Conteúdo Patrocinado

Conteúdo Patrocinado

Retorno sobre investimento na indústria de etanol de milho é alto, mas já foi maior

Analista do BTG Pactual observa lados positivos para a indústria do renovável feito com cereal, mas aponta alertas


NovaCana - Publicado: 01 Out 2024 - 15:47
Retorno sobre investimento na indústria de etanol de milho é alto, mas já foi maior

Thiago Duarte, do BTG Pactual, durante palestra no Teco Latin America

“A taxa interna de retorno de um projeto de etanol de milho está em torno de 15%. É um número bom para caramba, mas é menor do que em projetos de cinco a seis anos atrás, que chegavam a 30% nas mesmas condições. O fenômeno é parecido com a cana, mas em uma intensidade diferente”.

A fala é do sócio e analista sênior para o agronegócio do banco BTG Pactual, Thiago Duarte, e ocorreu durante a décima edição do Teco Latin America, evento voltado para a cadeia produtiva de etanol de cereais, ocorrido nesta terça-feira, 1º, em São Paulo (SP). Duarte falou sobre o cenário macroeconômico e sobre as tendências da indústria de etanol.

Para dar uma dimensão da importância dessa indústria, ele aponta que há cerca de R$ 20 bilhões em investimentos no momento. Ainda segundo o analista, neste ano, o etanol de milho deverá corresponder a um volume próximo de 25% da oferta total de etanol do Brasil, ante uma participação praticamente nula há dez anos.

Duarte também calcula que, em três anos, essa participação de mercado deverá chegar a 35%. “É o exemplo mais sólido da pujança e competitividade desta indústria”, considera.

De acordo com ele, cerca de 14% do milho produzido no Brasil neste ano será usado para produção de etanol – e não há perspectiva de faltar matéria-prima tão cedo. Além disso, ele afirma que não existem sinais de redução de área para o grão.

Conforme Duarte, a indústria se desenvolve mais em Mato Grosso, pois esse é o estado com o milho mais barato do mundo. “Enquanto houver excedente de produção do grão nessa região, teremos matéria-prima a bons preços garantida”, completa.

Além disso, o analista cita um dos principais coprodutos da indústria de milho. Ele diz que a tese de longo prazo do grão seco de destilaria (DDG) é “perfeita”, pois o país tem muito espaço para desenvolver a pecuária e liberar áreas para serem usadas na produção de grãos, que oferecem maior produção, melhor aproveitamento e aumento de riqueza da terra.

“O DDG é parte desta equação, pois é preciso melhorar a alimentação deste animal”, explica. Ainda assim, ele aponta que o farelo de milho não está atendendo à mesma fatia dos custos de produção que pagava no passado.

Duarte ainda alerta para a indústria de etanol de milho não incorrer nos mesmos erros que a de cana, que passou de um crescimento vertiginoso de plantas para uma subsequente sequência de fechamentos, ao ter dificuldade no controle de custos.

Outra limitação existente e cada vez mais latente, segundo Duarte, é a obtenção de energia. O analista observa que o preço da madeira vem subindo devido à competição de biomassa para este fim, algo que o produtor deve ficar atento.

Retração da cana

O cenário apresentado é visto como um contraste à falta de crescimento do etanol de cana. Duarte cita a estagnação da produtividade no setor com um fator-chave, pois ele impede que ocorra redução e controle de custos. “Sem este controle, perde-se competitividade ao longo do tempo. Na indústria de cana, foi mais ou menos isso que aconteceu”, completa Duarte.

“Temos um retorno sobre capital investido em menos de 9% no setor de cana. A conta não fecha”, Thiago Duarte (BTG Pactual)

Além disso, há dificuldade no crescimento de área. Duarte cita a remuneração para o dono da terra, que tende a não ser tão vantajosa em relação a outras matérias-primas. “Tivemos um incremento fantástico na produtividade do grão e não tivemos o mesmo no caso da cana, que praticamente não saiu do lugar”, completa.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana
Conteúdo patrocinado pela Novonesis