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Quanto vale uma usina: empresas de capital aberto estão com o valor mais baixo dos últimos 10 anos

usina vista lateral 090816“Sempre ouvimos das empresas ligadas ao setor que as companhias sucroalcooleiras valiam US$ 100 por tonelada [de cana moída].” Mas a realidade do momento atual é completamente diferente.

NovaCana 5 min de leitura

O valor de mercado das companhias de capital aberto do setor atingiu o patamar mais baixo dos últimos dez anos. Essa desvalorização, somada à perspectiva positiva de preços para a safra, estimula a entrada de dinheiro no setor, especialmente de fundos internacionais.

Mas o momento de desvalorização tem prazo de validade, ao menos de acordo com o sócio analista da Agroconsult, Fábio Meneghin. As companhias de capital aberto, que já teriam alcançado o “fundo do vale”, agora tendem a experimentar maior valorização no mercado.

Em números elaborados pela Agroconsult, o analista apresentou a evolução ao longo das safras do real valor de mercado das empresas de capital aberto do setor sucroenergético.

O índice serve de parâmetro para a análise das demais empresas sucroenergéticas, segundo Meneghin. Além de representarem 26% da moagem do segmento sucroalcooleiro, o consultor destaca que indicadores das empresas de capital aberto são grandes balizadores para investidores analisarem as perspectivas para o setor.  

O valor de mercado das companhias de capital aberto do setor atingiu o patamar mais baixo dos últimos dez anos. Essa desvalorização, somada à perspectiva positiva de preços para a safra, estimula a entrada de dinheiro no setor, especialmente de fundos internacionais.

Mas o momento de desvalorização tem prazo de validade, ao menos de acordo com o sócio analista da Agroconsult, Fábio Meneghin. As companhias de capital aberto, que já teriam alcançado o “fundo do vale”, agora tendem a experimentar maior valorização no mercado. 

Em números elaborados pela Agroconsult exclusivamente para o NovaCana Ethanol Conference, o analista apresentou o real valor de mercado das empresas de capital aberto do setor sucroenergético.

O valor médio de mercado foi calculado a partir das cotações da Cosan, controladora da Raízen Energia, da Tereos Internacional, da São Martinho e da Biosev. Para trazer esse número, a consultoria levantou o valor de cotação médio mensal dessas companhias dos últimos dez anos. O indicador considera exclusivamente o valor das cotações, sem dimensionar o valor das dívidas das empresas.  Além disso, o peso de cada companhia no índice foi mensurado de acordo com o seu processamento de cana.

O resultado desse exercício é o mais baixo valor médio de mercado das companhias do setor no mercado aberto desde 2007. “Sempre ouvimos das empresas ligadas ao setor que as companhias sucroalcooleiras valiam US$ 100 por tonelada [de cana moída]”, provocou o consultor em entrevista ao NovaCana. Hoje, no entanto, elas valeriam algo em torno US$ 38 por tonelada de cana-de-açúcar moída.

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 “Esse é o valor de mercado na bolsa para as empresas de capital aberto no Brasil, o que, por sua vez, é o equivalente a um pouco mais de uma vez o faturamento, que está em US$ 36 por tonelada na média”.

Meneghin destaca que na época do boom do etanol, em 2006 e 2007, essas empresas chegaram a valer seis vezes a receita líquida. A queda do valor médio das companhias seria reflexo do cenário de endividamento nos últimos anos, seguido pela fuga do investidor da bolsa durante os anos de 2015 e 2016. “Antes era mais por conta da situação do setor. Nos últimos dois anos, a saída de capitais do Brasil e a desvalorização do dólar deixaram os ativos na moeda muito baratos”, explica.  

Os resultados mostram que o momento atual representa uma oportunidade muito interessante de investir no setor aqui no Brasil, aponta o consultor. Em um nível tão baixo, não há estímulo para os investimentos em novas unidades. “Vale mais a pena você comprar uma unidade existente. E, para um investidor de fora – por exemplo, um fundo de investimentos – comprar ações dessas empresas”, enfatiza.

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Prazo de validade

“Certamente estamos em um vale, no fundo do poço, mas acredito que não baixa mais”, prevê o consultor sobre as empresas de mercado aberto. 

Meneghin destaca que no início de 2016 a desvalorização era ainda maior. “Essas ações já valorizaram de 20% a 30% desde o início do ano. Os fundamentos são diferentes: o mercado de açúcar está mais forte, há perspectiva de aumento de impostos sobre a gasolina; e o investidor está atento a isso”.

O analista destaca que a compreensão desses números é importante por que, além dessas companhias representarem quase um quarto da moagem do país (23%), os investidores acabam utilizando vários fatores e múltiplos de empresas de capital aberto para analisar o mercado. “Há empresas que não estão na bolsa, mas emitiram títulos no mercado internacional e o setor avalia o endividamento a partir dos dados das companhias capital aberto”, completa.

Nesse sentido, Meneghin destaca mais um ponto a favor: o fato de que as companhias de capital aberto acabaram reduzindo o endividamento líquido na última temporada em relação à safra 2014/15. A exceção é a Tereos Internacional, que além de aumentar o endividamento, está justamente em processo de saída da bolsa de valores.

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Fusões e aquisições

Se o momento é propício para investimento no setor sucroalcooleiro nacional, Meneghin justifica que as fusões e aquisições não estão acontecendo com a intensidade condizente devido ao “ambiente Brasil”.  “No setor, há um clima favorável, pelo menos para os próximos três anos, em função dos bons fundamentos do açúcar e do etanol”, afirma.

Já no país, contrapõe, ainda há uma condição de juros altos e a indefinição política. “Está todo mundo esperando o que vai acontecer e o reflexo disso na macroeconomia, para aí, sim, os consolidadores saírem a mercado. Afinal, são investimentos muito grandes”.  

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A apresentação completa pode ser acessada aqui (.pdf).

Marina Gallucci – NovaCana

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