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As principais projeções/estimativas do setor sucroenergético para a safra 2013/2014

Estimativas para a safra: moagem de cana, produção de açúcar e etanol, ATR...O portal NovaCana fez um levantamento com as nove consultorias mais importantes do setor e apresenta a seguir um comparativo das estimativas da safra de cana-de-açúcar
NovaCana 12 min de leitura
Ao longo das últimas décadas, as estimativas de safra cresceram em importância e influência. À medida que foram sendo aperfeiçoadas e se tornaram cada vez mais profissionais, essas projeções foram capazes de determinar e alterar as estratégias das empresas que atuam no segmento.

Para as consultorias alcançarem os valores mais fiéis com um ano de antecedência, as variáveis utilizadas exigem uma compreensão e disposição de análise que poucos se habilitam a fazer.

No entanto, o setor sucroenergético está muito bem servido de consultorias, cada uma com seu ponto forte e nível de especialização.

Foi pensando nessas diferenças e nas explicações para os números que o portal NovaCana passou as últimas quatro semanas em contato com as nove consultorias e entidades nacionais e internacionais mais importantes, com atuação no mercado brasileiro de cana, para apresentar um comparativo completo das estimativas de safra e as diversas outras projeções dessas empresas.

Confira a seguir:
- As diversas projeções de cada uma das nove consultorias
- Gráficos comparativos com as estimativas de cada consultoria, a média e o histórico
- Os consensos entre as consultorias
- As divergências mais marcantes entre as diferentes projeções
- Os descompassos entre a atividade agrícola e industrial: a avaliação das empresas
- FG/Agro: "Cana não é a questão neste ano, o que vai ser gargalo é usina, é a operação"
- O comparativo das estimativas da safra 2013/2014 para: produção de etanol anidro e hidratado, ATR (Kg/t), Açúcar equivalente (milhões de t), Moagem de cana, Mix da Produção e Produção de açúcar e etanol.

Ao longo das últimas décadas, as estimativas de safra cresceram em importância e influência. À medida que foram sendo aperfeiçoadas e se tornaram cada vez mais profissionais, essas projeções foram capazes de determinar e alterar as estratégias das empresas que atuam no segmento.

Para as consultorias alcançarem os valores mais fiéis com um ano de antecedência, as variáveis utilizadas exigem uma compreensão e disposição de análise que poucos se habilitam a fazer.

No entanto, o setor sucroenergético está muito bem servido de consultorias, cada uma com seu ponto forte e nível de especialização.

Foi pensando nessas diferenças e nas explicações para os números que o portal NovaCana passou as últimas quatro semanas em contato com as nove consultorias e entidades nacionais e internacionais mais importantes, com atuação no mercado brasileiro de cana, para apresentar um comparativo completo das estimativas de safra e as diversas outras projeções dessas empresas.

Entre a segunda e terceira semana de abril foram entrevistadas as empresas Archer Consulting, Czarnikow, Datagro, FG/Agro, INTL FC Stone, Job Economia, Kingsman e Rabobank. As projeções da Conab foram apresentadas no dia 9 de abril e da Unica na última segunda-feira (29), os dados foram originados de documentos publicados pelas entidades. Vale lembrar que cada consultoria adota critérios próprios para elaboração e divulgação das estimativas e, mesmo entre os órgãos oficiais, existem diferenças metodológicas. Para estabelecer o grau de variação das projeções sobre o resultado consolidado do ciclo 2012/13, adotou-se o resultado final de safra da Conab.

Moagem de cana

Moagem: evolução de 8,8% a 11,5%

A safra 2013/14 tende a apresentar um crescimento mínimo de 8,8% e máximo de 11,5%, de acordo com as estimativas obtidas. A variação de crescimento toma por base o resultado do ciclo passado de 532,9 milhões de toneladas de cana, emitido pela Conab, que apresenta a melhor expectativa: 594,07 milhões de toneladas de cana para região centro-sul; somada à produção prevista para o nordeste, o país deve totalizar 653,81 milhões de toneladas. O crescimento está relacionado à recuperação da produtividade e ao incremento da área de cana, com a renovação e expansão da lavoura, que deve proporcionar também um crescimento discreto da taxa de ATR.

De modo geral, as consultorias convergem para os mesmos fatores de influência quando se trata da evolução prevista para o ciclo, embora divirjam sobre os índices de ampliação. A Unica, com a segunda melhor perspectiva, projeta a moagem de 589,6 milhões de toneladas. Para chegar a este resultado, a entidade aposta em precipitações favoráveis, associada à idade média do canavial menor, com ampliação da lavoura e investimentos em tratos culturais. Combinados, estes fatores devem oferecer uma produtividade de 80 toneladas por hectare, contra o rendimento de 74,3 toneladas na safra 2012/13.

Produção de etanol anidro e hidratado

Archer, Datagro, Rabobank e Kingsman têm estimativas de moagem próximas a 585 milhões de toneladas. A projeção da FG/Agro fica pouco acima, em 588 milhões de toneladas de cana (veja os gráficos). Embora o sócio-diretor da Job Economia, Júlio Maria Martins Borges, considere uma produção de 600 milhões de toneladas, o processamento da cana deve esbarrar no potencial de moagem e vai acabar ficando em 586 milhões de toneladas. "O que chama a atenção e vai exigir monitoramento constante é o próprio desempenho da safra. Esse cenário que está sendo apresentando é de clima normal e safra longa (abril a dezembro). Se não for assim, se for chuvoso, aí fica mais cana em pé e a moagem é menor", ponderou.

A análise vai de encontro à visão da Czarnikow, que projeta 580 milhões de toneladas, a menor estimativa. Segundo a consultoria "com certeza há mais disponibilidade de cana do que capacidade de processamento". Mesmo assim, a expectativa considera uma evolução importante da moagem graças à melhora de fatores agrícolas, industriais e comerciais. O número é influenciado por uma expansão de área de 3,3%, aumento da produtividade agrícola estimado de 74 para 79 toneladas de cana por hectare, com área mais nova e maior proporção de cana de 18 meses, além das condições climáticas favoráveis registradas na entressafra. Houve um pequeno ganho industrial com 14 colunas de desidratação e seis novas fábricas de açúcar para esta safra, segundo a Czarnikow.

Produção de etanol

Gargalo: capacidade industrial

Está evidente o descompasso entre os avanços agrícolas e industriais, que colocam a produção muito próxima ao limite da capacidade instalada. De acordo com o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, o rendimento agrícola deve crescer de 6% a 10%, enquanto o rendimento industrial evoluiu de 1% a 2%.

O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, crê em uma capacidade instalada perto de 640 milhões de toneladas. Mesmo assim ressalva que dependendo da precipitação ao longo da safra é possível que uma parte da cana não seja moída devido ao limite da capacidade diária. "Tem muita usina trabalhando com capacidade plena, mas se houver chuva essa cana vai ficar para o ano seguinte".

Para a analista de mercado da INTL FC Stone, Lígia Heise, além da chuva, o rendimento industrial deste início de safra ainda não estava ideal, típico do período de ajuste. Com a moagem atrasada pela chuva e mais cana disponível, "as operações vão estar bem próximas da capacidade diária de moagem" e há de se considerar uma média de dias perdidos por mês em razão de novas precipitações.

ATR

As projeções oficiais de safra da INTL FC Stone ainda não foram divulgadas, mas a analista de mercado opina que as condições climáticas deste início do ciclo podem ter reflexos prolongados. "Observamos a primeira quinzena de abril chuvosa, o que fez com que algumas usinas tivessem que iniciar a atividade mais tarde e outras interromperam a moagem, isso atrasou um pouco e pode impactar o resultado final do processamento". Também na avaliação de Heise, existe um volume grande de cana que pode ficar na lavoura devido ao teto da capacidade industrial. "Acredito que houve expansão de até 5% na lavoura, sem evolução de moagem significativa", relaciona. A própria Unica considera que, devido à limitação da capacidade industrial, a cana bisada desta safra pode ser de 3,5% sobre a produção agrícola.

Já o sócio-diretor da Job relativiza o impacto das chuvas. Segundo Borges, tudo indica que o clima caminha para a normalidade, de modo que não haverá impacto significativo. Além disso, a chuva, apesar de refletir sobre a moagem, trouxe impactos muito mais positivos para campo, de modo que, no balanço final, "ajudou muito mais a lavoura do que prejudicou a moagem".

O sócio da FG/Agro Matheus Hyashida Yamassake concorda que a chuva frustrou o potencial para os primeiros 30 dias da safra, mas diz que a parte agrícola não é uma preocupação. "Cana não é a questão neste ano, o que vai ser gargalo é usina, é a operação", afirmou.

Açúcar equivalente

Açúcar e mix

O mix é considerado a "grande questão pendente" da safra, segundo o analista do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do Rabobank Brasil, Rafael Barbosa. Apesar da estimativa da Conab de que 50,03% da cana moída serão transformados em açúcar, a tendência entre as consultorias é de queda. Para elas, a participação do açúcar no mix deve ficar 44,2 e 47,5%, ante os 48,9% da safra passada.

"O etanol está hoje dando um retorno melhor para o produtor do que o açúcar", explica Corrêa. Isso porque a commodity está, há três anos, fechando a safra em superávit, o que pressiona os preços para baixo. "A tendência é que o produtor privilegie a produção de etanol. Reduzindo a oferta de açúcar fica mais difícil o preço cair abaixo do de produção", continua. O diretor da Archer acredita que dificilmente o mercado suporta ficar abaixo do patamar de 18 a 17 centavos de dólar por libra-peso para o açúcar, portanto, a tendência do preço é de recuperação.

Mix etanol e açúcar

De acordo com a Czarnikow, há também fatores logísticos que fazem com que os produtores optem por uma safra mais alcooleira: forte competição com o mercado de grãos e, por consequência disso, redução da competitividade das exportações de açúcar em função de um cenário inflacionário de custos logísticos.

Mesmo assim, é uma previsão difícil de fazer. "Uma coisa vai puxando a outra. Agora é vantagem produzir bastante etanol, mas os preços de açúcar podem responder a isso e o açúcar passar a remunerar mais em certo momento. Daí pode mudar o foco das usinas", diz o representante do Rabobank.

Ligia Heise da FC Stone considera que, mesmo com as usinas mais voltadas para o álcool, existe uma parede para a produção do biocombustível. "Acredito que, sem os impostos, as usinas vão preferir o etanol, mas vai barrar na capacidade de produzir hidratado. Além disso, tem a questão dos contratos de açúcar que já foram firmados anteriormente", opina.

Se houver variação no mix, o total produzido varia também: cada 1% significa aproximadamente 800 mil toneladas de açúcar. Apesar dessa possibilidade, as estimativas para produção de açúcar das consultorias e dos órgãos oficiais variam entre 33,7 e 43,56 milhões de toneladas.

Em relação aos 34,18 milhões de toneladas de açúcar da safra passada, as projeções para este ano podem significar um aumento de 13,52%, tomando por base a estimativa mais otimista. Por outro lado, caso a produção seja equivalente ao menor volume proposto pela FG Agro – 33,4 bilhões de toneladas -, haverá uma queda de 2,28% no total de açúcar produzido. Contudo Matheus Yamassake, da FG/Agro, projeta que passados os dois primeiros meses da safra haverá melhor remuneração da commodity, o que deve ampliar a produção. "Quando expira a tela de maio, tem uma recuperação de preços para açúcar em cerca de 50%, que é a média de recuperação em anos anteriores". A consultoria trabalha com uma margem mínima para o açúcar de 44,2% e no máximo de 50% no mix.

Job Economia, Czarnikow e Rabobank estimam que o volume de açúcar produzido será em torno de 35 milhões de toneladas. Unica e Kingsman apontam 35,5 milhões de toneladas. Nestes casos, o crescimento da produção iria de 2,4% a 3,8% (veja os gráficos).

Produção de açúcar

Etanol

Apesar de alguma incerteza em relação ao mix, o aumento da produção de etanol é praticamente consenso. A FG/Agro estima um intervalo de 23,3 a 26 bilhões de litros. Considerando o cenário mais conservador da consultoria, 10 bilhões de litros seriam de etanol anidro e 13,3 bilhões de litros de hidratado. Mesmo com mais combustível, Yamassake destaca que a crescente demanda por etanol é maior do que a disposição do biocombustível, inclusive para os estados produtores.

De acordo com o sócio da FG/Agro, os preços pouco competitivos do etanol em relação à gasolina para o consumidor se devem mais a uma questão de mercado – relacionada à oferta e demanda – do que a outros fatores. "Se houvesse mais oferta de hidratado, o preço competitivo traria mercado consumidor. Mas não existe, então o cálculo que a gente faz é de 9 bilhões de litros de demanda não atendida por etanol hidratado, principalmente nos estados produtores". Assim, de acordo com Yamassake, os preços deverão ser maiores visando controlar o consumo.

Czarnikow, Rabobank, Kingsman, Unica e Job Economia têm expectativas similares de incrementos entre 1,5 a 2% (por volta de 25 bilhões de litros) ante o cenário de 21,19 bilhões de litros de etanol totalizados na safra passada. A Archer estima um volume levemente menor: 24,748 bilhões de litros, sendo 14,48 de hidratado e 10,26 de anidro.

A Datagro acredita na produção de 24,07 bilhões de litros de etanol na safra e destaca o suprimento de anidro suficiente para mistura à gasolina. "O aumento na produção de etanol será suficiente para garantir abastecimento, inclusive com o retorno da mistura de 25% de etanol à gasolina", avalia Nastari.

Correção: A estimativa da moagem de cana Job Economia é de 586 milhões de toneladas, e não 568, como informado anteriormente. Assim, a evolução de moagem prevista pela menor estimativa é de 8,8%. O texto e o gráfico acima já se encontram corrigidos (08/05 - 10h01m).

Amanda SchArr e Vivian Faria – NovaCana
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