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Seguindo rebaixamento do Brasil, Moody’s diminui nota de captação da Raízen Energia

Moodys 120515Moody’s também diminuiu a nota soberana do Brasil e, consequentemente, de diversas companhias do país

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Seguindo um movimento similar ao realizado na semana passada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), a Moody’s também diminuiu a nota soberana do Brasil. Na mesma toada, rebaixou em dois níveis o rating de R$ 675 milhões em Cédulas de Produtor Rural Financeira (CPRFs) com vencimento em 2021 emitidos pela Raízen Energia e garantidos pela Raízen Combustíveis.

Veja a seguir as explicações e perspectivas da agência para a Raízen Energia.

Seguindo um movimento similar ao realizado na semana passada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), a Moody’s também diminuiu a nota soberana do Brasil e, consequentemente, de diversas companhias do país. Nesse caso, a classificação do Brasil caiu em dois degraus, indo de Baa3 para Ba2. Além disso, a perspectiva é negativa, o que indica que podem acontecer um novo rebaixamento em breve.

A agência também rebaixou em dois níveis o rating de R$ 675 milhões em Cédulas de Produtor Rural Financeira (CPRFs) com vencimento em 2021 emitidos pela Raízen Energia e garantidos pela Raízen Combustíveis. Nesse caso, a classificação foi de Baa3/Aaa.br para Ba1/Aa1.br.

Ao mesmo tempo, a Moody's também retirou os ratings de emissor em escala nacional da Raízen Energia. A perspectiva para os ratings é negativa. “A ação de rating segue o rebaixamento promovido pela Moody´s em 24 de fevereiro de 2016 dos ratings dos títulos de dívida do governo do Brasil”, confirma a agência em nota.

A Moody’s ainda observa que os ratings da Raízen continuam em um nível mais alto que o rating do título da dívida do Brasil. “O forte perfil financeiro e o modelo de negócios resiliente da empresa em relação ao cenário doméstico limita o impacto dos fracos fundamentos econômicos domésticos no perfil de crédito da empresa, apesar da concentração da receita e de ativos no Brasil”, justifica.

Além disso, a agência de classificação de risco observa que o negócio de produção de açúcar e álcool possui um forte elemento de exportação, sendo que aproximadamente 30% do Ebitda total da Raízen é em dólar, e a empresa se beneficia do controle da Shell Brazil Holdings BV (uma subsidiária 100% controlada pela Royal Dutch Shell Plc, com rating Aa1 em revisão para rebaixamento). Outra razão apontada na análise é que, apesar do capex de manutenção ser elevado e poder pressionar a geração de fluxo livre de caixa futura, a empresa tem flexibilidade para reduzir os pagamentos de dividendos para preservar seu perfil de liquidez.

“Os ratings da Raízen são suportados pelas boas métricas de crédito da empresa e sua posição sólida nos negócios de produção e distribuição de açúcar e etanol no Brasil”, afirma. Ainda assim, posteriormente, o relatório complementa que os ratings são limitados pela natureza volátil do negócio de açúcar e álcool, que representou 53% do Ebitda da empresa no ano safra 2014/15.

A agência de classificação de risco continua: “Apesar da Raízen possuir um percentual relativamente menor de cana de açúcar própria em comparação ao de seus competidores, o que possibilita que a empresa tenha menos volatilidade nas margens em anos de produtividade menor, a indústria de açúcar e etanol é altamente dependente de fatores externos, tais como condições climáticas, políticas e incentivos governamentais, que podem afetar significativamente os preços e impactar o desempenho financeiro da Raízen”.

Adicionalmente, a Moody’s demonstra preferência pelo segmento de distribuição, controlado pela Raízen Combustíveis. “Em nossa visão, enquanto as operações de açúcar e etanol proporcionam margens mais elevadas, embora mais voláteis, isolamento em relação ao consumo doméstico do país devido à sua natureza orientada à exportação e potencial para crescimento nos próximos anos, o segmento de distribuição de combustíveis é uma fonte estável de performance operacional e geração de caixa, mesmo com o mercado doméstico em desaceleração”, conclui.

Dessa forma, os ratings também consideram a existência de garantias cruzadas entre a Raízen Energia e a Raízen Combustíveis na maioria dos instrumentos de dívida emitidos e a filiação das companhias à Shell. Além do suporte da Shell, dado o benefício derivado da sua experiência gerencial, a Moody observa que considerou o apoio proporcionado por ambos acionistas – Shell e Cosan S.A. Indústria e Comércio (Ba2 estável) –, na forma de uma linha comprometida de US$ 500 milhões.

Antes de ser retirado, o rating de emissor da Raízen Combustíveis era de Baa3/Aaa.br. Por sua vez, a Raízen Energia possuía apenas a classificação nacional de Aaa.br, que também foi retirada. A relação de empresas que também sofreram rebaixamentos ainda inclui Braskem, Ultrapar, Fíbria e Ambev, além de 30 bancos e instituições financeiras.

Nacionalmente, a Moody’s rebaixou o rating da dívida sênior sem garantia do país para Ba2 de Baa3 e o shelf sênior sem garantia para (P)Ba2 de (P)Baa3. A perspectiva foi alterada para negativa. A agência de rating também alterou o teto da dívida do país para Ba1 de Baa2.

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