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Resultado em leilão de energia não afasta preocupações das usinas, diz Unica


Globo Rural - Publicado: 30 Ago 2013 - 17:09 | Atualizado: 19 Ago 2021 - 12:07

A participação considerada positiva no leilão de energia realizado nesta quinta-feira (29/8) não significa o fim das preocupações para as usinas produtores de energia a partir do bagaço da cana. É o que avalia o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única), Zilmar José de Souza.

A principal cobrança que vem sendo feita é por melhores condições de competitividade nas disputas realizadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para as usinas, explica Zilmar José de Souza, a participação de diversas fontes alternativas em um mesmo leilão é ruim porque desequilibra a concorrência.

É o que deve ocorrer em outro leilão de energia nova, marcado para o dia 18 de novembro com a finalidade de abastecer o sistema a partir de primeiro de janeiro de 2016. A expectativa é de que concorram hidrelétricas, solar, biomassa e eólica.

"As chances da biomassa ficam reduzidas por causa da participação da energia eólica, que é mais barata. (A biomassa) vai para o leilão em que as fontes competem em condições desiguais", diz Zilmar de Souza.

Em 13 de dezembro deve ser feito mais um leilão com o objetivo de garantir o abastecimento a partir de primeiro de janeiro de 2018. Além das hidrelétricas, devem entrar biomassa, gás natural e termelétricas a carvão, fonte de energia que, nesta semana, teve a alíquota de PIS e Cofins zerada por decreto pelo governo.

Para o gerente da Única, "o processo como é feito hoje desarticula a cadeia produtiva do setor. Não há uma estabilidade no planejamento da política energética". Sobre a desoneração do carvão, Souza argumenta que o governo reduziu custos de uma fonte de energia mais poluente.

No leilão de quinta-feira, sete projetos de energia a partir do bagaço da cana foram arrematados a um valor médio de R$ 133 reais por megawatt/hora. Ao todo, somam 347 megawatts, que vão integrar o sistema elétrico nacional a partir de primeiro de janeiro de 2018. Foram fechados também contratos com usinas hidrelétricas.

O resultado é considerado um "pequeno avanço", diz Souza, considerando que em 2012 não houve contratação de energia de bagaço de cana. Mas ainda longe do potencial do setor. Segundo a própria Única, as vendas de bioeletricidade para o sistema nacional cresceram de forma expressiva nos últimos sete anos. Em 2005, foram "exportados" 162 megawatts médios. Em 2012, foram 1,38 mil.

A entidade que reúne as usinas do Centro-sul projeta que, só no estado de São Paulo, a oferta de bioeletricidade de bagaço de cana pode chegar a 8,66 mil megawatts em 2020 e em 17,32 mil em 2035. "A biomassa tem potencial para responder aos leilões do governo. Precisa é ter estímulos", afirma o gerente de bioeletricidade da Única.

Raphael Salomão