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Resultado da safra 2012/13 foi pior que o previsto, comprova Pecege

moagem biosev baixa300913Com uma amostra três vezes maior, pesquisa divulgada hoje comprova que as usinas passaram por uma safra difícil
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O resultado foi pior do que se previa. Essa é a constatação do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas – Pecege em relação à safra de cana-de-açúcar 2012/13. Divulgado hoje, os números finais de todos os custos da última safra comprovam a situação que fez as usinas se endividarem ainda mais.

O resultado foi pior do que se previa. Essa é a constatação do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas – Pecege em relação à safra de cana-de-açúcar 2012/13. O relatório com os custos consolidados no ciclo anterior está sendo apresentado nesta segunda-feira (30) no III Seminário de Custos Setor Sucroenergético, em Piracicaba (SP). "Os preços do etanol e do açúcar, principalmente, foram bem piores do que projetávamos", comenta Carlos Eduardo Osório Xavier, o coordenador do programa que é vinculado à Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Apesar de mais da metade da safra atual já ter sido concluída no centro-sul, o estudo do Pecege em relação à safra passada inclui também a colheita no nordeste e por isso considera o fechamento do ciclo em agosto. A Inclusão da safra nordestina é novidade e o resultado completo dessa região será apresentado com exclusividade no seminário.

Mesmo com os números mais negativos que o previsto, em valores absolutos o custo de produção no centro-sul fechou muito próximo à projeção do Pecege. "O [resultado] consolidado, apesar de ter uma amostra três vezes maior e mais detalhamento, convergiu muito próximo ao que se esperava", avaliou o pesquisador. Como previsto, para o etanol a rentabilidade foi bastante negativa, já o açúcar assegurou uma pequena margem, apesar dos preços muito aquém do estimado.

As despesas de plantio de cana foram quase 10% superiores ao projetado, contudo a alta foi neutralizada por dois fatores: o baixo preço dos produtos industriais e uma produtividade agrícola 5% maior. Com mais cana por hectare, todos os custos agrícolas vinculados a fatores fixos foram barateados. O segundo ponto, e de maior impacto, é que indiretamente a redução dos preços do açúcar e do etanol foi positiva, já que estes são usados como referência para pagamento de fatores como o arrendamento de terra e a própria cana-de-açúcar.

"O lado negativo é que estes preços baixos dos produtos, principalmente do açúcar que ficou bem aquém da projeção, resultou em uma rentabilidade média bem inferior à projetada incialmente". Conforme Xavier, os números consolidados indicam uma margem de rentabilidade de 2% para o açúcar branco e 6% para o açúcar VHP, enquanto a expectativa era de uma margem de 10% para ambos.

Para o etanol a rentabilidade foi bastante negativa, e, embora isso já estivesse previsto, o resultado final foi um pouco mais desanimador. O prejuízo ficou em 12% para o hidratado e para o anidro em 6,4%. Os preços fecharam para o anidro a R$ 2,38 e para o hidrato R$ 2,29, bem próximos à previsão que era de, respectivamente, R$ 2,382 e R$ 2,30.

Inversão na safra atual
Se na safra passada o açúcar garantiu alguma rentabilidade, na atual a relação deve se inverter com o etanol proporcionando uma margem maior. A estimativa será revelada em um novo levantamento de safra a ser revelado no evento. "Além do fechamento oficial vamos lançar uma segunda projeção de acompanhamento da safra 2013/14, em que se espera uma inversão: o etanol neste momento já está melhor do que o açúcar", disse Xavier. O resultado da primeira projeção pode ser acessado aqui.

Nordeste: queda de produtividade de 16% e alta de custos em 20%
"A característica do nordeste, este ano [safra 2012/13], foi de uma produção extremamente difícil devido às condições climáticas que prejudicaram muito", resumiu o pesquisador. Os custos no nordeste são normalmente mais altos, mas na safra 2012/13 inflaram ainda mais. O fator determinante foi a quebra na produtividade agrícola, que encolheu 16%.

Em consequência, a escalada de custo nos canaviais nordestinos aumentou em 20% comparada a safra 2011/12. Conforme a projeção do Pecege, a tendência permanece e o custo ainda tende a aumentar em 15% na safra atual.

Reajuste da gasolina pode aumentar o mix de etanol
Com a pressão da Petrobras, que traz a perspectiva de um possível reajuste para os derivados do petróleo na refinaria, o etanol poderia ampliar a rentabilidade na safra corrente. Carlos Xavier avalia que o reajuste da gasolina, que se especula ocorra ainda em outubro, deve possibilitar um aumento tanto para o anidro como para o hidratado. Em razão disso, o etanol deve se tornar mais interessante que o açúcar para as usinas e a oferta de etanol pode subir um pouco mais, ajudando a segurar o excedente de açúcar.

Amanda SchArr – NovaCana
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