A produtora de açúcar e etanol Raízen informou que selecionou a Rothschild & Co como assessora financeira, bem como os escritórios Pinheiro Neto Advogados e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP como assessores legais, segundo fato relevante divulgado na noite desta segunda-feira, 9.
“Os referidos assessores, em conjunto com a administração da companhia, iniciaram a avaliação de alternativas econômico-financeiras preliminares, em caráter exploratório, em linha com as melhores práticas de governança e de mercado”, disse a Raízem no fato relevante.
A companhia acrescentou que “tais avaliações não implicam, até o momento, na celebração de compromisso vinculante relacionado a eventual transação ou operação específica”.
O objetivo da escolha dos escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb como assessores foi para fortalecer a liquidez da companhia, que tenta reverter sua situação financeira, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto à Reuters na segunda-feira, antes do anúncio oficial.
A Raízen, uma joint venture entre o conglomerado brasileiro Cosan e a petrolífera Shell, registrou uma série de pesadas perdas trimestrais e acumulou altos níveis de dívida líquida.
Em novembro passado, a empresa reportou um prejuízo líquido de mais de R$ 2,3 bilhões para o segundo trimestre da safra de açúcar 2025/26, enquanto a dívida líquida para os seis meses encerrados em 30 de setembro atingiu R$ 53,4 bilhões.
As fontes falaram depois que a Raízen confirmou anteriormente em um documento regulatório que estava contratando consultores com o objetivo de fortalecer sua posição de liquidez e otimizar sua estrutura de capital, acrescentando que os esforços preliminares não representam nenhuma transação potencial acordada.
“Os resultados recentes mostram que a estrutura de capital não é sustentável”, disse uma das pessoas, embora tenha acrescentado que a empresa ainda tem algum tempo para tentar reverter a situação.
As agências de classificação de risco Fitch e S&P Global reduziram suas notas para a Raízen para B e CCC+, respectivamente, após a notícia de que a empresa havia contratado consultores.
“A contratação de consultores financeiros indica a alta probabilidade de reestruturação da dívida, após os sinais de enfraquecimento da capitalização e das vendas de ativos anteriormente esperadas”, disse a S&P em comunicado que acompanhou sua decisão.
A Raízen já havia anunciado uma série de desinvestimentos, na tentativa de controlar sua dívida, enquanto os proprietários Cosan e Shell avaliaram opções para injetar mais capital na fabricante de açúcar e etanol em dificuldades, incluindo a possibilidade de trazer novos investidores.
A Raízen deve divulgar seus resultados financeiros para o terceiro trimestre da safra de açúcar 2025/26 ainda nesta semana.
Igor Sodre, Luciana Magalhaes e Oliver Griffin
Com edição NovaCana