Marcada por um plantio atrasado e pela seca, a segunda safra de milho 2020/21 caminha para uma importante quebra que reduziu o potencial da produção total do cereal no Brasil a 93,93 milhões de toneladas, conforme pesquisa da Reuters publicada nesta terça-feira, 22.
A projeção, com base nas avaliações de dez especialistas, também fica 8,43% abaixo do volume colhido no ano passado. Dados do governo mostram que o país produziu 102,58 milhões de toneladas em 2019/20.
Em abril, levantamento realizado pela Reuters com 11 analistas ainda indicava a possibilidade de um recorde para o milho nesta temporada, acima de 107 milhões de toneladas, mas a estiagem persistiu ao longo de maio e resultou em mais perdas para a safrinha.
“É, basicamente, a seca na safrinha e quebras”, disse o analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, sobre o motivo para a revisão das projeções da consultoria.
Ele lembrou que a produção da segunda safra de milho chegou a ser estimada inicialmente em 84 milhões de toneladas e, atualmente, caiu para 70,78 milhões.
Neste cenário, a analista Daniely Santos, da Céleres, disse que a consultoria rebaixou a previsão de exportações de milho do Brasil – de 32 milhões para 22,5 milhões de toneladas – e acredita em um forte avanço nas importações, estimadas em 4 milhões de toneladas.
Dados do governo federal indicam que o Brasil comprou somente 1,37 milhão de toneladas do cereal no ano passado.
Isso significa que, se a projeção da Céleres for confirmada, as importações podem mais que dobrar em 2021 dada a firme demanda interna, principalmente pela indústria de carnes.
“Em relação ao consumo interno não reduzimos a estimativa, que segue em 74 milhões de toneladas”, disse Santos.
Na última quinta-feira, o órgão de biossegurança CTNBio publicou uma resolução que aprova sincronia de eventos transgênicos autorizados no Brasil e no exterior, trazendo segurança jurídica para o país importar soja e milho.
O analista Gabriel Faleiros, da IHS Markit, avalia que a decisão que permite a entrada de trasgênicos deve impulsionar as compras da região Nordeste, com importadores trazendo o grão vindo dos Estados Unidos.
“Você tem a queda em Chicago e a queda do dólar, de modo que fica mais barato trazer esse milho de fora. Houve algum período, há cerca de duas semanas, que já estava mais atrativo (para o Nordeste) importar do que trazer de Mato Grosso ou do (oeste) da Bahia”, relata.
No entanto, como a colheita da safrinha se aproxima, Faleiros acredita que estas importações devem se concentrar no final do ano, para complementar a oferta nacional.
Se as lavouras de milho do Paraná e Mato Grosso do Sul foram castigadas pela seca, as previsões climáticas indicam que elas podem escapar do frio excessivo. O meteorologista da Somar Celso Oliveira afirmou que não há previsão de geadas pelos próximos 15 dias.
“Com a chuva das últimas semanas, a umidade do solo está adequada para o desenvolvimento agrícola no Paraná e no centro e sul de Mato Grosso do Sul. Ainda tem uma grande parte das áreas em enchimento de grão nos dois Estados e são elas que são importantes monitorarmos até a maturação”, explica.
Já em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, o tempo permanecerá seco, mantendo a falta de umidade no solo, disse Oliveira. “Então, não há expectativa de melhora. Eventuais áreas que ainda passarão por florada e enchimento de grão sentirão déficit hídrico e devem ter uma baixa produtividade”, estimou.