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Resultado esperado pelo RenovaBio: 12 novas usinas, 24 ampliações, 12 reativações e 6 fecham as portas

cana colheita 111115Perspectiva da EPE para os próximos 10 anos: mesmo com iniciativa do governo, número de usinas e área de canavial devem ter evolução modesta.

NovaCana 6 min de leitura

O setor sucroenergético vive um “período de ajustes”. Essa é a denominação dada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o atual momento das usinas brasileiras, que ainda se recuperam de um período de crise, marcado pelo encerramento de atividade em diversas unidades e pelo crescimento do número de pedidos de recuperação judicial e de falência.

O órgão, que é vinculado ao Ministério de Minas de Energia, reconhece que o quadro não é convidativo para abertura de novas usinas, expansões ou até mesmo retrofit. Contudo, há esperanças e a EPE projeta para a década um saldo positivo de 18 unidades entre as usinas de cana-de-açúcar em operação.

Observando que, em 2016, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) registrou a presença de 378 usinas de açúcar e etanol em atividade no Brasil, a estimativa da EPE resulta em um total de 394 unidades em 2026.

Na visão da EPE, o futuro do setor sucroenergético pode ser analisado em dois períodos distintos: de 2017 a 2020 e de 2021 a 2026. Veja os detalhes a seguir.

E mais:

- Fluxo anual de fechamentos, reativações e novas unidades para os próximos dez anos
- Perspectiva de capacidade de moagem adicional
- Comparativo com projeções anteriores
- Fatores que impactaram projeção
- Papel do RenovaBio nas estimativas
- Três usinas fecharão as portas em 2017 e de outras três em 2018

O setor sucroenergético vive um “período de ajustes”. Essa é a denominação dada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), em seu Plano Decenal de Energia (PDE), para o atual momento das usinas brasileiras, que ainda se recuperam de um período de crise, marcado pelo encerramento de atividade em diversas unidades e pelo crescimento do número de pedidos de recuperação judicial e de falência.

O órgão, que é vinculado ao Ministério de Minas de Energia, afirma que uma das atuais prioridades das companhias é buscar “o equacionamento da sua situação financeira”. O termo inclui o pagamento de dívidas e, também, investimentos para a melhora dos índices operacionais – redução dos custos e aumento de margem –, elevando a sustentabilidade financeira das usinas.

Com isso, a EPE reconhece que o quadro não é convidativo para abertura de novas usinas, expansões ou até mesmo retrofit. Contudo, há uma esperança: “Desde o final de 2015, o setor sucroenergético tem aproveitado a elevação dos preços internacionais do açúcar para elevar seu faturamento e quitar parte dessas dívidas, aumentando o direcionamento do ATR (açúcar total recuperável) para este produto, o qual atingiu 46% na safra 2016/17”.

Assim, mesmo levando em conta a perspectiva de encerramento das atividades de três unidades em 2017 e de outras três em 2018, a EPE projeta para a década um saldo positivo de 18 unidades entre as usinas de cana-de-açúcar em operação. Observando que, em 2016, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) registrou a presença de 378 usinas de açúcar e etanol em atividade no Brasil, a estimativa da EPE resulta em um total de 394 unidades em 2026.

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Para alcançar esse montante, a entidade projetou um número idêntico de novas usinas e de reativações. Segundo a EPE, o futuro do setor sucroenergético pode ser analisado em dois períodos distintos: de 2017 a 2020 e de 2021 a 2026.

No primeiro, de acordo com o relatório, os investimentos são dedicados à expansão da capacidade, além disso, há dois projetos de novas usinas, que já estão em construção. Além disso, todas as 12 reativações previstas estão concentradas dentro desse prazo.

Por sua vez, o segundo período considera a implantação de mais 10 unidades com capacidade de moagem média de 3,4 milhões de tonadas de cana-de-açúcar por ano. “Também é considerada a expansão da capacidade instalada de 24 unidades existentes, adicionando à capacidade produtiva cerca de 35 milhões de toneladas”, complementa.

Há otimismo, mas não muito

Ainda que a presença de 394 usinas em atividade pareça uma boa notícia, essa perspectiva é inferior a outra já feita pela própria EPE. Em fevereiro deste ano, a entidade divulgou um relatório em que traçava diferentes cenários para o setor sucroenergético. No mais otimista deles, o país teria 408 usinas em 2026 – ou seja, 12 unidades a mais do que na atual projeção do PDE.

Na ocasião, a EPE ainda não considerava abertamente o RenovaBio em seus cálculos, embora a iniciativa já tivesse sido anunciada pelo governo. A princípio, foi declarado que o cenário mais otimista dependia do alinhamento do preço de realização da gasolina às cotações internacionais, de uma maior disponibilização de linhas de financiamento para o setor e da presença de políticas de incentivo ao etanol, incluindo diferenciações adicionais na Cide, no Pis/Cofins e/ou no ICMS incidentes sobre o etanol e a gasolina em alguns estados.

Agora, com a estimativa apresentada, é possível observar que a EPE se manteve próxima a seu cenário mais moderado, que segue premissas similares ainda que em menor intensidade, além de apostar em ações de redução de custo por parte dos empresários. O novo número, aliás, aposta em duas usinas a mais que a antiga projeção, indicando uma nova perspectiva, especialmente para os próximos cinco anos.

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A princípio, a EPE coloca seu novo cenário entre sua visão média e a pessimista, inclusive com a queda no número de usinas em atividade já em 2017. Contudo, o período de 2019 a 2021 traz mais otimismo, marcado por seis reativações e três novas usinas – ou seja, concentrando nove das 24 unidades estimadas para a década. Não há uma justificativa clara para o ânimo renovado, mas fica evidente que a EPE acredita que o “período de ajustes” se transformará rapidamente em uma nova fase de investimentos.

Tudo depende do RenovaBio

O detalhe é que, embora credite a recuperação do setor ao mercado de açúcar, a EPE aposta em uma evolução modesta para o produto, com o aumento da produção calculado em 12,6% para o período de 10 anos. Dessa maneira, a responsabilidade pela maior parte do crescimento projetado para o setor sucroenergético recairia para o etanol, que deve ver sua produção anual crescer 53,6% até 2026.

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Esse quadro, no entanto, considera um aumento da demanda por etanol provocada pelo crescimento da competitividade do hidratado frente à gasolina. Isso será possível, segundo a EPE, devido aos “sinais positivos” do RenovaBio, que estimularia o consumo e incentivaria as empresas do setor a fazer melhorias em seus processos produtivos.

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Renata Bossle – NovaCana

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