Companhia teve um lucro líquido de R$ 26,59 milhões na safra, alta anual de 4,7%
Conseguir equilibrar as fontes de recursos, a geração de caixa e os investimentos é uma missão complexa. Na safra 2022/23, a sucroenergética Furlan precisou lidar com grandes mudanças nestes itens.
Ao longo da temporada, a empresa mais que dobrou o seu endividamento bruto com empréstimos e financiamentos, saindo dos R$ 107,62 milhões contabilizados ao final da temporada anterior para R$ 227,35 milhões.
Dentro deste montante, R$ 59,14 milhões se referem aos débitos com vencimento ao longo de 2023/24, alta de 13,3% ante a posição de curto prazo vista um ano antes. Assim, os R$ 168,22 milhões restantes correspondem às dívidas com vencimento em longo prazo, aumento anual de 203,4%.
Ao mesmo tempo, com uma geração de caixa maior, a Furlan registrou um incremento de apenas 0,1% na dívida líquida, para R$ 530,32 milhões.
Para completar, considerando uma alta no patrimônio líquido, a relação entre a dívida e este indicador caiu na comparação anual, de 1,58 vez em 31 de março de 2022 para 1,47 vez no resultado mais recente.
Saiba mais sobre o desempenho da Furlan na safra 2022/23 no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):
- Impacto do endividamento no resultado financeiro
- Evolução do lucro líquido
- Resultado operacional
- Relação entre receitas e custos
- Mudanças realizadas nas últimas cinco safras
Conseguir equilibrar as fontes de recursos, a geração de caixa e os investimentos é uma missão complexa. Na safra 2022/23, a sucroenergética Furlan precisou lidar com grandes mudanças nestes itens.
Ao longo da temporada, a empresa mais que dobrou o seu endividamento bruto com empréstimos e financiamentos, saindo dos R$ 107,62 milhões contabilizados ao final da temporada anterior para R$ 227,35 milhões.
Dentro deste montante, R$ 59,14 milhões se referem aos débitos com vencimento ao longo de 2023/24, alta de 13,3% ante a posição de curto prazo vista um ano antes. Assim, os R$ 168,22 milhões restantes correspondem às dívidas com vencimento em longo prazo, aumento anual de 203,4%.

Ao mesmo tempo, com uma geração de caixa maior, a Furlan registrou um incremento de apenas 0,1% na dívida líquida, para R$ 530,32 milhões.
Para completar, considerando uma alta no patrimônio líquido, a relação entre a dívida e este indicador caiu na comparação anual, de 1,58 vez em 31 de março de 2022 para 1,47 vez no resultado mais recente.
Isto, contudo, não impediu que o resultado anual da companhia fosse afetado por maiores despesas financeiras. Em 2022/23, os gastos com pagamentos de juros e tarifas somaram R$ 62,57 milhões, alta de 110,5% na comparação anual.

O valor foi apenas parcialmente minimizado pelas receitas financeiras de R$ 1,89 milhão, resultando em um prejuízo de R$ 60,69 milhões.
Resultados da safra
Apesar dos maiores gastos financeiros, a Furlan teve uma alta de 4,7% em seu resultado líquido, alcançando um lucro de R$ 26,59 milhões na temporada. Em grande parte, a variação positiva se deve à contabilização de um ganho de R$ 68,42 milhões nos efeitos fiscais diferidos.

Sob o ponto de vista operacional, entretanto, a empresa registrou uma baixa. Considerando apenas a receita líquida e os custos dos produtos vendidos, o lucro bruto da Furlan foi de R$ 57,38 milhões, queda de 5% em comparação com os R$ 60,42 milhões da temporada anterior.
Isto aconteceu porque, em 2022/23, os gastos da Furlan representaram o equivalente a 81,2% do faturamento – um ano antes, esta relação era um pouco melhor, de 80,4%. Este foi o pior desempenho desde os 85,9% vistos na safra 2019/20.

Ao longo da temporada, as receitas líquidas da companhia somaram R$ 305,68 milhões, queda de 1% em relação ao período anterior. O faturamento bruto, por sua vez, foi de R$ 326,59 milhões (-2,8%), sendo que as vendas de açúcar representaram a maior parte do total, com R$ 185,8 milhões (+7,9%).
Na sequência, a sucroenergética ainda contabilizou R$ 128,65 milhões com etanol (-16,9%); R$ 7,34 milhões com energia elétrica (+7,7%); e R$ 4,8 milhões com outros produtos, que não foram especificados na divulgação de resultados (+114,7%).
Por sua vez, os custos de produção da companhia permaneceram relativamente estáveis na comparação anual, totalizando R$ 248,3 milhões em 2022/23.

Mudanças estruturais
Os últimos anos foram marcados por uma reestruturação no grupo Furlan. Na safra 2018/19, a companhia arrendou aproximadamente 7,5 mil hectares de canaviais para a Raízen e a São Martinho pelo período de 21 anos.
Com isso, a companhia paralisou a usina Santa Bárbara, concentrando as operações na unidade Avaré. Inclusive, segundo a mais recente divulgação de resultados, parte dos recursos obtidos nesta negociação foi utilizada para investimentos na área industrial e agrícola da usina que permaneceu em atividade.
Além disso, a partir de abril de 2020, a Furlan passou a operar como agroindústria, reorganizando as atividades de diferentes companhias do grupo. “O plantio e cultivo de cana de açúcar, antes realizado pela Agro Nova Geração, passaram também a integrar as atividades realizadas pela Usina Furlan”, explica o documento. Desta forma, a usina passou a contabilizar os bens da Agro Nova Geração e da Agro Pecuária Furlan.
De acordo com o relatório de divulgação de resultados, desde 2021/22, a administração da Furlan está focada em ações e projetos para maximizar seu desempenho operacional, atuando também na readequação de sua estrutura de capital.
“A nova gestão profissionalizada está promovendo melhorias na governança, implementando ações de melhoria de produtividade no campo e indústria, reduzindo custos e despesas administrativos e operacionais, e executando ações de melhoria da liquidez e capitalização da companhia”, enumera o texto.
Renata Bossle – NovaCana