Etanol: Mercado: Gasolina

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Reajuste de preços da Petrobrás deve fazer gasolina subir 3,6% na bomba


O Globo - Publicado: 30 Set 2015 - 10:15

Com dificuldades de caixa e um nível elevado de endividamento, a Petrobras reajusta a partir desta quarta-feira o preço da gasolina na refinaria em 6%. O preço do diesel subirá 4%. A alta na refinaria deve ser repassada ao consumidor, com impactos na inflação deste e do próximo ano. De acordo com estimativa do Itaú Unibanco, o impacto dessa alta para o consumidor será de um reajuste de 3,6% no preço da gasolina na bomba.

Quem pagava R$ 3,60 pela gasolina comum, por exemplo, deve começar a desembolsar R$ 3,72 pelo litro do combustível. No caso do diesel, o litro deve subir 3,1% no posto. Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, deve sofrer um impacto de 0,14 ponto percentual.

Em tese, os combustíveis à venda nesta quarta-feira nos postos foram comprados ao preço antigo, então um aumento já hoje não se justificaria. Porém, os preços são livres e a decisão de mexer ou não nos valores cobrados do consumidor é do dono do posto. No ano até agosto, segundo o IPCA, o preço da gasolina já sobe 9,6%.

Com a disparada do dólar, os preços de gasolina e diesel no Brasil passaram a ficar mais baixos do que no mercado externo, mesmo num cenário de queda no preço do petróleo no mercado internacional. Segundo fontes, o reajuste era considerado essencial para a companhia no momento.

“Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS”, informou o comunicado da estatal.

Impacto na inflação

Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas André Braz, em entrevista para a Reuters, o impacto na inflação do reajuste da gasolina será de 0,15 ponto percentual no IPCA de outubro. Na bomba de combustível, o aumento da gasolina ficará em torno de 4 por cento. Já no diesel, o impacto inflacionário é muito pequeno em um primeiro momento, com o mesmo raciocínio valendo para os preços na bomba.

O último reajuste feito pela Petrobras foi anunciado em novembro de 2014, quando a gasolina subiu 3% e o diesel teve aumento de 5%. Naquela época, o impacto na bomba para o consumidor do Rio ficou em torno de 2% para a gasolina e de 3,5% para o diesel.

Em abril deste ano, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, declarou em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que não previa aumento de combustível, ao menos a curto prazo. Acrescentou ainda que, do ponto de vista do preço na bomba, o preço da gasolina no país era justo, “preço de mercado”.

O aumento nos preços da gasolina e do diesel deve pressionar ainda mais a inflação, que, de acordo com analistas ouvidos pela pesquisa Focus, do Banco Central, deve encerrar este ano com alta de 9,46%, bem acima do teto da meta fixada pelo governo, que é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos percentuais. A previsão do mercado para a inflação no próximo ano é de 5,87%.

Neste ano, a gasolina já subiu 9,65% para o consumidor, segundo dados do IBGE.

No início do mês, a Petrobras já havia reajustado o valor do botijão de 13 quilos de uso residencial em 15%. Na semana passada, a companhia aumentou os preços do gás para uso comercial e industrial em 11%.

Reajuste pode elevar IPCA em 0,24 ponto

De acordo com informações apuradas pelo Valor Econômico, o impacto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) será pequeno. Se todo ele for repassado ao consumidor (o aumento anunciado pela Petrobras é aplicado nas refinarias), pode elevar o índice em 0,24 ponto percentual ao longo de 30 dias e deve entrar boa parte na inflação de outubro.

A gasolina tem um peso de 3,84 pontos percentuais na formação do IPCA. O peso do diesel, reajustado em 4%, é bem menor - 0,15 ponto - e seu repasse ao consumidor aparece mais tarde, via aumento indireto dos preços.

O consumidor já havia arcado com um aumento de preços de combustíveis no início do ano, em razão do repasse do aumento de impostos decretado pelo governo federal no dia 19 de janeiro. Foram restabelecidos PIS/Cofins e a Cide para equilibrar as contas do governo.

Vale observar que o impacto do reajuste da gasolina para o consumidor é sempre relativo, porque a concorrência entre os postos e o preço do etanol também influenciam o aumento na bomba.

Em 7 novembro de 2014, por exemplo, o aumento na gasolina na refinaria foi de 3%. Naquela ocasião, o combustível subiu 1,99% em novembro e mais 0,61% em dezembro, medido pelo IPCA. O aumento na bomba, portanto, ficou abaixo do reajuste nas refinarias.

Já o aumento de 4% do diesel concedido agora terá um impacto muito pequeno no IPCA, pois, proporcionalmente, o combustível é muito menos usado em veículos familiares.

O diesel reflete mais nos Índices Gerais de Preços (IGPs) porque influencia preços de transportes (frete), de energia (térmicas) e outros. Esse preço tem impacto em outras cadeias, mas o reflexo nos transportes públicos, por exemplo, deve vir no começo de 2016, época em que se concentram aumentos de passagens de ônibus.

Ramona Ordoñez
Com informações adicionais da Reuters e do Valor Econômico