira vem subindo devido à competição de biomassa para este fim, algo que o produtor deve ficar atento.
O cenário apresentado é visto como um contraste à falta de crescimento do etanol de cana. Duarte cita a estagnação da produtividade no setor com um fator-chave, pois ele impede que ocorra redução e controle de custos. “Sem este controle, perde-se competitividade ao longo do tempo. Na indústria de cana, foi mais ou menos isso que aconteceu”, completa Duarte.
“Temos um retorno sobre capital investido em menos de 9% no setor de cana. A conta não fecha”, Thiago Duarte (BTG Pactual)
Além disso, há dificuldade no crescimento de área. Duarte cita a remuneração para o dono da terra, que tende a não ser tão vantajosa em relação a outras matérias-primas. “Tivemos um incremento fantástico na produtividade do grão e não tivemos o mesmo no caso da cana, que praticamente não saiu do lugar”, completa.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
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