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Com muitas ressalvas sobre a Tonon, S&P mantém voto de confiança

tonon usina 080415Depois de concluir a captação de um novo empréstimo e renegociar suas dívidas, a sucroalcooleira Tonon Bioenergia afastou temporariamente o forte risco de insolvência que a ameaçava

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Depois de concluir a captação de um novo empréstimo e renegociar suas dívidas, a sucroalcooleira Tonon Bioenergia afastou temporariamente o forte risco de insolvência que a ameaçava. Em nova análise, a agência classificadora de riscos Standard & Poors (S&P) reafirmou os ratings da empresa, com perspectiva estável. No entanto, agência fez suas ressalvas, e não foram poucas.

Reestruturação das dívidas colaboram, mas não salvam. Veja as perspectivas da S&P para o futuro da Tonon nos indicadores de:

- receita estimada para 2016 e 2017;

- alavancagem para temporada 2015/16;

- geração de caixa;

- capex futuro;

- deterioração dos canaviais;

- riscos para o futuro.

Depois de concluir a captação de um novo empréstimo e renegociar suas dívidas, a sucroalcooleira Tonon Bioenergia afastou temporariamente o forte risco de insolvência que a ameaçava. Em nova análise, a agência classificadora de riscos S&P (Standard & Poors) reafirmou os ratings da empresa, com perspectiva estável. No entanto, a agência fez suas ressalvas, e não foram poucas.

Para a agência, a Tonon, que possui três usinas e capacidade de processamento de 8,2 milhões de toneladas de cana, continuará enfrentando altos níveis de endividamento, os quais vão limitar os investimentos em suas atividades.

Quanto às receitas, o cenário é positivo. A agência prevê um aumento no faturamento líquido em torno de 30%, atingindo R$ 950 milhões no exercício de 2016 e cerca de R$ 1 bilhão em 2017. A estimativa considerou uma cotação de 13 centavos por libra-peso para o açúcar na safra atual, com aumento ligeiro nos próximos ciclos, além de preços estáveis para o etanol, dada a condição de limitação pela gasolina.

Na safra passada, terminada em março deste ano, a empresa atingiu receita de R$ 731,8 milhões, 9% abaixo dos R$ 804,5 milhões do exercício anterior. Além disso, a Tonon teve um enorme prejuízo, de R$ 647 milhões, causado pelo aumento do custo dos produtos, menor produção e alto endividamento.

Na relação dívida/Ebtida, a S&P traçou uma perspectiva menos otimista do que sugere o último balanço trimestral da companhia. De acordo com a agência, este indicador ficará consistentemente acima de 5 vezes. No primeiro trimestre da safra atual, contudo, a alavancagem, ficou numa relação de 4,5 vezes o Ebtida. Considerando a mesma taxa de câmbio de junho de 2014, a relação dívida/Ebtida estaria em 3,2 vezes, ressalvou a companhia na divulgação dos resultados.

A empresa está vulnerável e depende de condições de negócios, financeiras e econômicas favoráveis para honrar seus compromissos

Já a geração interna de caixa em relação à dívida deverá situar-se abaixo de 12% nas próximas safras. Dessa maneira, a agência avalia que a Tonon terá, de um lado, fluxo de caixa operacional positivo nas futuras temporadas e, por outro, menor produtividade, devido ao impacto dos baixos investimentos na disponibilidade de cana. Em médio prazo, isso pode aumentar a pressão sobre novas emissões de dívida e o risco de default, conclui a S&P.

A liquidez, ainda, foi considerada baixa pela agência, que citou elevados endividamento de curto prazo e juros anuais diante da expectativa de caixa. Para a S&P, a Tonon atingirá geração de caixa interna de R$ 247 mihões em 2016, levando em conta “pagamentos mínimos de juros”.

Ratings estáveis

Em relação às classificações, a Tonon teve mantido o rating ´CCC-` do seu bond senior secure e ´CC´ do restante do bond senior unsecured. Além de retirar os ratings da Credit Watch (observação), o que traz implacações positivas para a Tonon, a agência classificadora alterou o rating de recuperação do bond secure ´3L´ para ´4H´ e reafirmou o rating de recuperação senior ´5H´.

“A perspectiva estável reflete nossa visão de que a Tonon dispõe de fontes de caixa suficientes para cumprir seus pagamentos de juros nos próximos seis meses [até o final de setembro, já que análise considerou as informações reveladas até março], dada sua flexibilidade para acumular pagamentos de juros e baixos níveis de investimentos (capex)”, observou a analista Flávia Bedran no relatório.

Além disso, a S&P desenhou cenários para elevação ou rebaixamento dos ratings. No caso da elevação, a agência considera necessário o refinancimento de curto prazo, combinado com a construção de uma estrutura que possibilite mais investimentos nos canaviais.

O rebaixamento pode ocorrer “na ausência de condições de negócios, financeiras ou econômicas favoráveis, o que provavelmente resultaria em um evento de defaut das obrigações de dívida da Tonon nos próximos 12 meses”.

Reestruturação de dívidas colaboram, mas não salvam

Segundo a análise da S&P, a perspectiva estável se deveu à visão de que a recente reestruturação do bond e o novo empréstimo proporcionaram à Tonon “certa flexibilidade financeira”. Em julho, a Tonon conseguiu renegociar suas dívidas e realizou uma captação de US$ 70 milhões com o fundo Gramercy Funds Management LLC.

“A empresa tem usado os recursos da nova dívida para pagar alguns empréstimos bancários de curto prazo, ao mesmo tempo em que busca fazer a rolagem de suas obrigações. Entretanto, as altas taxas de juros no Brasil e a aversão ao risco ao setor nos levam a esperar um refinanciamento muito limitado. Nesse sentido, acreditamos que a empresa esteja vulnerável e depende de condições de negócios, financeiras e econômicas favoráveis para honrar seus compromissos financeiros além dos próximos seis meses”, escreveu a analista da S&P.

Ainda em julho, uma parcela de 96,4% dos detentores de seus títulos aceitou as novas condições oferecidas pela empresa para pagamento de papéis com vencimento em 2020, que somam US$ 300 milhões. Nesse caso, a opção por acumular pagamentos de juros do bond unsecured reestruturado pode gerar uma economia de até R$ 100 milhões por ano no fluxo de caixa da Tonon, calculou a S&P.

Para os analistas da agência, enquanto em curto prazo os baixos níveis de capex podem elevar os ganhos dos acionistas, o resultado pode ser prejudicial às plantações nas próximas safras, “potencialmente enfraquecendo seu perfil de negócios futuramente”. A S&P estimou o capex abaixo do nível de manutenção, em R$ 147 milhões na safra de 2015/16, com alta ligeira nos próximos anos.

Felipe Vanini Bruning – NovaCana

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