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Como será a rentabilidade do setor sucroalcooleiro na safra 2013/2014

usina-alcool-110713Equipe do Pecege/Esalq aproveitou sua estrutura de coleta de dados com as usinas para projetar os custos e a rentabilidade do setor sucroalcooleiro na safra atual
NovaCana 9 min de leitura
A perspectiva de que setor sucroenergético terá uma safra boa mas com uma rentabilidade bastante apertada é um situação evidente para boa parte do setor, mas para os pesquisadores do Pecege faltavam números que pudessem dar suporte para esse cenário na safra 2013/2014.

Pensando nisso, eles resolveram se aprofundar nos indicadores agrícolas e industriais do setor e adotaram diversas premissas técnicas para estimar o custo de produção e verificar como será o rendimento dos principais produtos das usinas.

Eles descobriram que haverá uma redução de custos na produção de cana, açúcar VHP e etanol hidratado. Porém, a economia na produção veio acompanhada de queda no preço dos produtos, o que deve manter as margens prejudicadas.

Veja a seguir outras descobertas do trabalho e mais:
- Os fatores que mais devem influenciar na redução de custos
- Qual será a queda no custo de produção de cada produto
- O produtor de cana deve ser o maior prejudicado. Entenda os motivos
- Os 12 cenários levantados pela pesquisa
- A eficiência das usinas e disparidade entre elas

A perspectiva de que setor sucroenergético terá uma safra boa mas com uma rentabilidade bastante apertada é um situação evidente para boa parte do setor, mas para os pesquisadores do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Esalq faltavam números que pudessem dar suporte para esse cenário na safra 2013/2014.

Pensando nisso, eles resolveram se aprofundar nos indicadores agrícolas e industriais do setor e adotaram diversas premissas técnicas para estimar o custo de produção e verificar como será o rendimento dos principais produtos das usinas.

Eles descobriram que haverá uma redução de custos na produção de cana, açúcar VHP e etanol hidratado. Porém, a economia na produção veio acompanhada de queda no preço dos produtos, o que deve manter as margens prejudicadas.

A redução de custo esperada para este ciclo é de 3,9% para a cana, 7,0% para o açúcar VHP e 1,6% para o etanol hidratado. A projeção elaborada pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP) indica que o principal fator de influência para o menor custo é o aumento da produtividade agrícola, seguido pela redução da taxa de ociosidade industrial e pela redução no preço do ATR, que reduz os custos com arrendamento e pagamento de cana de fornecedores.

Já os preços relacionados à produção como insumos químicos, herbicidas, inseticidas e mão-de-obra aumentaram em comparação à safra passada (clique aqui e veja a tabela completa). Ou seja, o aumento de eficiência foi maior do que a inflação dos fatores de produção e isso puxou o custo final para baixo. "Quando a gente fala que os custos têm caído, tem que tomar cuidado porque os preços têm subido. Mas, por outro lado, com esses mesmos fatores de produção tem se produzido mais, o que puxa a queda de custo", resume o gestor de projetos do Pecege, Carlos Eduardo Osório Xavier.

Porém, mesmo com os indicadores positivos, o estudo alerta que não há motivo para comemorar. Isso porque os preços auferidos pelos produtos também caíram, o que significa que as margens continuam prejudicadas. "Apesar da redução de custos, projeta-se melhoria de rentabilidade apenas na produção de etanol. Na produção de cana e açúcar as expectativas são de queda de preços maior que de custos, logo uma redução de rentabilidade", avalia a pesquisa, tomando por base o cenário verificado do início de safra, em abril.

Diferenças agrícolas e industriais

Os dois principais produtos obtidos a partir da cana devem ter comportamentos diferentes em relação à queda de custo. Enquanto açúcar VHP tende a alcançar 7,0%, o etanol hidratado deve reduzir apenas 1,6%. Para o pesquisador do Pecege, o descompasso entre os dois índices é resultado principalmente do modo como constitui o preço da cana. O sistema Consecana prevê que a matéria-prima receba uma remuneração diferente de acordo com o produto a que será destinado. Assim, a tonelada de cana recebe um preço que compreende uma participação no preço do açúcar ou do etanol. Por consequência, como o valor da commodity vem despencando, o impacto foi menor no custo da matéria-prima, e refletiu no barateando do custo final de produção.

Já no caso do etanol, o custo da cana foi maior porque o biocombustível tem preços em recuperação, puxados pelo excesso de demanda, além da isenção fiscal de PIS/Cofins que auxilia a reconstituição da margem.  "No final, o custo de produção para os dois produtos tem caído porque a produtividade aumentou mais do que a inflação", reforça Xavier.

Cana-de-açúcar não vai remunerar o produtor

Nesta safra a rentabilidade mais prejudicada será a da cana-de-açúcar. Em 12 cenários projetados, desde o mais negativo ao mais otimista, todos indicam perdas. O estudo do Pecege afirma que, para produção de cana, o custo total econômico, que inclui custos da terra e do capital, não será remunerado. "Isso porque o custo de produção será substancialmente maior do que o preço obtido pela matéria", indica o trabalho.

O cenário mais otimista deverá oferecer uma rentabilidade negativa de 5,6%. Já uma estimativa equilibrada – considerando preço e produtividade médios – resultará em um prejuízo de 15,1% em relação ao custo de produção. Essa perda significa R$ 0,58 por tonelada, resultante do custo operacional da cana (COT), que é de R$ 66,20, e a expectativa de preços de R$ 65,62 por tonelada.

"Em qualquer cenário a expectativa é de prejuízo. Embora a expectativa de produtores independentes seja um pouco 'menos pior', ainda é muito ruim neste momento de mercado", diz Xavier sobre a situação dos agricultores que fornecem cana às usinas.

Pelas contas do Pecege, apenas uma produtividade, muito superior à esperada, de 94,73 toneladas por hectare – enquanto as estimativas preveem até 80 toneladas – poderia oferecer margem de rentabilidade, levando em conta o preço no cenário base em R$ 0,48 o quilo do ATR.

Esse quadro pode levar os produtores de cana que arrendam terras para produzir a buscar uma atividade mais lucrativa. "Se isso persistir, é melhor negócio para produtor investir em outra coisa. Ele deixando o dinheiro dele na poupança já é mais vantajoso", constata o pesquisador. Veja aqui a tabela com os cenários.

Açúcar pode melhorar

"Mesmo com a desoneração do PIS e Cofins, o mercado do etanol não continua muito mais atrativo do que o açúcar, como era esperado", comenta Xavier. Embora nos cenários considerados os preços no mês de abril indicassem perdas menores para o biocombustível, em uma projeção equilibrada, a tendência é de melhora no resultado para a commodity.

O viés positivo da desoneração é que mesmo sem ter revertido em uma grande vantagem para o biocombustível, teve uma abrangência ampla na medida em que a participação do etanol nesta região é muito mais significativa do que a do açúcar VHP. "São 99% das usinas que produzem etanol, mas não são todas que produzem açúcar", explica o gestor de projetos.

"O lado positivo, que não foi capturado na análise, é que o preço do dólar valorizou-se em relação ao real e melhorou um pouco o mercado de açúcar e o mercado de cana", complementa. Mas ele ressalva que estas "são oscilações pontuais e a garantia que existe é na eficiência operacional".

Eficiência é o desafio

Eficiência, tanto operacional como de mercado, é a busca que deve marcar a safra 2013/14. "Considerando os investimentos recentes em replantio da cana, espera-se que a manutenção do vigor na recuperação de produtividade permita a redução de custos e melhoria das condições de rentabilidade do setor agrícola e, além disso, possa fomentar a criação um porcentual maior de produtores de alta eficiência, os quais podem superar o desafio de um mercado de baixa rentabilidade, em termos médios", avalia o Pecege.

Xavier complementa que nas últimas três safras um alto número de usinas deixou o mercado e isso pode se acentuar com o cenário atual que, segundo ele, tem condições até piores que a de safras passadas. De outro lado, o pesquisador acredita que a produtividade ainda está muito aquém do potencial e pode melhorar substancialmente. Há empresas que já estão conseguindo isso e têm seu lucro assegurado.

"Esta safra apresenta-se como desafiante para os produtores que devem buscar maiores eficiências operacionais e planejamento de produção adequado às expectativas de mercado", recomenda a pesquisa. Veja aqui a tabela de sensibilidade da rentabilidade açúcar VHP e do etanol no Centro-Sul.

Premissas consideradas

O estudo toma por referência para as projeções uma usina média representativa do Centro-Sul Tradicional, os estados de São Paulo e Paraná.  Essa "usina média" é resultado da equalização dos indicadores entre as unidades que compõem a amostra do Pecege. "Os custos são definidos pela média ponderada da pesquisa, fazendo um levantamento com cerca de 100 empresas e calculamos um custo unitário por tonelada de cana que representa uma usina média", explica Xavier.

No entanto, o pesquisador esclarece que há muita diferença de eficiência e de escala entre as usinas da amostra. "A maior empresa é 16 vezes maior do que a menor", exemplifica. Por esse motivo, as unidades que possuem os resultados mais díspares não são consideradas para o cálculo da "usina média". "Usinas [com capacidade de moagem] abaixo de um ou 1,5 milhão de toneladas, dependendo da localização, não são consideradas, assim como usinas maiores do que cinco milhões de toneladas de capacidade. Esse intervalo concentra 90% das empresas que coletamos", esclarece.

A partir dessa delimitação, a usina média considerada tem uma capacidade de moagem próxima a 2,4 milhões de toneladas de cana por safra e possui o mix típico da região.

Veja as outras premissas técnicas adotadas pelo estudo do Pecege:
- Produtividade média do canavial: 80 t/ha
- Qualidade de: 136,70 kg de ATR/t de cana
- Preço do ATR: R$ 0,4800/kg ATR
- Preço de arrendamento de 18,7 t/ha (com ATR padrão = 121,97 kg ATR/t cana)
- Custo de CCT (Corte, Carregamento e Transporte de Cana) : R$ 25,14/t
- Perdas industriais: 8,25%
- Taxa de utilização: 95,7% da capacidade industrial
- Mix de produção: 53,78% para etanol e 46,22% para açúcar
- Preço do açúcar VHP: R$ 41,25/saca
- Preço do etanol hidratado: R$ 1.275,00/m³

Amanda SchArr - NovaCana
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