A Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 1,84 bilhão no primeiro trimestre da safra 2025/26, após registrar lucro de R$ 1,06 bilhão no mesmo período da safra anterior (2024/25), com impacto de deterioração no desempenho operacional do período.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 23,4% nos primeiros três meses da safra 2025/26 em relação à mesma etapa do ano safra anterior, totalizando R$ 1,89 bilhão, abaixo da expectativa média de analistas de R$ 2,16 bilhões, segundo pesquisa da LSEG.
Analistas também esperavam um prejuízo menor, de R$ 884,7 milhões, de acordo com média das estimativas reunidas pela LSEG.

A empresa destacou ainda que a base de comparação do primeiro trimestre da safra 2024/25 contemplou o reconhecimento de R$ 1,8 bilhão em créditos tributários.
Na parte operacional, a companhia confirmou a retração de 20,7% na moagem de cana-de-açúcar, para 24,5 milhões de toneladas. Conforme a Raízen, o rendimento dos canaviais teve recuo de 10,9%, para 78,4 toneladas de cana por hectare, e o teor de açúcar total recuperável (ATR) caiu 2,7%, indo a 120,8 kg/t.
“O início da safra 2025/26 foi pressionado por fatores negativos, que afetam o desenvolvimento e a produtividade dos canaviais da Raízen e do setor, e uma entressafra com volume de chuvas abaixo da média histórica”, aponta a Raízen em relatório. “Além disso, a maior incidência de chuvas neste trimestre resultou em ritmo mais lento de moagem e menor concentração de ATR”, completa.
Com isso, a produção de açúcar diminuiu 21,5% na comparação anual, para 1,45 milhão de toneladas, enquanto o etanol teve recuo de 26,7%, com 812 milhões de litros. Já a produção de etanol de segunda geração (E2G) subiu 40,7%, para 22,8 milhões de litros.

A Raízen ainda atribuiu a redução na performance ao desempenho inferior no segmento de distribuição de combustíveis na Argentina, “pontualmente impactado pela parada para manutenção da refinaria, mais extensa que o previsto, e por efeitos negativos de inventário”.
Segundo a companhia, esses efeitos foram parcialmente compensados pelo melhor desempenho no segmento de distribuição de combustíveis no Brasil e pelos ganhos de eficiência obtidos com a revisão das estruturas organizacionais e gestão de gastos da Raízen, que levaram à queda de quase 20% nas despesas gerais e administrativas, desconsiderando provisão não recorrente.

No mês passado, a Raízen anunciou a venda de 55 usinas de geração distribuída de energia para a Thopen Energia e Grupo Gera e a decisão de descontinuar operações da usina Santa Elisa, em São Paulo, por tempo indeterminado como parte de sua estratégia de reciclagem de portfólio.
“Iniciamos um novo ciclo nesta safra, sustentado em quatro pilares: simplificação do portfólio, foco no core business, eficiência operacional e fortalecimento da estrutura de capital”, afirmou a empresa em mensagem que acompanha o balanço.
A receita líquida da maior produtora global de açúcar e de etanol de cana somou R$ 54,2 bilhões no período, recuo de 6,1% na base anual, mas levemente acima do esperado no mercado, de R$ 50,2 bilhões.
Ao final do trimestre, a posição da dívida líquida era de R$ 49,22 bilhões, alta de 55,8% na comparação anual e de 43,6% ante o encerramento da safra 2024/25. A alavancagem da companhia, por sua vez, estava em um patamar de 4,5 vezes em 30 de junho, contra 2,3 vezes um ano antes e 3,2 vezes ao final da safra passada.

“O aumento reflete a menor geração de resultado operacional e a sazonalidade usual do início do ano-safra, período em que a necessidade de caixa é mais elevada”, justifica a Raízen, que segue: “Além disso, substituímos R$ 8,9 bilhões em linhas de capital de giro de curto prazo – principalmente ligadas a operações de convênios com fornecedores (risco sacado) – por instrumentos de dívida mais eficientes e de prazos mais longos”.
Patricia Vilas Boas
Com informações adicionais NovaCana