A Raízen deve inaugurar mais duas plantas de etanol de segunda geração (E2G) até o fim da safra 2024/25, afirmou o CEO Ricardo Mussa em teleconferência com analistas de mercado para detalhar os resultados do primeiro trimestre fiscal da atual temporada.
Serão inauguradas as plantas de E2G nas usinas Da Barra e Univalem. No primeiro semestre, a companhia iniciou as operações com o combustível de segunda geração na unidade Bonfim. Com isso, a Raízen iniciará a próxima safra com quatro plantas em operação neste segmento.
Segundo o gerente de relações com investidores, Philipe Casale, o potencial de produção de cada unidade, de 82 milhões de litros por ano, deverá ser alcançado após dois anos. Ricardo Mussa acrescentou que uma operação considerada “normal” seria de 77 milhões de litros anuais.
No primeiro trimestre da safra atual, a margem de contribuição (que desconta da receita apenas os custos variáveis, incluindo o custo do bagaço) do negócio de E2G foi de 14%, diante de uma operação na planta de Bonfim a 40% da capacidade instalada.
Segundo o diretor financeiro da Raízen, Carlos Moura, com a alavancagem operacional da planta, a companhia pode alcançar o potencial da margem de contribuição previsto na modelagem econômica, de 75% de margem de contribuição em E2G.
A modelagem do plano de negócios do E2G prevê ainda que a margem Ebitda (de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve ficar em 50% com a operação a plena capacidade, o que deve resultar em uma geração de caixa de 35%.
Mussa ressaltou que toda a produção futura de E2G já está vendida com contratos de longo prazo, com volumes pré-estabelecidos e preços mínimos fixos. Os contratos preveem ainda que, quando os preços no mercado spot estão mais altos que o estabelecido, há uma divisão entre comprador e vendedor do diferencial.
“O E2G é um grande gerador de caixa com baixo risco”, disse o CEO. “Não temos risco de preço nem de volume”, acrescentou.
A Raízen decidiu segurar suas vendas de etanol no primeiro trimestre da safra 2024/25 à espera de uma recuperação dos preços, o que a companhia acredita que já está começando a ocorrer. Segundo Mussa, ainda não há um plano de quando as vendas devem engatar, mas ele vê uma tendência “altista” na safra e na entressafra.
Mas ainda é incerto quando deverá ser o melhor momento de venda. “É uma discussão que temos todos os dias. É difícil cravar, é muito dinâmico o movimento. Estamos vendo sinais positivos de preço”, disse o executivo, em entrevista coletiva sobre os resultados da companhia.
Segundo Mussa, o rumo dos preços do etanol vai depender das cotações internacionais da gasolina e também da safra brasileira de cana. “Tem a perspectiva de que termine antes e tenha menos produto disponível, o que pode fazer com que na entressafra os preços fiquem mais fortes”, observou.
Ao mesmo tempo, ele ressaltou que o consumo de etanol hidratado “surpreendeu” e que já há bons preços “agora”. “É o dilema entre o ótimo e o bom”, resumiu.
O CEO explicou que a decisão de segurar as vendas de etanol – e, também, do açúcar próprio produzido no primeiro trimestre – acabaram fazendo com que o resultado operacional do período ficasse abaixo do esperado pelo mercado.
“A expectativa do mercado era [que nós já tivéssemos] comercializado. Mas é por uma boa razão. A produção está feita, é só comercializar. E a curva de [preços de] etanol mostra que a decisão foi acertada. Estamos vendo preços melhores agora no segundo trimestre, para o terceiro e o quarto trimestres”, afirmou.
Camila Souza Ramos