Os números divulgados ontem pela ANP sobre o consumo de combustíveis mostram que a crise brasileira afetou de forma significativa o comportamento do brasileiro no mês passado.
Pela primeira vez desde o ano 2000, quando os dados passaram a ser informados pelo governo, o consumo de gasolina e etanol (convertido em gasolina equivalente) em janeiro não apresenta um queda percentual tão expressiva, quando comparado com janeiro do ano anterior. No mês passado o consumo do ciclo Otto foi de 4,18 bilhões de litros, contra 4,73 bilhões de litros de janeiro de 2015, uma redução inédita de 11,78%.
Nos últimos 16 anos, apenas em quatro houve retração do consumo do ciclo Otto na comparação dos meses de janeiro de um ano para outro e, desde 2005 o consumo não apresenta queda no primeiro mês do ano.
Apesar da redução ter sido percentualmente significativa, em termos de volume, o total consumido ficou acima de 2013, mas abaixo do nível de 2014. Veja gráfico abaixo.

A expectativa do mercado era que o consumo total em 2016 ficasse em torno de 3% menor que no ano passado, caracterizando um quadro de recessão. Uma queda superior a 10% colocaria o mercado em depressão. No entanto, é interessante acompanhar o desenvolvimento do consumo nos próximos meses para termos a evolução do quadro. Se esta depressão continuar, reflexo da menor procura por combustíveis, o resultado é mais dificuldade para o etanol alcançar os patamares de consumo projetados.
Em relação ao etanol hidratado, a queda do consumo não foi expressiva. A redução foi de apenas 3,3%: 1,21 bilhão de litros este ano contra 1,25 de janeiro de 2015.
Esta queda é reflexo do aumento nos postos dos preços do etanol, que continuou intenso no mês de janeiro. Assim, houve uma ligeira redução na participação do etanol hidratado carburante na preferência do consumidor em relação à gasolina. No primeiro mês de 2016, 21% das vendas no Brasil foram de hidratado (veja gráfico abaixo).




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