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Raízen busca produzir etanol celulósico com custo do convencional

mizuti raizen 291113Segundo Pedro Mizutani, da Raízen, com nova unidade será possível produzir mais etanol sem aumentar área de cana
Valor Econômico 4 min de leitura
Maior produtora de açúcar e etanol do país, a Raízen Energia começou ontem oficialmente a construção de sua primeira planta de etanol de segunda geração em escala comercial. A unidade, que será construída em Piracicaba (SP), vai converter a celulose do bagaço da cana em açúcares para fabricar etanol. O desafio do projeto, que terá investimentos de R$ 230 milhões, é conseguir, em dois anos, igualar o custo do produto de segunda geração ao registrado na produção convencional do biocombustível.

O custo total do etanol celulósico obtido na escala de demonstração foi de R$ 1,50 por litro, segundo o vice-presidente da Raízen Energia, Pedro Mizutani. A meta da companhia, controlada pela Cosan e pela Shell, é reduzir esse valor para o patamar médio de R$ 1,10 por litro, que é o custo total do etanol convencional, ou de primeira geração, afirmou o executivo ao Valor.

Se o objetivo for alcançado, o que depende de ajustes tecnológicos já em andamento, segundo ele, - a companhia vai expandir os investimentos nessa área. O plano é implantar outras sete unidades de etanol celulósico até 2024, o que vai significar à companhia uma produção adicional de etanol de 1 bilhão de litros - nesta safra 2013/14, a produção total de etanol da Raízen deve ser de 2,3 bilhões de litros.

O modelo adotado em outras sete unidades deve ser semelhante ao dessa primeira planta: a unidade será erguida ao lado de uma usina convencional já existente - no caso, a Usina Costa Pinto, em Piracicaba. Com isso, a companhia pretende capturar sinergias operacionais. "O que vamos construir, basicamente, é o pré-tratamento da celulose [extração de açúcares]. Daí em diante, os equipamentos usados serão os mesmos da usina convencional", afirma.

O diferencial de integrar as duas tecnologias, explica o executivo, está na possibilidade de aumentar a produção de etanol sem ter de aumentar a área de cana-de-açúcar. "Não precisaremos investir em ampliação de plantio de cana, conseguiremos racionalizar o uso da terra", diz.

A usina Costa Pinto produz atualmente em torno de 220 milhões de litros de etanol. Com a unidade de segunda geração, esse volume vai aumentar 40 milhões, para 260 milhões de litros. Mizutani observa que na próxima safra, 2014/15, a produção adicional da Costa Pinto será de 20 milhões de litros, uma vez que a operação da nova planta somente se dará a partir de outubro do ano que vem. Em 2015/16, no entanto, toda a capacidade da unidade deve ser utilizada, segundo o executivo.

Do investimento total de R$ 230 milhões nessa unidade, R$ 207 milhões virão de financiamento de linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pertencentes ao PAISS, um plano conjunto com a Finep de apoio à inovação tecnológica a partir da cana-de-açúcar.

Em parceria com a empresa canadense Iogen Corporation, a Raízen mantém desde 2012 uma planta-teste de etanol celulósico na cidade de Ottawa, no Canadá. Até o momento, a companhia já enviou mais de mil toneladas de bagaço de cana para o Canadá. "A tecnologia de produção de etanol celulósico é conhecida, em nível de laboratório, há mais de 20 anos. O desafio será trazê-la com sucesso para um ambiente de escala comercial", afirma Mizutani.

O fornecimento de enzimas - substância usadas para "quebrar" a celulose do bagaço - será feito com exclusividade pela dinamarquesa Novozymes, que prevê inclusive a construção de uma fábrica no Brasil para atender clientes de peso como a Raízen e a GranBio, que no próximo ano também deve colocar em operação uma planta de etanol celulósico.

A Raízen tem 24 usinas de cana no país e, em 2013/14, deve processar, diz Mizutani, cerca de 62 milhões de toneladas de cana, perto do limite máximo do guidance dado pela Cosan para a temporada - entre 59 milhões e 62 milhões de toneladas.

Fabiana Batista

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