A exemplo de outras empresas especializadas, o banco holandês Rabobank também fez suas apostas para um déficit de açúcar na safra 2014/15. As informações foram divulgadas ontem (16) no relatório quadrimestral da instituição.
Após quatro temporadas de superávits consecutivos (veja gráfico abaixo), o banco espera um déficit de 900 mil toneladas de açúcar para a safra internacional 2014/15, que tem início em setembro.

Na última quarta-feira a
Czarnikow divulgou que espera um déficit de 500 mil toneladas.
Já a Datagro estimou em junho um déficit significativamente maior, de 2,5 milhões de toneladas. No início deste mês a Kingsman elevou sua expetativa de déficit para 2,1 milhões de toneladas.
Para o Rabobank, "o Brasil continua enviando sinais conflitantes ao mercado de açúcar. Enquanto a moagem continua com força total, ultrapassando os índices do ano passado e estimulando as exportações, a seca continuada aumenta as preocupações em relação ao potencial da colheita e a uma possível antecipação do fim da safra." Apesar disso, o banco mantém sua estimativa de 570 milhões de toneladas de cana e 32,8 milhões toneladas de açúcar, mas deixa claro que fará revisões, "dependendo de como o clima avançará nos próximos meses depois de um período de seca".
PreçoO banco alertou que o déficit projetado é "muito modesto" e que não é suficiente para reduzir materialmente os estoques de açúcar de final de ano. "Tampouco parece impactar significativamente as taxas de consumo/estoques globais. Por este motivo, nosso balanço preliminar para 2014/15 sugere apenas um reforço nos preços a partir de [determinados] elementos, a medida em que mudamos da atual safra mundial para um novo ciclo", ponderou.
Na avaliação da consultoria, as transações da commodity no mercado global de açúcar têm sido estáveis, com preços variando de 16,5 centavos a 18,5 centavos de dólar por libra-peso.
Açúcar no mundoNo geral, a produção mundial deve diminuir levemente pelo segundo ano consecutivo, o que indica que os preços baixos dos últimos anos podem ter, finalmente, provocado uma resposta do mercado.
Quem surge como uma grande fonte de dúvidas é a Índia. Em parte, graças às diferentes interpretações em relação ao impacto do início fraco das monções (ventos típicos da Ásia).
De acordo com as estimativas do banco, a oferta de açúcar no país asiático para a safra 2014/15 deve ser de 26,2 milhões de toneladas, similar ou marginalmente menor que aquela registrada no ciclo anterior.
Já a Kingsman projetou uma produção de 25 milhões de toneladas, em uma base semelhante a adotada pela Czarnikow, que estimou a produção em 27,2 milhões de toneladas brutas de açúcar.
"Apesar de boa parte da cana já ter sido plantada na Índia, as chuvas fracas irão impactar adversamente a produtividade e os níveis de recuperação [da cana] em 2014/15, o que também irá reduzir os lençóis freáticos disponíveis para irrigação na próxima safra", disse o Rabobank.
União EuropeiaCondições favoráveis para o plantio e o crescimento antecipado da safra, combinados com um aumento na área plantada, sugerem uma alta na produção de açúcar de beterraba na safra 2014/15 em relação ao período anterior.
MéxicoA produção mexicana também deve crescer, mas as exportações ao mercado norte-americano diminuirão. O crescimento no consumo tem sido lento, mas pode deslanchar na safra 2014/15.
BrasilA região Centro-Sul está a todo o vapor. Até agora, a previsão do banco é que a colheita de cana atinja 570 milhões de toneladas, mas o tempo nos próximos meses continuará a ser determinante na safra do país.
AustráliaComo resultado de um aumento de 1,6% na área plantada e a expectativa de maior produtividade, a produção australiana deverá ser 5% maior que a produção na safra 2013/14.
Leonardo Siqueira – novaCana.com