O vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani, avaliou nesta sexta-feira, 29, que a alta nos custos e falta de investimentos tiraram a competitividade no setor sucroenergético do Brasil. Segundo Mizutani, os entraves logísticos, comerciais e econômicos fizeram com que o País perdesse o posto para competidores no mercado mundial de açúcar.
Dados apresentados pelo executivo mostram que o custo para a produção e exportação de açúcar da Tailândia está em 17,9 centavos de dólar por libra-peso e o do Brasil em 18,7 centavos por libra-peso. 'Apesar de ter um custo produtivo bem menor, perdemos para a Tailândia por conta do custo logístico', disse.
Mizutani classificou a baixa capacidade de armazenagem de açúcar no País, apenas em 40%, como o maior obstáculo para que o setor consiga melhores preços no mercado mundial. 'Usinas estocaram mais este ano, não tem destino, por isso cai preço', explicou.
O executivo citou a falta de investimentos do setor em tecnologia como o diferencial competitivo. 'Nós investimos R$ 60 milhões por ano no CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). Só a Shell investe US$ 60 milhões por ano para o desenvolvimento de uma enzima para etanol de segunda geração', comparou.
Todo ano temos de 6% a 7% de aumento salário mínimo. Os custos de arrendamento de terra, que eram R$ 8 por tonelada de cana produzida, está em R$ 15 a R$ 17 por tonelada"
Outro fator, de acordo com Mizutani, é a variação do que ele chama de 'custo estrutural' do setor, com altas anuais em um cenário de preços estáveis de etanol e açúcar. 'Todo ano temos de 6% a 7% de aumento salário mínimo. Os custos de arrendamento de terra, que eram R$ 8 por tonelada de cana produzida, está em R$ 15 a R$ 17 por tonelada', disse.
Ainda segundo o vice-presidente da Raízen, a melhora do desempenho e da produção de países que no passado foram grandes importadores de açúcar do Brasil, como a Rússia, bem como os concorrentes europeus, que melhoraram a produtividade e a produção, contribuíram para a perda da competitividade brasileira. 'A Rússia já importou 5 milhões de toneladas de açúcar do Brasil e agora está quase autossuficiente', afirmou. 'A Europa, que tinha um custo maior, eliminou Portugal e Espanha, concentrou a produção em outras áreas e investiu em tecnologia', concluiu.