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RenovaBio: StoneX revisa o programa em 2021 e traça perspectivas para o futuro

De acordo com relatório da consultoria, existem atualmente 31,9 milhões de créditos de carbono disponíveis no mercado

NovaCana 9 min de leitura

A StoneX divulgou, no último dia 15, um relatório contextualizando o segundo ano de atuação do RenovaBio. O documento também traçou perspectivas da agência para o próximo ano em relação ao programa e ao consumo de combustíveis do ciclo Otto, considerando o sucesso das campanhas de vacinação e retomada da mobilidade urbana.

Em setembro deste ano, as metas anuais de emissão de créditos de carbono (CBios) foram revisadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), para os anos de 2022 e 2031. Como explica a StoneX, isso ocorreu porque “a expectativa era que já houvesse CBios excedentes no mercado ao final de 2021”.

Assim, a meta para 2022 subiu cerca de 5% do volume previamente estipulado, totalizando 35,98 milhões de créditos. A consultoria aponta que, neste ano, houve um aumento significativo na geração de títulos pelas unidades produtoras. Em meados de setembro de 2021, o objetivo estipulado para o ano já havia sido batido em mais de 6 milhões CBios.

A StoneX explica que, mesmo de modo preliminar, as perspectivas para 2022 devem se manter positivas. Afinal, o ano vai começar com um grande volume excedente de créditos no mercado que deve ser mais do que suficiente para cumprir a meta revisada.

Confira na reportagem completa, exclusiva para assinantes, mais detalhes sobre os resultados do RenovaBio neste ano e perspectivas futuras da StoneX para o programa.

A StoneX divulgou, no último dia 15, um relatório contextualizando o segundo ano de atuação do RenovaBio. O documento também traçou perspectivas da agência para o próximo ano em relação ao programa e ao consumo de combustíveis do ciclo Otto, considerando o sucesso das campanhas de vacinação e retomada da mobilidade urbana.

Em setembro deste ano, as metas anuais de emissão de créditos de carbono (CBios) foram revisadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME), para os anos de 2022 e 2031. Como explica a StoneX, isso ocorreu porque “a expectativa era que já houvesse CBios excedentes no mercado ao final de 2021”.

Assim, a meta para 2022 subiu cerca de 5% do volume previamente estipulado, totalizando 35,98 milhões de créditos. A consultoria aponta que, neste ano, houve um aumento significativo na geração de títulos pelas unidades produtoras. Em meados de setembro de 2021, o objetivo estipulado para o ano já havia sido batido em mais de 6 milhões CBios.

stonex metas 201221

A StoneX explica que, mesmo de modo preliminar, as perspectivas para 2022 devem se manter positivas. Afinal, o ano vai começar com um grande volume excedente de créditos no mercado que deve ser mais do que suficiente para cumprir a meta revisada.

Tendências futuras para RenovaBio

A expectativa da StoneX é de que os produtores de etanol e biodiesel gerem ao menos 34,2 milhões de créditos de carbono em 2022. Para isso, foram adotadas algumas premissas, como o tempo de emissão de CBios em relação à comercialização do biocombustível e possível avanço no número de usinas certificadas ao longo do ano. Foram desconsiderados os fatores de importação de biocombustíveis e de estoques de 2021, que ainda podem gerar créditos se forem comercializados no próximo período.

Contando que 2021 encerre com 33,6 milhões de CBios no mercado, a consultoria espera que haja uma oferta adicional de 8,4 milhões de créditos já no início de 2022, resultando em uma  oferta total de 42,6 milhões de CBios.

stonex geracao 201221

A StoneX ainda prevê que, em 2022, 17,6 milhões de créditos seriam gerados pela produção de etanol hidratado e 12 milhões a partir do anidro. Ainda de acordo com a consultoria, estes números representariam um aumento anual de 14% e 12%, respectivamente.

Assim, o etanol seria responsável por 86,4% das emissões esperadas para 2022 – contra 87,8% em 2021.

A longo prazo, e levando em conta as discussões da COP26, a StoneX acredita que o RenovaBio assumiria um papel importante para alcançar as metas climáticas. Até 2030, o programa pretende gerar até 623,1 milhões de CBios, o que seria proporcional ao mesmo volume de toneladas de gás carbônico equivalente (CO2eq).

“O programa tem potencial para contribuir com 44,5% dos planos brasileiros firmados na COP26, caso o corte seja em cima do 3º Inventário Nacional [de emissões de gases do efeito estufa]”, aponta a StoneX.

Entretanto, a consultoria acredita que, a partir de 2026, o mercado de CBios começará a operar em déficit em relação as metas anuais atribuídas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A situação poderá levar a uma revisão das metas de descarbonização.

stonex crescimento 201221

“É evidente, portanto, que incentivos ao mercado de biocombustíveis terão de ser concedidos, de modo a viabilizar o alcance das metas agressivas do RenovaBio”, afirma a StoneX, completando que, estas inciativas poderiam se dar a partir de uma diversificação de matérias-primas certificadas para gerar os créditos de carbono, o que diminuiria a dependência do setor de etanol.

Consequentemente, a consultoria afirma ser provável que o preço dos créditos se valorize nos próximos anos, quando os superávits tenderão a ser menores.

Perspectivas o mercado de combustíveis no próximo ano

A StoneX explica que, em 2021, o consumo de combustíveis do ciclo Otto passou por um período de recuperação depois de um forte impacto causado pela pandemia de covid-19. A consultoria espera que a demanda total alcance 39,1 bilhões de litros, avanço de 5,4% ante 2020.

Considerando o incremento na mobilidade urbana e o sucesso da campanha de vacinação no Brasil, “a demanda por ciclo Otto poderia continuar se elevando em 2022”, declara a StoneX.

Entretanto, a entidade acredita que o ritmo de crescimento tende a ser mais modesto, considerando as incertezas do âmbito econômico, como preço atual da gasolina e etanol, assim como a alta taxa de câmbio que também afeta diretamente o preço do petróleo.

A StoneX considera ainda o desafiador cenário econômico brasileiro, com inflação elevada, expectativas deterioradas do PIB e incertezas políticas. Além disso, a procura por combustíveis também pode ser limitada devido ao menor poder de compra do consumidor final.

Levando em conta todos esses fatores, a StoneX estima que a demanda por combustíveis do ciclo Otto alcance 40,3 bilhões de litros no Centro-Sul em 2022, crescimento anual de 2,9%.

Em relação ao etanol, a consultoria espera que o biocombustível volte a assumir maior relevância na demanda em 2022, ainda que em níveis menores do que em anos anteriores, chegando a 23,5 bilhões de litros no Centro-Sul, aumento de 1,5% ante 2021.

Mesmo que as usinas mantenham a tendência do mix mais açucareiro, a StoneX enxerga que uma maior disponibilidade de cana-de-açúcar pode estimular a produção de etanol. A consultoria espera para a safra 2022/23 uma moagem de 565,1 milhões de toneladas, devido ao aumento da umidade. 

Processo de certificação

O relatório da StoneX afirma que, até o começo de novembro, cerca de 300 produtores ou importadores já estavam certificados no programa RenovaBio. Do total, 264 estão cadastradas para gerar CBios com base na fabricação de etanol hidratado e as 175 restantes para o anidro.

Ainda existem outras 11 produtoras em processo de regularização para emissão de créditos de carbono. A consultoria afirma que a tendência é que essas certificações continuem avançando em 2022, mantendo o ocorrido no final deste ano.

O documento também aponta que a região Centro-Sul permanece como principal região emissora dos créditos de carbono, com o estado de São Paulo sendo responsável por 42% de todas as certificações já aprovadas do programa.

Segundo dados preliminares, a consultoria estima que 78,9% da capacidade de produção de etanol hidratado e 81% de anidro estão aptas para gerar CBios. Ou seja, “aproximadamente quatro quintos do volume produzido de biocombustíveis nos últimos meses estava elegível para participação no RenovaBio”, destaca.

Negociações e remuneração de CBios em 2021

Ainda no início deste ano, agentes observaram o preço unitário dos créditos de carbono em “patamar arrefecido”, conforme a StoneX. Muito devido à expectativa de superávit no mercado de CBios, que foi confirmada tanto pela geração de créditos durante o ano, quanto pelas projeções realizadas pela própria consultoria.

Entretanto, no final de agosto, o preço médio começou a apresentar avanços expressivos alcançando, ainda no mês seguinte, o pico de R$ 48,83. “Tal comportamento se deu com reflexo da procura por CBios pelas distribuidoras, dado a proximidade com o fim do ano e, consequentemente, período limite para cumprimento da meta”, explica a consultoria.

Em relação à remuneração para os produtores, a StoneX informa que, considerando os volumes necessários de biocombustível para gerar um crédito de carbono, a receita média obtida permaneceu em níveis baixos no começo do ano, seguindo a tendência de aumento a partir de agosto.

A consultoria espera que, seguindo a progressão das metas do programa para os próximos anos, o mercado expandirá a busca pelos títulos, o que aumentará a remuneração aos produtores.

Paralelamente o programa ainda poderá favorecer economicamente o etanol frente a gasolina. No caso de as usinas repassarem parte do lucro advindo das vendas de CBios ao consumidor, o preço final do etanol será reduzido. Ao contrário, as distribuidoras poderão repassar suas despesas nos valores finais dos combustíveis fósseis. A StoneX acredita que este cenário tende a estimular o consumo de renováveis.

Notas de eficiência para o etanol em 2021

A Nota de Eficiência Energético-Ambiental (NEEA) das empresas aptas a emitir créditos de carbono a partir da venda de etanol anidro apresentou valor médio de 59,8 gramas de gás carbônico equivalente por megajoule (gCO2eq/MJ). Sendo assim, conforme a StoneX, são necessários 748,58 litros de etanol anidro para gerar cada CBio, na média.

Em relação ao hidratado, a NEEA média se manteve em 59,1 gCO2eq/MJ, com um crédito de carbono sendo emitido a cada 792,48 litros do biocombustível hidratado.

Já a nota média atrelada à produção de biodiesel aumentou cerca de 3,3% desde a última publicação da consultoria, estando agora em 68,2 gCO2eq/MJ. Assim, cada crédito emitido exige a fabricação de 442,5 litros de biodiesel.

Potencial do metano

De acordo com a consultoria, atualmente no Brasil existem apenas três empresas com certificação para geração de CBios por meio do biometano, com NEEA média de 77,38 gCO2eq/MJ.

O biometano é um gás obtido a partir do processamento do biogás, formado por resíduos orgânicos. Desta forma, a StoneX aponta que são valores altos, dada a menor intensidade de carbono deste combustível.

A consultoria acredita que, considerando seus altos níveis de NEEA e sua consequente sustentabilidade, é provável que o mercado observe um crescimento no consumo de biometano nos próximos anos. Da mesma forma, aumentando as empresas certificadas para geração de CBios por meio deste combustível.

“Tendo em vista que seu potencial ainda é pouco explorado, a expansão deste mercado deve contribuir com o alcance de metas do RenovaBio”, pontua a StoneX.

Giully Regina – NovaCana

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