Um protesto que acontece desde meia-noite desta segunda-feira (11), em frente ao centro de distribuição de combustíveis em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), pode deixar a capital sem estoque de combustível nos próximos dias. De acordo com o Sindicato dos Distribuidores de Combustíveis (Sindicom), o bloqueio não está vinculado ao sindicato. O local distribui 23 milhões de litros de combustíveis por dia.
Segundo Carlos Roque, superintendente do terminal, o protesto consiste em um grupo de pessoas bloqueando a entrada dos caminhões de abastecimento das empresas Raízen, BR e Ipiranga. “A informação que eu tenho é que são pessoas de outros estados, que não são filiadas a nenhum partido ou sindicato. Eles também não têm faixas”, explica Roque.
De acordo com o site de notícias Paraná Portal, a ação é um ato de caminhoneiros e outros motoristas que protestam contra as altas consecutivas nos preços de combustíveis, além das taxas como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que varia de 20% a 40% conforme o Estado.
A manifestação, que teria começado na sexta-feira (8), afeta ao menos seis Estados, como Goiás, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.
Além de Curitiba, o centro de distribuição é responsável pelo fornecimento de combustível para diversas cidades do Paraná e de Santa Catarina. Os municípios podem apresentar baixos níveis de gasolina, etanol e álcool dos postos já no fim do dia da terça-feira (12), conforme estimativa do superintendente.
Para Roque, o primeiro estabelecimento a sentir o impacto do protesto será nas aeronaves do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. “Imagino que, se nada for feito, amanhã ao longo do dia o aeroporto já pode ter desabastecimento”, avalia.
Para encerrar a manifestação, o Sindicom afirma estar entrando com medidas judiciais, por meio de ofício à Secretaria de Segurança Pública do PR solicitando “uso urgente das forças de segurança para o desbloqueio do acesso às bases”. O sindicato conta com o apoio da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Outros centros de distribuição no Brasil, como Paulínia (SP), Esteio (RS) e (PB), também foram alvo de manifestações nos últimos dias, mas, segundo o Sindicom,estão liberados no momento.
O Sindicombustíveis-PR afirmou ser contra a manifestação, pois “penaliza consumidores, empresários e a sociedade como um todo, uma vez que cria dificuldades para o abastecimento de combustíveis, fundamentais para a movimentação da economia”. De acordo com a entidade, não há risco de desabastecimento geral, mas podem ocorrer casos pontuais.
A reportagem entrou em contato com as assessorias da Raízen e da Petrobras, mas não obteve retorno.
Com informações adicionais do Paraná Portal e edição novaCana.com