A Raízen está estudando oportunidades de desinvestimento e atração de parceiros estratégicos, a fim de alavancar seu balanço e potencializar o crescimento em suas diferentes unidades de negócio, disseram executivos da companhia nesta quarta-feira, 24.
Segundo o CEO da Raízen, Ricardo Mussa, não foram estabelecidas metas para esse plano de “reciclagem de portfólio” e eventuais ações nesse sentido seriam tomadas “com muito rigor”, sem afetar a estratégia de longo prazo da companhia.
“Temos muitos ativos que conseguimos monetizar. Isso para mim, nesse cenário de juros altos e de ciclo de investimentos, é uma das prioridades”, disse o executivo, durante reunião com investidores e analistas.
A companhia atua na produção de etanol, açúcar, energia renovável, além de ser uma das maiores distribuidoras de combustíveis no Brasil.
Mussa não revelou detalhes sobre ativos que poderiam ser colocados à venda, e disse que o “tamanho do esforço” dos desinvestimentos dependerá de diversos fatores, como o andamento da safra de cana deste ano, que vem se mostrando “melhor que o imaginado”.
Em coletiva de imprensa, Mussa indicou que a companhia pode buscar novos parceiros para a Raízen Power, marca recém-lançada para negócios no setor elétrico e que já tem parceria com o grupo Gera para geração de energia distribuída.
“Na área de energia e power, o intuito de trazer alguém é acelerar o processo (de crescimento), conseguir fazer mais sem machucar o balanço da companhia”, afirmou ele.
Lançada no início deste mês, a Raízen Power pretende ser “protagonista” no fornecimento de energia elétrica e soluções de descarbonização. A meta é alcançar 6 milhões de clientes, de todas as classes e portes de consumo, e triplicar o Ebitda, que atualmente é de R$ 1 bilhão por ano.
O vice-presidente de energia e renováveis da Raízen, Frederico Saliba, afirmou que o prazo para alcançar esses números dependerá de avanços regulatórios, sobretudo para a liberalização do mercado de energia a um universo maior de consumidores, permitindo que a Raízen aproveite sua força de vendas e ampla carteira de clientes.
Mussa apontou que a companhia enxerga a geração de energia elétrica mais como um “meio” para conquistar novos clientes para a Raízen. Segundo ele, a companhia não deve alocar grandes volumes de capital nessa área, e pode inclusive “reciclar” ativos no futuro.
“Na geração de energia, a gente tem pouca vantagem competitiva. Construção de planta solar, eólica: a gente vai fazer? Vai sim, mas a nossa fortaleza é ter muito cliente, sabemos lidar com isso”, coloca.
Letícia Fucuchima