Os maiores grupos sucroenergéticos são os que mais se destacam na geração de energia elétrica
Enquanto a estiagem que atingiu o Centro-Sul nos primeiros meses da safra 2018/19 pode ter influenciado negativamente a produção total de cana-de-açúcar e até reduzido o tempo de colheita, ela foi positiva para a cogeração de energia das usinas, que produzem eletricidade por meio da queima do bagaço.
As empresas que possuem capacidade de cogeração conseguem aproveitar melhor este momento adverso para o setor e alcançar resultados interessantes ao fim da temporada, com fluxo de caixa positivo mesmo em um cenário de cautela. Isso acontece porque, conforme explica o sócio-fundador da FG/A Juliano Merlotto, além da geração de eletricidade para a própria unidade, o processo transforma um resíduo em uma receita adicional, o que ajuda a diluir os custos das usinas.
No primeiro semestre de 2018, dos 15 principais grupos sucroenergéticos em geração de energia com a cana-de-açúcar, 13 produziram mais do que no mesmo período de 2017. Esse dado demonstra uma melhora em relação ao ano passado quando, dos mesmos 15 principais grupos, oito tiveram quedas na comparação com o mesmo período de 2016.
O resultado dos grupos reflete o incremento na produção de energia em 2018.
Os maiores – e mais capitalizados – grupos sucroenergéticos com atuação no Brasil também tendem a ser os que mais se destacam na geração de energia elétrica.

Confira, na versão completa, gráficos e tabelas com:
- Os grupos que mais cogeraram no período
- As principais usinas da cogeração brasileira
- Os estados que se destacaram
- O histórico dos últimos cinco anos de cogeração no país
Enquanto a estiagem que atingiu o Centro-Sul nos primeiros meses da safra 2018/19 pode ter influenciado negativamente a produção total de cana-de-açúcar e até reduzido o tempo de colheita, ela foi positiva para a cogeração de energia das usinas, que produzem eletricidade por meio da queima do bagaço.
As empresas que possuem capacidade de cogeração conseguem aproveitar melhor este momento adverso para o setor e alcançar resultados interessantes ao fim da temporada, com fluxo de caixa positivo mesmo em um cenário de cautela. Isso acontece porque, conforme explica o sócio-fundador da FG/A Juliano Merlotto, além da geração de eletricidade para a própria unidade, o processo transforma um resíduo em uma receita adicional, o que ajuda a diluir os custos das usinas.
No primeiro semestre de 2018, dos 15 principais grupos sucroenergéticos em geração de energia com a cana-de-açúcar, 13 produziram mais do que no mesmo período de 2017. Apenas os grupos Pedra Agroindustrial e CerradinhoBio tiveram quedas de, respectivamente, 7,5% e 20,8% na comparação.
Esse dado demonstra uma melhora em relação a 2017 quando, dos mesmos 15 principais grupos, oito tiveram quedas na comparação com o ano anterior. Além disso, os que tiveram crescimento no ano passado não foram expressivos – com exceção da CerradinhoBio, com 101,5%, e da Delta Sucroenergia, com 98,9%.

Os maiores grupos sucroenergéticos com atuação no Brasil também tendem a ser os que mais se destacam na geração de energia elétrica. A Raízen, maior exportadora de açúcar do mundo, ocupa a liderança do setor na cogeração com 890,9 GWh no semestre, um crescimento de 26,3% em relação ao mesmo período do ano passado, 705,3 GWh.
A companhia esteve na primeira posição nos últimos cinco anos, sempre seguida pela Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial) que, neste semestre, cogerou 702,4 GWh, 4,6% a mais do que os 671,7 GWh do mesmo período de 2017.
Já a CerradinhoBio, que aparece em 12º dentre os principais grupos, abrange a usina que gerou a maior quantidade de energia entre janeiro e junho deste ano. A Porto das Águas foi responsável pelos 190,4 GWh cogerados pela companhia até então. O valor é 20,8% menor que os 240,4 GWh do mesmo período de 2017, mas ainda é 27,4% maior do que a segunda colocada: a usina Matriz, da Delta Sucroenergia, que gerou 149,4 GWh no período.

As usinas que mais aumentaram sua produção entre o primeiro semestre dos dois últimos anos foram a Unidade da Barra, da Raízen, com 55%, e a Narandiba, do grupo Cocal, com 52,5%.
De qualquer modo, a presença estratégica da bioeletricidade é maior em alguns grupos e isso fica evidente nos resultados. Dentre as 50 usinas que mais produziram energia no primeiro semestre de 2018, seis são da Raízen – que possui 15 unidades na relação completa – e seis são da Atvos – sendo que são nove as unidades do grupo que cogeraram no período.
Logo após vem a Biosev, com quatro usinas, seguida da Tereos Internacional e da São Martinho, com três usinas cada. Esses cinco grupos são os que mais produziram energia por meio do bagaço da cana-de-açúcar no primeiro semestre de 2018.
Ainda assim, o destaque fica por conta do grupo Alto Alegre, que aumentou sua produção de energia em 56% entre os primeiros semestres de 2017 e 2018, passando de 105,1 GWh para 164 GWh. A unidade que mais gerou foi a Santo Inácio, que ficou em 50ª dentre as principais do ano até então, sendo que estava em 76ª no mesmo período do ano passado.
Outros grupos que tiveram grandes aumentos entre janeiro de julho de 2018, comparando com 2017, foram Zilor, com 27,3% a mais – de 132 GWh para 168,1 GWh –, e BP Biocombustíveis, com 26,7% a mais – de 174,4 GWh para 220,9 GWh.

Crescimento na produção brasileira
O resultado dos 15 principais grupos reflete o incremento na produção de energia em 2018.
O começo acelerado de safra e a concentração de fibras na cana – também influência do clima seco – fizeram com que a produção de bioeletricidade nos primeiros seis meses do ano fosse maior do que a vista nos últimos cinco anos, o que pode representar um ânimo para o setor em meio a um contexto de baixos preços de açúcar.
A produção de energia até agora, segundo uma projeção feita por Merlotto, da FG/A, demonstra que as usinas que estão investindo na cogeração poderão terminar o ano com fluxo de caixa positivo.
“Cada companhia tem suas características, mas [essas projeções] servem para mostrar a importância que os grandes grupos já estão enxergando [na cogeração]”, acrescenta Merlotto, que complementa: “Achamos que hoje, no setor, quem não tiver cogeração – e uma boa cogeração, com eficiência – pode ficar de fora do jogo. Ainda mais em um mundo em que o etanol é uma dúvida e depende do governo, e o açúcar continua subsidiado fora do Brasil”.
Conforme observado, desde 2014 a geração de eletricidade pelas usinas está mantendo um ritmo de crescimento constante. A exceção entre o primeiro semestre dos anos analisados foi 2017, quando a produção teve uma queda de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Considerando a geração do primeiro semestre deste ano, as usinas de cana-de-açúcar totalizaram 8,17 TWh. O crescimento em relação a 2017 – quando foram gerados 7,35 TWh de janeiro a junho – é similar ao dos anos anteriores. Isso indica que, excluindo-se a queda no ano passado, o setor está conseguindo manter uma taxa de crescimento estável, uma vez que o aumento da cogeração entre o mesmo período de 2014 e 2015 foi de 9,8% e de 2015 e 2016 foi de 10,1%.

A queda de 2017, aliás, ocorreu devido a motivos como a descontratação de energia por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a baixa viabilidade de alguns projetos de usinas de cogeração e até a elevada judicialização no Mercado de Curto Prazo (MCP) devido a liminares concedidas a hidrelétricas que estão protegidas contra o chamado risco hidrológico do sistema.
Em 2018, o cenário parece estar se revertendo e a produção de energia nos primeiros seis meses já superou em 11,2% a do mesmo período do ano passado. O destaque fica para os meses de maio e junho, que foram os maiores dos últimos cinco anos com crescimentos anuais de, respectivamente, 9,9% e 8,8%.

A liderança paulista
Entre os estados, São Paulo mantém a liderança dos últimos quatro anos na geração, com 4,3 TWh durante o período. O número representa um crescimento de 10% em relação ao resultado do primeiro semestre de 2017 – 3,9 TWh – e um valor 256,5% maior do que o resultado de Mato Grosso do Sul, o segundo colocado, com 1,2 TWh.
O estado sul-mato-grossense, inclusive, foi o que teve o menor crescimento dentre os principais produtores de energia por meio do bagaço da cana neste ano: 2,2%. Já o Paraná teve o maior crescimento na comparação entre os primeiros semestres, com 49,2% a mais em 2018, especialmente graças ao melhor desempenho das usinas do grupo Alto Alegre.

São Paulo, Goiás, Paraná e Alagoas tiveram queda na cogeração de energia no primeiro semestre de 2017, o que se refletiu no resultado do ano. Por outro lado, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul têm apresentado um crescimento estável nos últimos quatro anos. O único que diferencia da tendência é Alagoas, que teve seu destaque em cogeração em 2015 e, desde então, só subiu novamente em 2018.
A listagem completa das usinas de cana-de-açúcar que registraram geração de energia elétrica, assim como os dados agrupados por grupos, estados e totais, estão disponíveis em uma planilha interativa na plataforma NovaCana DATA.
Rafaella Coury – NovaCana