Os futuros do açúcar demerara registraram o maior tombo para o mês de abril na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) nesta segunda-feira. Nem mesmo o dólar em franca depreciação ante o real foi capaz de estancar as perdas dos contratos. A avaliação é de que o movimento foi pautado por uma correção aos números da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC) - e, dado o tamanho da queda, espera-se que o ajuste já tenha terminado.
Na sexta-feira, o commitments apontou para um saldo comprado de 208 mil lotes na semana encerrada em 5 de abril, 16 mil lotes a menos na comparação com 29 de março. A expectativa, porém, era de um corte bem mais expressivo, uma vez que o período foi de recuo para o demerara. Sem a concretização dessa percepção, fundos se sentiram estimulados a liquidar as posições.
Sobram notícias baixistas, no entanto, mesmo para um mercado pós-correção. Além do desenrolar da safra no Centro-Sul do Brasil em ritmo consistente, a demanda anda enfraquecida no físico. "Os spreads - termômetros que mostram o quão preocupado está o mercado com a disponibilidade imediata do produto - indicam confiança de que haverá açúcar para todo mundo. Os spreads maio/julho, julho/outubro e outubro/março apresentam carrego de 6 a 8% ao ano em dólar, isto é, dá-se cada vez mais desconto para quem levar o produto agora", explicou o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, em relatório semanal.
No campo altista, apenas o câmbio. O dólar caiu abaixo dos R$ 3,50 em meio aos desdobramentos políticos no Brasil e pode evitar perdas maiores para o demerara. Ontem, a divisa fechou em R$ 3,4979 (-2,76%).
Graficamente, os futuros voltaram a ter suporte nos psicológicos 14 cents por libra-peso. Para cima, a resistência segue nos 14,50 cents/lb.

Maio caiu 54 pontos (3,68%) e terminou a segunda-feira em 14,15 cents/lb, com máxima no dia de 14,57 cents/lb (menos 12 pontos) e mínima de 14,12 cents/lb (menos 57 pontos). Julho recuou 49 pontos (3,29%) e encerrou em 14,39 cents/lb. O spread maio/julho variou de 19 para 24 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.


E hoje a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulga o último relatório quinzenal referente à safra 2015/16, a partir das 10h. A expectativa é de um processamento superior a 10 milhões de toneladas na segunda quinzena de março. Até a primeira metade do mês do passado, o Centro-Sul havia moído 603,6 milhões de toneladas (+6,4%).
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 75,66/saca (-0,55%). Em dólar, ficou em US$ 21,64 (+2,46%).

Conforme o centro de estudos, a oferta de açúcar cristal da nova safra 2016/17 se soma ao volume remanescente da temporada anterior, mas os preços no mercado spot paulista têm tido pequenas quedas. "O ritmo de negociação segue relativamente estável há cerca de três semanas, em nível melhor que o visto na primeira quinzena de março", destacou o Cepea em relatório semanal antecipado ao Broadcast Agro.
Quanto às paridades, de 4 a 8 de abril as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 13,98% mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 76,30/saca, as cotações do contrato maio na ICE Futures US equivaleriam a R$ 66,94/saca.