A Raízen apresentou aos credores uma proposta final de reestruturação, um passo fundamental na luta da produtora de açúcar e etanol, que enfrenta dificuldades financeiras, para fechar um acordo extrajudicial sobre sua dívida.
Detentores de títulos locais, incluindo os chamados Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), devem se reunir na quarta-feira, 3, para começar a avaliar o plano, segundo um comunicado.
Conversas separadas entre bancos e detentores de títulos offshore são esperadas nos próximos dias, disseram pessoas familiarizadas com o assunto à Bloomberg News antes da divulgação do comunicado.
A empresa, que tem até 8 de junho para fechar um acordo, espera que mais de 70% dos credores apoiem o plano, bem acima da maioria simples necessária para ratificá-lo, disseram as fontes antes da divulgação do plano de recuperação na quarta-feira. As pessoas pediram para não serem identificadas por estarem discutindo negociações privadas.
De acordo com apuração do Valor Econômico, a Raízen já teria fechado um acordo com os credores para protocolar o plano. Conforme as fontes ouvidas pelo jornal, isso inclui os detentores de R$ 27 bilhões emitidos no exterior, que representam 40% da dívida. Com isso, o quórum fica acima do exigido, podendo atingir até 75%.
Um representante da Raízen se recusou a comentar.
Um acordo permitiria à Raízen prosseguir com uma reestruturação extrajudicial em um esforço para lidar com sua dívida de R$ 65 bilhões.
A gigante dos biocombustíveis contraiu empréstimos nos últimos anos para financiar uma expansão, mas apostas malsucedidas em etanol e combustíveis de aviação, juntamente com o aumento das taxas de juros, pressionaram seu balanço patrimonial.
As discussões sobre a dívida também envolverão a futura estrutura de governança da empresa.
A Raízen propõe a criação de um comitê de credores com cinco membros, com o diretor financeiro Lorival Luz assumindo mais responsabilidades como diretor de reestruturação.
O plano também recomenda manter o atual conselho de administração da Raízen em seus cargos até o primeiro trimestre do próximo ano, deixando em aberto a possibilidade de o presidente do conselho, Rubens Ometto, permanecer no grupo após esse período, caso ele injete um capital real de US$ 500 milhões.
Um porta-voz de Ometto se recusou a comentar.
Rachel Gamarski, Giovanna Bellotti Azevedo e Dayanne Sousa
Com informações adicionais do Valor Econômico; edição NovaCana