Após quase seis meses remunerando mais que as exportações, as vendas internas de açúcar cristal perderam "fôlego" na semana passada e praticamente zeraram a vantagem que mantinham sobre as externas
Os preços externos do açúcar subiram na maior parte da semana passada, enquanto os valores no spot de São Paulo continuaram enfraquecidos. Nesse cenário, houve aproximação da paridade, com a vantagem do spot paulista sobre a exportação sendo de apenas 1,03 real/saca de 50 kg, a menor desde final de outubro/15.
De 21 a 24 de março, cálculos do Cepea mostram que as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram apenas 1,37% a mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 76,59/sc (com queda de 0,62% frente à da semana anterior), as cotações do contrato nº 11 da ICE Futures (Bolsa de Nova York), com vencimento em Maio/16, equivaleriam a R$ 75,56/sc (a média semanal deste contrato subiu 4,66%). Para esse cálculo, foram consideradas as médias semanais de US$ 52,67/t de fobização, de US$ 77,92/t de prêmio de qualidade (esta foi a quarta semana seguida de queda deste prêmio) e dólar a R$ 3,6415 (desvalorização de 0,97%).
O açúcar demerara chegou a ser negociado a 16 centavos de dólar por libra peso na semana passada na Bolsa de Nova York, patamar que não era observado desde o final de novembro/14. A valorização do Real em relação ao dólar pode ter influenciado esse cenário, já que, em alguma medida, limita o estímulo às exportações do açúcar brasileiro. As previsões de déficit de açúcar vêm se confirmando. Os principais players globais, como a Tailândia, China, Índia e União Europeia, devem produzir menos que na temporada 2014/15. Na quinta-feira, 24, especificamente, agentes realizaram lucros e os contratos futuros de açúcar demerara despencaram na Bolsa de Nova York – Maio/16 fechou o dia com forte queda de 5,03%, indo para 15,87 centavos de dólar por libra-peso.
De sexta-feira, 18, a quinta, 24, especificamente, o contrato nº 11 de açúcar demerara (Maio/16) da ICE Futures teve queda de 0,63%, fechando a 15,87 centavos de dólar por libra-peso no dia 24. Já em Londres (Euronext Liffe), o contrato de açúcar refinado com vencimento em Maio/16 subiu 0,8% de sexta a quinta, fechando a semana a US$ 454,40/tonelada.
No spot paulista, o ritmo das negociações segue estável, com poucos volumes mais expressivos sendo captados pelo Cepea. Na quinta-feira, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, mercado paulista, fechou a R$ 76,82/saca de 50 kg, com alta de 0,69% em relação ao valor da sexta-feira, 18.
O Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, referente ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150, que inclui vendas domésticas e para exportação, subiu ligeiro 0,07% na semana, fechando a quinta-feira a R$ 76,97/saca 50 kg.
No mercado atacadista do estado de São Paulo, o Indicador de Cristal Empacotado fechou a R$ 9,0018/saca de 5 kg na quinta, apresentando elevação de 0,77% sobre a sexta anterior. Já o açúcar refinado amorfo fechou a R$ 2,2078/saca de 1 kg, com queda de 0,53% no mesmo período.
Quanto ao mercado nordestino, a oferta segue restrita e a demanda, retraída. Compradores têm adquirido o produto apenas de forma pontual, na expectativa de que os preços caiam com a entrada do açúcar do Centro-Sul no mercado.
Com a safra 2015/16 na reta final, o Sindaçúcar de Alagoas divulgou que, até o dia 15 de março, foram processadas 15,6 milhões de toneladas de cana, 20,14% menos que no mesmo período do ciclo anterior, quando a quantidade ultrapassava 19 milhões de toneladas. Quanto à produção de açúcar, a queda nesse período chega a 27,4%.
No mercado de etanol, o Indicador semanal Cepea/Esalq do anidro combustível caiu 4,69% e o hidratado, 1,3% em relação à semana anterior. Frente ao açúcar cristal, que acumulou alta de 0,69% entre quinta e sexta-feira, cálculos do Cepea mostram que o açúcar remunerou 25,16% a mais que o anidro e 31,35% a mais que o hidratado.