Atualização (27/05, às 7h25): A capacidade atual de produção de E2G foi alterada para 112 milhões de litros, em vez de 124 milhões; e a perspectiva para 2025/26 foi mudada para 440 milhões de litros, em vez de 452 milhões, diferentemente do que havia informado a Raízen antes; o texto também foi ajustado para “interior paulista”, e não “cidades de Araçatuba e Bauru”, conforme retificação da Raízen
A Raízen está inaugurando nesta sexta-feira, 24, sua segunda planta de produção de etanol de segunda geração. A companhia prevê a entrega de mais quatro unidades produtivas até a safra 2025/26, elevando sua capacidade total de produção do combustível para 440 milhões de litros por ano, disse a companhia à Reuters.
Localizada no parque de bioenergia Bonfim, em Guariba (SP), a planta da Raízen para o etanol celulósico, produzido a partir de resíduos de biomassa do processo de fabricação do etanol comum, recebeu R$ 1,2 bilhão em investimentos e está autorizada a operar desde março.
A unidade tem praticamente o dobro da capacidade da primeira já em operação, em Piracicaba (SP), e aumentará a produção total da companhia para um volume de 112 milhões de litros por ano.
“Já temos, no total, 80% (da produção) de nove plantas comercializada, pelo menos. Tivemos uma demanda muito grande, principalmente para a Europa, para essa solução de etanol celulósico, que é competitiva e única no mundo", disse o vice-presidente de trading da Raízen, Paulo Neves.
A expectativa é inaugurar mais duas unidades produtivas do E2G neste ano, no interior paulista, e outras duas em 2025, cada uma com capacidade de 82 milhões de litros anuais. Com isso, a companhia deve chegar a um volume de produção de 440 milhões de litros por ano na safra 2025/26.
“Nesse momento, como a demanda veio muito forte e muita rápida, a gente deu uma parada na comercialização (de contratos para novas plantas) porque temos toda essa jornada de construção para concluir”, completa.
A companhia pode voltar a comercializar contratos a partir do ano que vem, de modo a prosseguir com o plano de crescimento na área e atingir a meta de 20 plantas de E2G, indicou o executivo. “É uma decisão comercial apenas de a gente esperar o melhor momento. Tem um olhar cuidadoso nosso de fazer a tecnologia funcionar muito bem nessas primeiras plantas antes de continuar a partir da nona”, afirma.
O executivo ainda acrescenta: “Cada negócio novo que fomos fazendo ao longo do tempo, fomos fazendo comercialmente em condições melhores. O melhor negócio foi a nona planta, é uma questão realmente de gestão de portfólio”.
O etanol celulósico tem sido bastante demandado por países que buscam acelerar sua transição energética, notadamente da Europa, mas também Japão e Estados Unidos, disse Neves.
O principal uso do combustível nesses mercados está associado à matriz de transportes, com adição na gasolina para uso em carros de passeio. Mas também cresce o interesse do E2G como insumo para fabricação de novas soluções energéticas, a exemplo do combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês), além de outras aplicações em setores como transporte marítimo e químicos.
Já no Brasil, dada a elevada penetração do etanol comum entre os consumidores, a perspectiva é de que a demanda pelo E2G se desenvolva mais para a frente, diante de mudanças de mercado que devem vir com programas como o Combustível do Futuro, apontou Neves. “É um exemplo de uma empresa que está investindo para industrializar e produzir uma solução de alto valor agregado para o mundo a partir do Brasil, com tecnologia líder”, finalizou.
Letícia Fucuchima