Após apresentar o pior resultado trimestral da história no setor de biocombustíveis, a situação financeira da Petrobras no setor de etanol e biodiesel continua se deteriorando, como mostram os resultados divulgados hoje
Após apresentar o pior resultado trimestral da história no setor de biocombustíveis, a situação financeira da Petrobras no setor de etanol e biodiesel continua se deteriorando, como mostram os resultados divulgados hoje.
O NovaCana detalha a seguir as explicações da estatal para as perdas com etanol e biodiesel, a desvaloriação dos ativos, o impacto dos biocombustíveis na conta da fragilizada Petrobras e gráficos com a evolução das perdas no ano e em cada trimestre.
Após apresentar o pior resultado trimestral da história no setor de biocombustíveis, a situação financeira da Petrobras no setor de etanol e biodiesel continua se deteriorando, como mostram os resultados divulgados hoje.
No 3º trimestre de 2015 as perdas da estatal com etanol e biodiesel alcançaram R$ 110 milhões, 18% maior que no mesmo período do ano passado, porém menor que o prejuízo recorde de R$ 304 milhões do 2º trimestre deste ano.
A Petrobras atribui a redução no prejuízo trimestral a dois fatores: ao fato de o trimestre anterior ter sido afetado por perdas em investimentos devido às mudanças decorrentes do Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2015/19 e ao melhor momento do segmento de etanol no 3T15.
Atualmente a empresa controla, por meio da subsidiária Petrobras Biocombustível (PBio), investimentos em noves usinas de etanol – das sucroalcooleiras Guarani (SP), Nova Fronteira (GO) e Bambuí (MG), em que detém participação acionária – e três de biodiesel.

Prejuízo em dobro
No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a conta já soma R$ 463 milhões negativos, o dobro se comparado a mesma época de 2014. As mudanças em função do PNG – que gerou perdas em investimentos – são a principal causa apontada pela Petrobras. Importante ressaltar que a estatal não revela qual (ou quais) foi o investimento mal sucedido que gerou o prejuízo recorde anterior.

Segundo o relatório da companhia, o resultado poderia ser ainda pior nos nove primeiros meses, mas foi atenuado pela melhora nas margens das operações de biodiesel em função do aumento nos preços médios de realização e nos volumes de vendas desse ano.
No entanto, como já é de praxe na estatal, a receita com vendas de biocombustíveis (R$ 526 milhões) não foi suficiente para cobrir os custos de produção (R$ 587 milhões), e o prejuízo operacional alcançou R$ 61 milhões.
A maior parte do resultado negativo deste ano foi decorrente da participação em investimentos, com déficit de R$ 347 milhões, ante R$ 96 milhões do acumulado do mesmo período de 2014.
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado fechou o mês de setembro negativo em R$ 154 milhões, contra as perdas de R$ 184 milhões no ano anterior.
No mesmo período o setor de biocombustíveis da companhia recebeu R$ 58 milhões em investimentos, valor 2,4 vezes superior ao realizado de janeiro a setembro de 2014.
O lucro líquido no período da estatal como um todo passou de R$ 5,013 bilhões para R$ 2,102 bilhões de 2014 para 2015 – redução de 58%. Com este resultado, o impacto dos biocombustíveis no lucro da companhia cresceu quase cinco vezes de um ano para o outro nos três primeiros trimestres: 4,6% no ano passado para 22% atualmente. Ou seja, com a estatal fragilizada, a Petrobras Biocombustível que antes pouco significava no resultado geral, agora ganhou relevância inédita.

Ativos desvalorizados
Em relação a 31 de dezembro do ano passado houve uma desvalorização de 18,7% nos ativos da área de biocombustíveis – aumento de 7,7% se comparado ao trimestre anterior – que agora valem R$ 2,393 bilhões.
A estatal atribui as perdas à redução do saldo de ativos em construção e à depreciação de ativos em dezembro de 2014, assim como depreciação decorrente da exclusão de projetos da carteira de investimentos contemplada no PNG.
Ainda assim, a empresa continua tendo que investir no setor para honrar acordos do passado. Recentemente foi concluído um aporte de R$ 268,1 milhões na Guarani, grupo com sete usinas controlado pela Tereos. Com isso, a Pbio completou 45,9% de participação no conglomerado.
Multa bilionária
O relatório de informações trimestrais traz ainda uma outra nota negativa para a Petrobras no que diz respeito a seu envolvimento com a área de biocombustíveis.
O capitulo reservado para processos judiciais informa que a empresa enfrenta três autuações do fisco relacionadas a forma como ela vem utilizado as regras de diferimento nas operações de venda de biodiesel (B100) e ao pagamento de ICMS em estados das regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Espírito Santo. Esses autos podem custar aos cofres da companhia outros R$ 2,2 bilhões.
Jorge Mariano – NovaCana