Para indicar como as projeções devem impactar no negócio das usinas, o estudo do banco holandês listou os principais riscos e oportunidades para o ano de 2016 avaliando se a natureza do impacto tende a provocar movimentos de “alta”, “neutro” ou de “queda”
O setor sucronergético do Brasil deve viver um ano mais positivo em 2016 segundo recente estudo da instituição holandesa Rabobank, que traz as principais perspectivas para o mercado de açúcar e etanol para este ano. O banco aponta como as projeções devem impactar no comportamento dos preços mundiais do açúcar, além de trazer um breve panorama para a cadeia da cana no Brasil.
Para indicar como as projeções devem impactar no negócio das usinas, o estudo do banco holandês listou os principais riscos e oportunidades para o ano de 2016 avaliando se a natureza do impacto tende a provocar movimentos de “alta”, “neutro” ou de “queda”.
O setor sucronergético do Brasil deve viver um ano mais positivo em 2016 segundo recente estudo da instituição holandesa Rabobank, que traz as principais perspectivas para o mercado de açúcar e etanol para este ano. O banco aponta como as projeções devem impactar no comportamento dos preços mundiais do açúcar, além de trazer um breve panorama para a cadeia da cana no Brasil.
O Rabobank indica que, mesmo com a permanência da delicada situação financeira das usinas e uma possível diminuição dos investimentos no campo, fatores que têm causado a polarização das indústrias do setor, as razões para os mercados de açúcar e de etanol brasileiros enxergarem uma safra 2016/17 melhor estão principalmente no cenário macroeconômico nacional, que deve ampliar a participação do açúcar no mix.
Comportamento dos preços
Para indicar como as projeções devem impactar no negócio das usinas, o estudo do banco holandês listou os principais riscos e oportunidades para o ano de 2016 avaliando se a natureza do impacto tende a provocar movimentos de “alta”, “neutro” ou de “queda”. Os dados de destaque listados pelo Rabobank foram:
(Alta) Melhores preços para o açúcar, uma vez que o mercado mundial caminha para um déficit de produção em 2015/16.
(Alta) Perspectiva de preços de gasolina mais elevados em 2016.
(Neutro) Intensificação da diferença na condição financeira das usinas.
(Neutro) Estagnação da área e da produção de cana.
(Queda) Endividamento médio das usinas continua elevado.
2015: parece que o pior já passou

Tendo em vista os movimentos registrados ao longo do ano passado, no mercado de açúcar, depois de tocar os 10,5 US c/lb em agosto, menor patamar desde junho 2008, a tendência do preço internacional voltou a subir segundo o Rabobank. O banco acrescenta que o consenso geral de que o ano-safra internacional 2015/16 (out/set) trará um déficit global gerou suporte às cotações no último trimestre do ano.
Para o setor de etanol, a instituição aponta que a reintrodução da CIDE na gasolina, aliada à forte pressão de vendas das usinas mais fracas, serviu para aumentar o desconto de etanol em relação à gasolina na bomba entre abril e setembro. E, apesar do crescimento de 41% na demanda entre janeiro e setembro, o preço médio do hidratado ficou no mesmo patamar de 2014. Já em outubro de 2015, com a aproximação da entressafra, os preços do etanol apresentaram forte reação.
Brasil 2015: Perspectivas gerais e impactos nos diferentes elos da cadeia
Em relação ao mercado sucronergético nacional, o estudo do Rabobank aponta que as chuvas, que trouxeram benefícios para a produtividade no Centro-Sul do Brasil em 2015, também atrapalharam a colheita da cana disponível para moagem na safra 2015/16 (abr/mar). Por essa razão, mesmo que a moagem em 2015/16 chegue ao recorde de 597 milhões de toneladas, volume similar ao atingido em 2013/14, ainda há uma expectativa geral que haverá cana bisada a ser colhida em 2016.
Outro ponto importante é que a expansão da área de cana deve ser praticamente zero em 2016. Espera-se que a taxa média de replantio permaneça abaixo do ideal. O fluxo de caixa de muitas usinas continua limitado e, em geral, o setor enfrenta um enxugamento do crédito, seja das fontes governamentais ou dos bancos privados. Isso sugere que a idade média do canavial subirá em 2016/17.
Certamente, o clima para a próxima safra terá um impacto significativo, tanto na qualidade da cana, quanto na produtividade. Com a premissa de um clima normal, parece razoável trabalhar com um ATR por tonelada de cana um pouco maior que em 2015/16 e produtividades levemente mais baixas (dada a elevação da idade média do canavial). A grosso modo, a soma destas considerações leva o banco a considerar uma safra na faixa de 570 – 600 milhões de toneladas como uma projeção preliminar da moagem no Centro-Sul em 2016/17.
No geral, o cenário para a safra 2016/17 no Centro-Sul mostra-se mais positivo do que há um ano. Os preços internacionais de açúcar apresentaram tendência mais positiva no último trimestre de 2015, devido às expectativas de um déficit no balanço global de oferta/demanda de açúcar.
O fluxo de caixa limitado de muitas usinas e o enxugamento do crédito sugere que a idade média do canavial subirá em 2016/17
Brasil e preços mundiais

Segundo o estudo da instituição holandesa, não há garantia que tendência do preço internacional do açúcar mantenha-se em 2016 ou não seja imune a uma reversão. Além dos tradicionais imprevistos com o clima, entre as incertezas com maior potencial para influenciar a trajetória nas cotações externas em 2016, destaca-se o grau de suporte que o governo indiano pode dar para às exportações de açúcar do país. O cenário macroeconômico, especialmente a evolução do valor do real frente ao dólar, também poderia ter grande influência nas cotações internacionais de açúcar.
O Brasil também terá forte influência sobre o balanço global de oferta/demanda em 2016 em função do “mix” ou porcentagem da cana dedicada à produção de açúcar. Na safra 2015/16, este percentual ficou abaixo de 42%. Porém, caso a expectativa de remuneração de açúcar seja muito superior à do etanol, esta porcentagem pode subir para 45% na safra 2016/17, resultando em um aumento da produção de açúcar em até 3 milhões de toneladas em comparação com 2015/16.
No mercado interno, o preço da gasolina subiu significativamente ao longo de 2015, devido à reintrodução da CIDE no começo do ano e uma elevação inesperada do preço ex-refinaria em 6% pela Petrobras no final de setembro. No curto prazo, um novo aumento da CIDE não pode ser descartado. Com a necessidade de elevar a arrecadação, essa medida poderia ser adotada rapidamente pelo governo, já que não haveria necessidade de passar pela aprovação no Congresso.
O Brasil terá forte influência nas cotações internacionais de açúcar em 2016, em função da porcentagem da cana dedicada à produção de açúcar e o seu cenário macroeconômico
Porém, como já mostrado pelo mercado em 2015, o aumento do preço da gasolina pode não garantir a elevação automática nas cotações de etanol hidratado, especialmente no período entre maio e outubro, quando a safra está em pleno vapor. Entre abril e setembro de 2015, o preço médio de gasolina na bomba no estado de São Paulo ficava 9% acima dos valores registrados no mesmo período de 2014. No caso de etanol hidratado, a diferença era de apenas 2%. Por isso, apesar do aumento no volume das vendas em 50% (abril – setembro 2015 versus abril – setembro 2014), o ganho das usinas, em termos de margem por litro, foi irrisório.


Indústria: polarização dos players
Ao longo de 2015, vários fatores contribuíram com o aumento da diferença na condição financeira das usinas. Para companhias com uma parte significativa da dívida em dólar, a desvalorização do real elevou de maneira expressiva o valor em reais desta dívida. Com a continuação da crise do setor, aliada à deterioração geral da economia brasileira, muitos bancos ficaram mais seletivos em relação à disponibilidade de crédito e taxas de juros. Além disso, houve maior rigor em termos de prazo e de garantias. Ao mesmo tempo, as tradings também limitaram a janela para fixação do preço de açúcar em seus contratos com as usinas.
O resultado disso é que há um grupo de empresas de perfil financeiro robusto, com desempenho sólido e acesso a financiamento competitivo em função do melhor perfil de risco. Esta parcela do mercado está preparada para aproveitar as oportunidades para melhorar as margens, seja por meio de fixação em bolsa, no caso do açúcar, ou através de carregamento de estoque, no caso do etanol. No caso do açúcar, a taxa de câmbio e sobretudo suas cotações “forwards” têm um importante papel, uma vez que combinados com os futuros de açúcar permitem a essas companhias obter um preço em reais razoavelmente remunerador para a próxima safra.
Há um grupo de perfil financeiro robusto, com desempenho sólido e acesso a financiamento competitivo (...) Por outro lado, para a parcela das empresas mais enfraquecidas é difícil acreditar que 2015 tenha sido suficientemente positivo para trazer alívio às contas
Por outro lado, para a parcela das empresas mais enfraquecidas pela crise - permanente praticamente desde 2009 - é difícil acreditar que 2015 tenha sido um ano suficientemente positivo para trazer algum alívio nas contas. A disponibilidade de crédito para esses players encolheu devido à deterioração geral da economia brasileira e à própria situação do setor. Assim, é muito provável que estas empresas diminuam os investimentos no campo (plantio e trato cultural) na tentativa de manter a situação financeira sob controle.
Estas tendências, tão diferentes para os dois grupos de empresas, acabam polarizando o setor. Porém, no geral, espera-se que a dívida do setor ainda permaneça alta durante 2016 e o número de empresas com problemas financeiros continue provocando expectativas de consolidação por fusões e aquisições. O real desvalorizado, o maior suporte aos preços de açúcar e expectativas que a CIDE poderia, cedo ou tarde, ter um novo aumento, sugere que as condições para consolidação e a entrada de dinheiro de fora do país possam ser melhores em 2016.
Produtores independentes: recuperação do ATR e melhora nos preços do açúcar e do etanol
Uma das consequências das chuvas de 2015 foi o aumento da produtividade de cana além das expectativas iniciais para a corrente safra. Porém, estas mesmas chuvas também provocaram um teor relativamente baixo de ATR. Em algumas regiões, esse indicador foi ainda mais prejudicado pelo florescimento da cana. Assim, do ponto de vista dos fornecedores, qualquer ganho em termos de renda por hectare resultante da produtividade elevada acabou sendo limitado pela queda da qualidade da cana.
Acredita-se que a tendência de migração de fornecedores e parceiros de usinas vistas como frágeis para empresas com perfil financeiro melhor deva ser mantida
Com a receita estagnada, o principal desafio para fornecedores em 2016 será manter a taxa de plantio e os tratos culturais. Neste sentido, nada mudou de 2015 para 2016, exceto que durante o próximo ano, o aperto no mercado de crédito torna o desafio ainda mais complicado. Por outro lado, as perspectivas para os mercados de açúcar e de etanol são positivas e o câmbio continuará fraco. Tudo isso sugere um preço maior por unidade de ATR na safra 2016/17. Além disso, condições climáticas mais normais na próxima safra poderiam resultar em um teor de ATR por tonelada de cana melhor que 2015/16.
Depois de anos de crise no setor e constante fluxo de notícias negativas a respeito da situação financeira das usinas, em algumas regiões surgiram preocupações em relação a possibilidade de atraso nos pagamentos de cana. Esse sentimento é compartilhado também por parceiros na produção agrícola. Por isso, acredita-se que a tendência de migração de fornecedores e parceiros de usinas vistas como frágeis para empresas com perfil financeiro melhor deva ser mantida.
2016: projeção de déficit no mercado global de açúcar deve sustentar os preços
Para este ano, após cinco ciclos de excedente no balanço mundial de açúcar, o estudo aponta que um déficit global, em torno de 4,8 milhões de toneladas está previsto para o ano safra internacional 2015/16 (outubro/setembro), reflexo direto das quedas de produção na China, União Europeia e Índia.
Apesar disso, se concretizado, um déficit deste tamanho ainda não seria suficiente para compensar o acúmulo nos estoques em função dos cinco anos de excedente no mercado global. Porém, pode ser um forte sinal de reversão no atual ciclo de baixa dos preços internacionais, e com um panorama de oferta e demanda mais construtivo nos próximos dois anos.
Índia: queda na produção pode não ser refletida em redução das exportações
(Neutro) Apesar da previsão de queda de 5% na produção indiana em 2015/16 (out/set), estoques devem permanecer elevados;
(Queda) Quota mandatória de exportação anunciada pelo governo poderia aliviar a pressão dos estoques no mercado interno indiano. Mas, para evitar prejuízo às usinas, a não ser que haja reação nos preços mundiais, o governo teria que subsidiar as exportações.
Tailândia: aumento de área compensa queda na produtividade em função da seca
(Neutro) Expectativa de produção próxima as 111 milhões de toneladas de cana colhidas na safra anterior;
(Queda) A área plantada deve continuar a crescer. Encorajados pelo governo local, produtores de arroz seguem migrando para a produção de cana-de-açúcar.
União Europeia: expectativa de queda de produção de açúcar até 20%
(Alta) Corte de 14% na área plantada para a safra 2015/16 (out/set) em função dos baixos preços;
(Alta) Após desempenho espetacular em 2015, a produtividade de beterraba deve retornar a patamares médios.
China: produção chinesa continuará em 2016
(Alta) Tendência de diminuição da área em função da elevação nos custos de mão de obra e melhor remuneração com outros usos de terra;
(Alta) Crescimento do consumo local deve manter importações de açúcar aquecidas em 2016.
NovaCana
Texto e gráficos do Rabobank com edição e tratamento adicional do NovaCana