Volume total comercializado no primeiro semestre é 17,2% inferior ao visto de janeiro a junho de 2017
O superávit global de açúcar – que deve ser de aproximadamente 11,4 milhões de toneladas na safra 2017/18 (outubro a setembro) – já deixou sua marca na quantia do adoçante exportado pelo Brasil. Os volumes despachados por porão de navio no primeiro semestre de 2018 foram 17,19% menores que os vistos no mesmo período do ano passado, segundo dados da agência marítima Williams.
Nos primeiros seis meses de 2018, 8,45 milhões de toneladas foram exportadas, enquanto no ano anterior o montante foi de 10,21 milhões de toneladas. Esse é o menor valor desde 2012, quando foram exportadas 7,1 milhões de toneladas de açúcar.
Neste panorama, a principal compradora do adoçante brasileiro foi a empresa Wilmar, que, sozinha, adquiriu 20,7% do volume total exportado pelo Brasil.

Confira, na versão completa:
- Ranking das 20 maiores compradoras de açúcar brasileiro no semestre
- Volumes mensais das 10 maiores compradoras
- Evolução das cinco maiores compradoras
- Principais destinos do açúcar brasileiro – total e por compradora
- Histórico de envios de açúcar pelo Brasil
- Volumes exportados por porto
O superávit global de açúcar – que deve ser de aproximadamente 11,4 milhões de toneladas na safra 2017/18 (outubro a setembro) – já deixou sua marca na quantia do adoçante exportado pelo Brasil. Os volumes despachados por porão de navio no primeiro semestre de 2018 foram 17,19% menores que os vistos no mesmo período do ano passado, segundo dados da agência marítima Williams.
Nos primeiros seis meses de 2018, 8,45 milhões de toneladas foram exportadas, enquanto no ano anterior o montante foi de 10,21 milhões de toneladas. Esse é o menor valor desde 2012, quando foram exportadas 7,1 milhões de toneladas de açúcar.

A metodologia da Williams, que acompanha os portos brasileiros, é diferente da adotada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), que considera exportações de açúcar bruto e refinado por todos os modais. Assim, o ministério computou 9,79 milhões de toneladas no 1º semestre de 2018, uma queda de 23,4% em relação às 12,78 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.
Os maiores compradores
No semestre, a principal compradora do adoçante brasileiro foi a empresa Wilmar, que está no ramo do açúcar desde 2010 e adquiriu 1,75 milhões de toneladas – 29,39% a menos que no mesmo período do ano passado (2,48 milhões de toneladas). Sozinha, a companhia adquiriu 20,7% do volume total exportado pelo Brasil, pouco menos que os 24,28% do primeiro semestre do ano passado.
A segunda colocada é a trading francesa Sucden, líder mundial no comércio de soft commodities. A companhia comprou 1,41 milhão de toneladas de açúcar, correspondentes a 16,71% do total exportado pelo Brasil e 39,6% a mais que as 1,01 milhão de toneladas obtidas no primeiro semestre de 2017.
Com esse volume, a companhia passou à frente da Alvean, que estava em segundo nos primeiros seis meses de 2017. Em 2018, a empresa adquiriu 1,34 milhão de toneladas – 15,88% do total exportado pelo país e 26,83% a menos que no ano anterior. A joint venture da Cargill e da Copersucar, existente desde 2014 e que possui base em Genebra, havia adquirido 1,84 milhão de toneladas no primeiro semestre de 2017.
Juntas, Wilmar, Sucden e Alvean – as únicas três companhias a ultrapassarem 1 milhão de toneladas de açúcar importadas no semestre – adquiriram 4,5 milhões de toneladas ou 53,3% do volume exportado nacionalmente no período.

Considerando os resultados anuais, Wilmar, Alvean e Sudcen ocupam as três primeiras posições – nessa ordem – desde 2015.
O quarto lugar no ranking é da Louis Dreyfus, empresa que comercializa açúcar e etanol desde o fim dos anos 1980 e adquiriu o montante de 724,73 mil toneladas. No mesmo período do ano passado, ela estava em sexto lugar no ranking, com 571,35 mil toneladas, resultando em um aumento de 26,85% entre os primeiros semestres de 2017 e 2018.

Com um volume de 542,5 mil toneladas, a Nolis subiu para quinto lugar; em 2017, a companhia estava em sétimo. Em contrapartida, o volume era maior, 557,1 mil toneladas, ou seja, houve uma queda de 2,63% em 2018.
A empresa ganhou posições mesmo com a menor quantidade de açúcar, pois Ed&F Man e Bunge reduziram consideravelmente suas compras no comparativo. As empresas registraram retrações de 66,36% e 49,05%, respectivamente.
Quem também apresentou uma diminuição – ainda que não tão expressiva – no volume comprado foi a Copa Shipping, empresa existente desde 2011 e com sedes em São Paulo e Dubai. A companhia adquiriu 514,91 mil toneladas de açúcar no primeiro semestre de 2018, 6,56% a menos que as 551,06 mil toneladas de 2017.
Cofco e Redpath, por sua vez, registraram crescimentos de 281,64% e 285,06% ao comprarem 225,93 mil e 215,65 mil toneladas de açúcar, respectivamente.

O NovaCana também já analisou quais foram os grupos sucroenergéticos que mais exportaram nesse período. O ranking completo está disponível aqui.
Principais destinos
Embora não tenham sido divulgadas informações sobre o destino do açúcar da maior compradora do ranking – a Wilmar –, a Sucden tem 1,41 milhão de toneladas distribuídos entre 16 principais destinos – 155,8 mil toneladas foram para a Argélia e 134,96 mil para a Nigéria, mas um volume de 178,33 mil toneladas não possui informações de destino.
A terceira no ranking dos compradores, a Alvean, vendeu principalmente para o Iraque, 440,63 mil toneladas, sendo que outras 305,18 mil toneladas foram para a Arábia Saudita. No total, são 13 destinos diferentes, incluindo países como Egito, Índia e Marrocos.
Já a Louis Dreyfus vende açúcar brasileiro principalmente para a Malásia (84,5 mil t) e Somália (50 mil t). A maior parte do montante – 470,2 mil toneladas – não teve informações divulgadas. Já a Nolis comercializou 497,01 mil toneladas de açúcar para a Argélia.

De maneira geral, o principal destino do açúcar brasileiro exportado por porão de navio no semestre foi a Argélia (824,82 mil t), seguida do Iraque (428,78 mil t). Depois, Nigéria, Canadá, Arábia Saudita e Venezuela receberam volumes de 461,4 mil, 422,18 mil, 305,18 mil e 304,26 mil toneladas respectivamente.
Contudo, a Williams não informa os destinos de 3,49 milhões de toneladas em seus relatórios.

Portos de saída
O açúcar brasileiro sai por cinco principais portos, os quais a Williams acompanha: Santos, Paranaguá, Maceió, Recife e Suape – sendo que, de janeiro a junho de 2018, não há registro de volumes despachados pelo último. A opção paulista continua sendo a maior porta de escoamento do adoçante, com 77,98%, ou um volume de 6,59 milhões de toneladas; em 2017, o volume que saiu por Santos foi de 7,8 milhões de toneladas.

Por Paranaguá, foram despachadas 1,3 milhão de toneladas, o equivalente a 15,33% do total. No ano passado, considerando o primeiro semestre, o montante foi de 1,61 milhão de toneladas.
Além disso, neste ano, Maceió e Recife foram responsáveis por 490,67 mil e 75,59 mil toneladas de açúcar exportadas, respectivamente.
NovaCana DATA
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana