Com moagem trimestral menor, Raízen Energia registra prejuízo líquido de R$ 26,3 milhões
Entre abril e junho deste ano, período que equivale ao primeiro trimestre do ano safra 2015/16, a Raízen Energia registrou um prejuízo líquido de R$ 26,3 milhões, ante um lucro de R$ 112 milhões no mesmo período do ano passado.
A companhia atribuiu o resultado operacional negativo no ramo sucroenergético principalmente ao atraso no início da moagem, ocasionado por um começo de temporada mais chuvoso na região Centro-Sul do país. Segundo a empresa, o imprevisto climático levou a uma redução na moagem de cana-de-açúcar em suas 23 usinas.
A seguir:
- os dados agrícolas do trimestre: ATR, produtividade, participação da cana própria e de terceiros
- a evolução do desempenho financeiro em comparação ao mesmo trimestre de 2014/15
- volumes vendidos e preço médio de açúcar, etanol e energia
- o investimento trimestral realizado nas usinas
Entre abril e junho deste ano, período que equivale ao primeiro trimestre do ano safra 2015/16, a Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 26,3 milhões, ante um lucro de R$ 112 milhões no mesmo período do ano passado.
A Cosan divulgou na noite desta quarta-feira (12) os resultados de sua operação, que inclui, por meio de uma joint venture com a anglo-americana Shell, 50% de participação na Raízen Energia, maior sucroenerégtica do país.
A companhia atribuiu o resultado operacional negativo no ramo sucroenergético principalmente ao atraso no início da moagem, ocasionado por um começo de temporada mais chuvoso na região Centro-Sul do país. Segundo a empresa, o imprevisto climático levou a uma redução na moagem de cana-de-açúcar em suas 23 usinas, que atingiu 19,2 milhões de toneladas, contra 20,9 milhões de toneladas na comparação com igual período da safra passada, representando uma queda de 8,1%.

“Com o tempo mais seco, estamos alcançando agora níveis muito mais altos de moagem, o que deve normalizar essa situação”, disse Nelson Gomes, diretor presidente e de relações com investidores, em uma conference call.
Dessa maneira, o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) teve uma forte contração, de 46%, passando de R$ 478 milhões na safra anterior para R$ 261 milhões no ciclo atual. O Ebitda ajustado pela variação dos ativos biológicos (canaviais) e pelas posições de hedge, por seu turno, atingiu R$ 328 milhões, uma queda de 30% no confronto com o primeiro trimestre da safra anterior.

Já a receita líquida apresentou um leve recuou de 2,3% quando comparada com o mesmo período da temporada passada, totalizando R$ 1,6 bilhão.
Mesmo com mais chuvas, os resultados da Raízen foram melhores no campo. “O período de entressafra contou com contribuição das chuvas para maior produtividade no trimestre, elevando o nível de toneladas de cana por hectare (TCH) para 89,9, de 79,5 no confronto com o início da safra passada”, disse a empresa no relatório aos acionistas.
Com isso, o nível de ATR caiu ligeiramente, atingindo 122,6 quilos por toneladas ante 124,3 kg/ton no mesmo período de 2014. A empresa manteve inalterado o guidance de moer entre 57 e 60 milhões de toneladas cana-de açúcar neste ciclo, em linha com a temporada passada.
Produtos
Refletindo uma demanda aquecida, o etanol foi mais vendido do que em igual período da safra passada, com crescimento de 10%, para 626 milhões de litros. O preço do biocombustível, porém, recuou de R$ 1547 para R$ 1501 por metro cúbico e o estoque regrediu 1,1% na comparação com a safra passada. Em razão das vendas maiores e do retorno da Contribuição sobre Inverção Enconômica (Cide), a receita líquida cresceu 7% comparada ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 940,5 milhões.
Assim como algumas concorrentes, a empresa optou por aumentar os estoques de açúcar. Seus armazéns com o adoçante tiveram um incremento de 5,9% até o final de junho, com 846 mil toneladas estocadas. E por consequência o volume de açúcar comercializado caiu 15%, para 545 mil toneladas na comparação com a safra passada, o que gerou uma receita líquida de R$ 465 milhões, 20,2% abaixo do mesmo período do ano anterior.
O preço médio do açúcar ficou em R$ 854 por tonelada, 5,9% inferior ao mesmo período da safra 2014/15, resultado creditado ao impacto negativo de hedge accounting, de R$ 103,7 milhões.

A receita líquida com cogeração caiu 1,7%, somando R$ 172,1 milhões. “O volume vendido aumentou 3,2%, apesar da menor disponibilidade de biomassa no trimestre. Ao longo da safra, cerca de 80% do volume de energia é vendido com base em contratos de longo prazo indexados pela inflação. O preço médio de venda no trimestre foi de R$ 244,0 por MWh, 4,7% inferior ao mesmo período de 2014, dada a queda expressiva do preço spot, de 46%”, explicou.
Projetos mais maduros, menos Capex
A empresa destinou a Capex R$ 381 milhões no trimestre, uma redução de 32,8% em relação a igual período de 2014. De acordo com a Raízen, essa redução deveu-se à desaceleração da renovação do canavial, ao efeito temporal do menor gasto com tratos culturais neste trimestre, à redução de investimentos em mecanização e à entrada na fase final de diversos projetos.
Trading
Um segmento em que a companhia aumentou sua atuação foi o trading: o volume das operações de revenda de açúcar cresceu 371,1%, enquanto os de etanol subiram 94,1% na mesma base de comparação. Alinhado a isso, os custos com os produtos vendidos subiram 8,6%, afirmou a empresa
“Essas operações têm por objetivo principal gerar escala aos nossos negócios através da originação de açúcar e etanol de terceiros, alavancando nossa capacidade operacional e logística”, disse a Raízen.
A partir deste trimestre, a empresa começa a reportar a quebra entre volumes próprios e de revenda e trading, tanto para o açúcar quanto para o etanol, com seus respectivos custos.
Hedge

O volume dos contratos protegidos por operações de hedge aumentou de 2,372 milhões de toneladas para 2,423 milhões de toneladas na compração entre safras. Os valores recuaram de 18,2 centavos por libra-peso para 14,8 centavos por libra-peso, mas a companhia trava seus preços em reais, “sem qualquer exposição ao dólar”, conforme o diretor de RI.
Felipe Vanini Bruning – NovaCana