Milho

Milho

Relação entre preço de trigo e milho deve se manter, afirma presidente da OCB


Agência Estado - Publicado: 21 Set 2021 - 15:17

A paridade entre os preços do trigo e do milho no mercado nacional deve se manter, avalia o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas.

“É natural que o milho, atingindo R$ 90 por saca, seja atrativo para produtor investir no plantio do cereal. Mas a decisão de plantio não é muito matemática, não considera apenas rentabilidade”, disse Freitas durante o 28º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) nesta terça-feira.

Na avaliação de Freitas, a decisão da semeadura de milho ou trigo depende de variáveis como o plantio e o desenvolvimento da soja. “Se plantar agora para aproveitar esse preço, perde janela da soja. Se sair com (o plantio da) soja, dependendo do clima, a janela para plantio de milho safrinha pode ficar curta e o trigo pode ser uma alternativa interessante”, comentou.

Ele citou também que outro fator que pode estimular o plantio nacional de trigo é a necessidade de cereal para indústria de carnes, diante da queda na produção de milho e maior destinação de milho para produção de biocombustível.

“Temos casos de cooperativas no Brasil que, além da recepção de cereais, atuam na cadeia da carne, e incentivam o produtor a semear segunda ou terceira safa com trigo e até dão prêmio para isso”, disse Freitas. Ele citou o caso da Coopavel, que está concedendo seguro agrícola e zerando as taxas de fertilizantes e defensivos para produtores que expandem a área com trigo.

Também presente no evento, o consultor privado do mercado de trigo Pablo Maluenda apontou que as cotações dos cereais costumam ter a mesma direção pelo fato de serem substitutos na ração animal.

“No último ano, vimos que o uso de milho para etanol aumentou no mundo de 8% para 35%, o que subiu imediatamente os preços de milho e do trigo, consequentemente, em virtude de restar menos milho para alimentação animal”, comentou. Além disso, ambos competem o uso das terras agrícolas, o que mantém os preços em paridade, acrescentou Maluenda.

Na avaliação do consultor, os preços internacionais do trigo também seguirão influenciados no curto prazo, além da relação de competitividade com o milho, pela importação chinesa, exportações russas e norte-americanas no curto prazo. “Devemos estar preparados para oscilações bruscas nos preços dos próximos anos”, projetou.

Isadora Duarte