NovaCana

Queda no preço do petróleo força fabricantes de etanol a assumirem perdas nos EUA

eua etanol usina 070115Reflexos no setor de etanol são ruins, mas outros setores agrícolas podem ser beneficiados

NovaCana 7 min de leitura

A queda na cotação do petróleo está sendo prejudicial a uma das principais indústrias do Cinturão Agrícola norte-americano. Fabricantes de etanol estão se preparando para uma queda nas receitas, já que, com o petróleo mais barato, as refinarias estão pagando menos pelo etanol de milho que misturam na gasolina. Além disso, o preço da matéria-prima, o milho, deu um salto nos últimos tempos.

A baixa do petróleo propiciou um cenário inusitado em que a gasolina está custando menos que o etanol, fazendo com que a mistura obrigatória — exigida por lei federal desde o começo dos anos 2000 — saia mais cara para as companhias de combustível. A maior parte da gasolina nos EUA contém até 10% de etanol, devido à regulação federal, mas para cumprir os requisitos as refinarias também podem usar créditos advindos de misturas excedentes à cota realizadas anteriormente.

Os maus ventos vêm após um dos anos mais lucrativos já vividos pelo setor: 2014 viu uma grande demanda para exportação e o menor preço do milho nos últimos quatro anos.

As margens decrescentes podem levar algumas usinas a reduzir o nível de produção em 2015, segundo analistas e executivos de um setor que movimenta US$ 40 bilhões nos Estados Unidos. Ainda assim, não são poucos os observadores que acreditam que a demanda de etanol possa se manter estável ou até crescer.

A queda na cotação do petróleo está sendo prejudicial a uma das principais indústrias do Cinturão Agrícola norte-americano. Fabricantes de etanol estão se preparando para uma queda nas receitas, já que, com o petróleo mais barato, as refinarias estão pagando menos pelo etanol de milho que misturam na gasolina. Além disso, o preço da matéria-prima, o milho, deu um salto nos últimos tempos.

As margens decrescentes podem levar algumas usinas a reduzir o nível de produção em 2015, segundo analistas e executivos de um setor que movimenta US$ 40 bilhões nos Estados Unidos. Ainda assim, não são poucos os observadores que acreditam que a demanda de etanol possa se manter estável ou até crescer, caso o preço baixo da gasolina incentive os motoristas americanos a dirigir mais, compensando pelas perdas.

O preço do barril de petróleo caiu 20% em dezembro, e um total de 46% em 2014, negociado agora a US$ 51. Com isso, os preços futuros do etanol caíram 25% durante o mês de dezembro, com efeito sobre as ações dos fabricantes. Papéis da Green Plains, um dos maiores produtores dos Estados Unidos, perderam 17% do valor, enquanto os da Pacific Ethanol, 11%.

Os maus ventos vêm após um dos anos mais lucrativos já vividos pelo setor: 2014 viu uma grande demanda para exportação e o menor preço do milho nos últimos quatro anos.

As margens da indústria do etanol alcançaram um recorde histórico de US$ 2,04/galão em abril, segundo dados do Centro para o Desenvolvimento Agrícola e Rural, da Universidade de Iowa. Estas mesmas margens, porém, caíram para US$ 1,12/galão em 3 de dezembro, e US$ 0,58/galão em 19 de dezembro, segundo estimativas do centro.

A baixa do petróleo propiciou um cenário inusitado em que a gasolina está custando menos que o etanol, fazendo com que a mistura obrigatória — exigida por lei federal desde o começo dos anos 2000 — saia mais cara para as companhias de combustível. A maior parte da gasolina nos EUA contém até 10% de etanol, devido à regulação federal, mas para cumprir os requisitos as refinarias também podem usar créditos advindos de misturas excedentes à cota realizadas anteriormente.

Com a mudança nas perspectivas de lucro do setor, os fabricantes talvez precisem reduzir a produção gradativamente, após comemorarem níveis recordes em semanas recentes. "Não acredito que possamos manter esses níveis de produção no setor como um todo", diz o CEO da Green Plain, Todd Becker.

Se prejudica a indústria de etanol, a baixa do petróleo pode representar um fôlego para outros setores agrícolas. Executivos da indústria de carnes esperam que parte dos estimados US$ 100 bilhões que serão poupados pelos consumidores possam ser gastos em restaurantes, aumentando as vendas de carne e frango. Ao mesmo tempo, a gasolina mais barata beneficiará os agricultores, tanto no plantio e colheita como no transporte de grãos e outros produtos.

A baixa de quase 43% no preço do milho nos últimos dois anos -- resultado de safras recordes de uma costa a outra dos EUA -- foi uma bênção para o setor de etanol, que todo ano consome cerca de um terço da produção do país. Com custo mais baixo, o etanol de milho ficou mais forte para competir no mercado externo com o etanol de cana fabricado no Brasil, maior rival dos EUA. As exportações do biocombustível saltaram de 1,76 bilhão de litros em 2013 para quase 2,57 bilhões de litros nos 10 primeiros meses de 2014, segundo dados federais, um crescimento de mais de 46%.

A indústria de etanol amealhou entre US$ 8,6 e US$ 10 bilhões em lucros em 2014. Foi um dos anos mais rentáveis até hoje, segundo estima a Associação dos Produtores de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos.

Os preços futuros do milho subiram 23% desde 30 de setembro, em parte porque os fazendeiros resolveram estocar uma parte maior da safra ao invés de vender. Enquanto isso, os futuros da gasolina caíram 21% em dezembro, depois que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) anunciou, em 27 de novembro, que os membros continuariam produzindo no ritmo planejado, apesar da oferta crescente nos EUA.

"Acho que estamos vivendo um período de rentabilidade e preços desfavoráveis para o etanol", diz Scott Irwin, professor de economia agrícola na Universidade de Illinois. "Com a gasolina a US$ 1,50 [o galão] no atacado, os produtores de etanol não têm como pagar US$ 3,75 por bushel de milho e ganhar dinheiro. Não tem jeito."

Por enquanto, as usinas de etanol ainda estão produzindo num ritmo rápido porque as margens de lucro permanecem adequadas, segundo Hal Reed, CEO da Andersons Inc. A empresa agrícola de capital aberto investe em quatro plantas de etanol com capacidade somada de 330 milhões de galões por ano (1,25 bilhão de litros/ano).

"Estamos operando nossas plantas com capacidade máxima", diz Reed. "As margens ainda estão positivas, então certamente compensa produzir o máximo possível."

As refinarias de petróleo devem continuar adicionando em torno de 10% de etanol à gasolina em 2015 para cumprir a mistura obrigatória de biocombustíveis, o que assegura uma demanda mínima para o aditivo, segundo os analistas. Uma lei de 2007, criada para incentivar um maior uso de combustíveis renováveis, exige que as refinarias misturem volumes crescentes de etanol à gasolina a cada ano. Embora a Agência de Proteção Ambiental tenha adiado o anúncio dos requisitos de mistura para 2015, as refinarias continuaram utilizando etanol, que tem um custo mais baixo do que outros aditivos para aumento de octanagem, dizem os executivos da área.

Embora alguns observadores prevejam uma redução na produção de usinas menores, são poucos os que acham que o setor sofra da mesma forma que em 2008, quando o elevado preço do milho levou usinas à bancarrota.

"Há muitos balancetes com resultados bem fortes na indústria", diz Rick Schwarck, CEO da Absolute Energy , usina de etanol em St. Ansgar, Iowa. Schwarck acrescenta que as boas reservas de caixa permitem que muitos produtores desacelerem e talvez até interrompam a produção se as margens ficarem negativas, aguardando até que a maré vire de novo.

Uma cartada pouco provável para o setor em 2015 podem ser as exportações.  A demanda de compradores internacionais pode arrefecer se os preços baixos da gasolina e do petróleo reduzirem o incentivo para a adiçãao de etanol à gasolina.

"Os mercados de exportação são o "último fator desequilibrante", diz o prof. Irwin, da Universidade de Illinois, observando que as vendas do biocombustível para lugares como os Emirados Árabes Unidos são a força movente por trás do recente aumento nos preços do etanol. "Se o incentivo do mercado for removido, esse processo é revertido."

Por Jacob Bunge e Jesse Newman

Fonte: Wall Street Journal

Tradução e adpatação NovaCana

Compartilhar: