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Rabobank: polarização das usinas vai continuar e melhora será seletiva em 2016/17

usina ruetteApós alguns anos conturbados e cheios de problemas, dívidas, preços baixos e clima adverso, o banco holandês avalia que existem diversas razões para que 2016 marque o início de uma retomada

NovaCana 4 min de leitura

A safra 2016/17 deve trazer melhores momentos para o setor de acordo com relatório divulgado pelo Rabobank na última semana. Após alguns anos conturbados e cheios de problemas, dívidas, preços baixos e clima adverso, o banco holandês avalia que existem diversas razões para que 2016 marque o início de uma retomada. No entanto, esta melhoria será seletiva.

Mudanças nas condições de mercado do açúcar nos próximos meses tendem a afetar de forma diferente os grupos do setor.

A safra 2016/17 deve trazer melhores momentos para o setor de acordo com relatório divulgado pelo Rabobank. Após alguns anos conturbados e cheios de problemas, dívidas, preços baixos e clima adverso, o banco holandês avalia que existem diversas razões para que 2016 marque o início de uma retomada. No entanto, esta melhoria será seletiva.

Três razões são apontadas como as principais para um futuro cenário de melhora. Primeiramente, a safra que deve se iniciar entre março e abril vem com esperança de números que podem ultrapassar 600 milhões de toneladas. Esse aumento é advindo das chuvas abundantes em 2015.

Em segundo lugar, os preços melhores do açúcar no mercado internacional criaram boas condições de negociação para as usinas.

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A terceira razão é o preço da gasolina. O banco reconhece que existem especulações sobre uma redução do preço da gasolina no mercado interno, motivado pelo baixo preço do petróleo e a pressão inflacionária vivida pelo governo. Mesmo assim, o Rabobank acredita que os preços da gasolina não devem baixar, pois é um contra-argumento mais forte a situação político/econômica da Petrobras, que não pode correr o risco de perder suas margens este ano.

Melhora seletiva: polarização

Uma safra com moagem elevada reduz os custos unitários dos produtos graças a diluição dos gastos fixos. Esta perspectiva, aliada aos bons preços do açúcar e etanol, deve trazer um bom resultado para o caixa das usinas.

No entanto, a instituição lembra que apenas os players bem capitalizados e com amplas linhas de crédito com bancos e instituições financeiras têm condições de firmar contratos futuros com um ano de antecedência. Companhias financeiramente fracas têm dificuldade para obter crédito e estão mais suscetíveis a possíveis mudanças nas condições de mercado do açúcar nos próximos meses.

As empresas em condições melhores também têm a opção de estocar etanol durante a entressafra para aguardar melhores preços do biocombustível, enquanto as usinas com necessidade precisam aproveitar a alta liquidez do etanol para fazer dinheiro. Vender no auge da safra normalmente significa uma venda no momento que os preços estão no patamar mais baixo do ano.

Com base nas atuais perspectivas de produção e preços, a conclusão do Rabobank as usinas que estão em boas condições financeiras “possuem todas as chances de ter uma boa safra em 2016/17”. Elas entrarão em um ciclo virtuoso de margens melhores, levando a uma melhor situação econômica e, consequentemente, a um maior acesso ao crédito.

Já as companhias mais fracas não poderão explorar as oportunidades que o mercado de açúcar e etanol tem a oferecer, permanecendo “o risco de um ciclo vicioso com margens pressionadas, resultados financeiros ruins e acesso restrito ao crédito”. O resultado é uma polarização maior do setor, continuando o movimento dos últimos anos.

Fusões e aquisições

A compra da Ruette pela Black River reabriu uma porta há tempos fechada no setor, trazendo esperanças de que o movimento de fusões e aquisições sofra uma retomada.

O relatório aponta que há muitos ativos à venda no País, mas o banco não acredita que o movimento apresente muitas mudanças no curto prazo. “Ainda é incerto se esse negócio irá gerar uma onda de transações subsequentes”, completa o banco.

“Por um lado, esse permanece como um mercado de compradores, com muitos ativos em jogo. Por outro, não seria uma surpresa se a crescente volatilidade geral no mercado de commodities e no câmbio, além da deterioração da situação política e econômica do Brasil no mesmo período, acabassem desencorajando possíveis compradores no curto prazo”, finaliza a análise da instituição.

Jorge Mariano – NovaCana

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