Em alguns lugares, no entanto, a produção aumentou mais que a capacidade das usinas de guardar etanol
Em fevereiro deste ano, a divisão sucroalcooleira da Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, informou que entraria na entressafra com cerca de metade da sua produção de etanol estocada. Ao final de 2014 a empresa tinha armazenados 975 milhões de litros de etanol, ou 45% dos mais de 2 bilhões de litros produzidos anualmente.
A estratégia, também adotada por empresas como São Martinho e Biosev, visava manter o maior volume de etanol em estoque e comercializá-lo a preços mais atrativos entre janeiro e março de 2015. Isso porque se esperava preços melhores para o período e o setor aguardava a retomada da cobrança da Cide sobre a gasolina, fator que amplia o teto de preço do biocombustível.
A capacidade de armazenagem dá mais flexibilidade para que as empresas aguardem por condições de mercado mais favoráveis. Além disso, a produção sazonal obriga à formação de estoques. São eles que dão condições às usinas continuarem comercializando o biocombustível normalmente durante a entressafra, quando a produção é paralisada ou segue em um volume abaixo da demanda. É usual que as empresas formem seus estoques durante o período de concentração da safra, já que nesses meses o total da produção é maior do que a procura pelo produto.
Levantamento feito pelo NovaCana, mostra a capacidade de etanol que pode ser armazenada nos tanques em relação ao total produzido, ou seja, quanto do biocombustível as usinas conseguem produzir e estocar. A análise cruzou os dados de tancagem com o volume gerado pelas empresas na safra 2014/2015 e calculou o nível de estocagem disponível por estado e por região.
Para identificar a evolução do armazenamento, o levantamento comparou ainda os dados de capacidade de estoques das usinas em cada estado na safra 2014/15 com o nível disponível na temporada 2007/08. Confira a seguir os destaques e principais gráficos e aqui a planilha completa com o levantamento (exclusivo assinantes).
Em fevereiro deste ano, a divisão sucroalcooleira da Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, informou que entraria na entressafra com cerca de metade da sua produção de etanol estocada. Ao final de 2014 a empresa tinha armazenados 975 milhões de litros de etanol, ou 45% dos mais de 2 bilhões de litros produzidos anualmente.
A estratégia, também adotada por empresas como São Martinho e Biosev, visava manter o maior volume de etanol em estoque e comercializá-lo a preços mais atrativos entre janeiro e março de 2015. Isso porque o setor aguardava para este período a retomada da cobrança da Cide sobre a gasolina, fator que amplia o teto do biocombustível.
A capacidade de armazenagem dá mais flexibilidade para que as empresas aguardem por condições de mercado mais favoráveis. Além disso, a produção sazonal obriga à formação de estoques. São eles que dão condições às usinas continuarem comercializando o biocombustível normalmente durante a entressafra, quando a produção é paralisada ou segue em um volume abaixo da demanda. É usual que as empresas formem seus estoques durante o período de concentração da safra, já que nesses meses o total da produção é maior do que a procura pelo produto.
Levantamento feito pelo NovaCana, com dados da Associação Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) e da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), mostra a capacidade de etanol que pode ser armazenada nos tanques em relação ao total fabricado, ou seja, quanto do biocombustível as usinas conseguem produzir e estocar. A análise cruzou os dados de tancagem da agência com o volume produzido pelas empresas na safra 2014/15 e calculou o nível de estocagem disponível por estado e por região. Os dados completos do levantamento podem ser acessados aqui.
Para identificar a evolução do armazenamento, o levantamento comparou os dados de capacidade de estoques das usinas em cada estado na safra 2014/15 com o nível disponível na temporada 2007/08 de acordo com os números da Conab.

MS e GO lideram em evolução da capacidade
A avaliação aponta, por exemplo, que Mato Grosso do Sul e Goiás foram, nesta ordem, os estados que mais evoluíram em relação à capacidade de armazenamento de etanol entre os ciclos 2007/08 e 2014/15. E que apenas Alagoas e Pernambuco registraram queda no potencial de estocagem, assim como a região norte-nordeste.
A ampliação da capacidade de armazenagem do biocombustível ajuda a reduzir a volatilidade de preço e contribui ainda para a manutenção da oferta de etanol na entressafra.
O período de concentração da colheita na região centro-sul, responsável por 90% da moagem brasileira, vai de abril a novembro. Na região norte-nordeste, que produz os outros 10%, o período de moagem vai de novembro a abril.
SP: potencial acima da metade da produção
São Paulo alcançou em junho deste ano uma capacidade de estoque de 9,5 bilhões de litros, 45% acima do aferido ao final da safra 2007/2008, quando o volume era de 6,5 bilhões. O dado permite uma observação mais acurada da evolução da tancagem. O volume de etanol produzido em São Paulo na safra 2014/2015 chegou a 14,1 bilhões. Com atuais 1.147 tanques, o estado tem hoje capacidade de armazenar 67% de sua produção.


Goiás é o segundo estado em volume de estocagem disponível e também o segundo que mais cresceu em capacidade, na frente, porém, de São Paulo. O potencial de armazenamento nos tanques chegou a 1,9 bilhão de litros no mês de junho, o que representou incremento de 225% sobre o potencial de volume registrado na safra 2007/2008, de 584,51 milhões de litros.
Como na safra 2014/15, a produção local foi de 4,1 bilhões de litros, o estado tem capacidade para estocar 45% da sua produção em seus 174 tanques.
Minas Gerais vem em seguida, com 1,4 bilhão de litros em volume de tancagem e, portanto, com capacidade de estocar 52,51% de sua produção em seus 150 tanques, já que o estado fechou a safra 2014/15 com 2,7 bilhões de litros de etanol produzidos.
Na comparação com o ciclo 2007/08, a evolução do nível de armazenamento foi de 52%.
O Mato Grosso do Sul, que produziu 2,4 bilhões de litros de etanol na safra 2014/15, registrou em junho passado volume de tancagem disponível de 1,3 bilhão de litros. O que permitiria às indústrias do estado estocar até 53% do total produzido em seus 106 tanques.
Se comparado ao registrado ao término da safra 2007/2008, quando o nível foi de 343,5 milhões, o acréscimo na capacidade de estocagem do estado foi de 279%, maior evolução registrada entre os estados avaliados.
Capacidade de estocagem por região
O centro-sul somou uma produção de 26,5 bilhões de litros de etanol na safra 2014/2015 e conta com capacidade para armazenar 60% de sua produção, ou 15,9 bilhões de litros. O volume é 58% acima do registrado na temporada 2007/2008, quando chegou a 10 bilhões. Naquele período a produção foi de 20,8 bilhões de litros do combustível, a tancagem era equivalente à 48,3%.
Gráfico: Comparação do volume de tancagem disponível nas safras 2007/2008 e 2014/2015

A região norte-nordeste, que na temporada 2014/2015 produziu 2,1 bilhões de litros de etanol, conta com um nível de tancagem disponível de 1,4 bilhão de litros, ou 63% do produzido em 336 tanques instalados nas regiões.
A localidade viu seu volume de produção cair na comparação com 2007/2008, quando o total chegou a 2,2 bilhões de litros. A capacidade de tancagem disponível também caiu, com isso, o potencial de estocagem diminuiu de 70,8% para 63,2%.
PASS
Em setembro do ano passado, o setor já havia esgotado o orçamento de R$ 2 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento de estocagem de etanol. A vigência do Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (PASS) estava programada até fevereiro deste ano.
A maior parte dos recursos ficou concentrada nos três principais estados produtores de cana-de-açúcar. São Paulo demandou 63% do orçamento; Minas Gerais respondeu por 12%; Goiás por 8% e o restante distribuído entre os demais estados produtores.
O PASS atende tanto ao setor produtivo, quanto ao de comercialização e distribuição. O financiamento é destinado a capital de giro ligado ao trabalho de estocagem.
Confira os dados do levantamento aqui.
Filipe Albuquerque — NovaCana