NovaCana

Projeções da FG/A para a safra 2020/21 incluem até 30% menos etanol e 40% mais açúcar

Consultoria acredita que, ao longo da temporada de cana-de-açúcar, a demanda por combustíveis do Ciclo Otto deve diminuir em 6,1%

NovaCana 8 min de leitura

A cadeia de açúcar e etanol está encontrando dificuldades para compreender qual será o tamanho do impacto causado pela pandemia de coronavírus e pela queda nos preços internacionais do petróleo. Até mesmo o Ministério de Minas e Energia (MME) admitiu que está tendo problemas para atualizar suas projeções para o setor e que ainda não sabe qual será a demanda de combustíveis dos próximos meses.

Mas já há quem arrisque números. Em webinar realizado no começo de abril, o sócio da FG/A, Willian Orzari Hernandes, trouxe as perspectivas da consultoria para o mercado brasileiro de combustíveis ao longo da safra 2020/21. Ele também apresentou as projeções da empresa para a moagem de cana-de-açúcar e a produção de etanol e açúcar no período.

“Nos últimos dias, o time todo fez um esforço, buscando dados, informações e artigos técnicos para a gente formar um consenso do impacto para a demanda projetada de combustíveis para o Brasil”, relata e continua: “Isso é uma das peças-chaves para a gente montar o quebra-cabeça e enxergar alguns cenários para etanol e para cana-de-açúcar neste ano e no ano que vem”.

Ele ainda explica que foi realizada um cálculo sobre o impacto da atual crise no consumo de combustíveis no Brasil de maneira mensal. De acordo com o analista, abril deve ser o mês com a maior redução em relação ao mesmo período de 2019. “Maio também terá alguns dias de paradas e, gradualmente, sobra somente o impacto recessivo”, relata.

Com isso, a redução esperada pela FG/A para o mercado de combustíveis do Ciclo Otto é de 6,1%. No total, o consumo de abril de 2020 a março de 2021 deve chegar a 50 bilhões de litros.

Leia mais sobre as projeções da FG/A:

- Moagem e produção de açúcar e etanol em 2020/21
- Perspectivas para os preços de etanol e açúcar
- Impacto do aumento da produção brasileira no balanço mundial de açúcar
- Variações nas receitas e nos custos das usinas

A cadeia de açúcar e etanol está encontrando dificuldades para compreender qual será o tamanho do impacto causado pela pandemia de coronavírus e pela queda nos preços internacionais do petróleo. Até mesmo o Ministério de Minas e Energia (MME) admitiu que está tendo problemas para atualizar suas projeções para o setor e que ainda não sabe qual será a demanda de combustíveis dos próximos meses.

Mas já há quem arrisque números. Em webinar realizado no começo de abril, o sócio da FG/A, Willian Orzari Hernandes, trouxe as perspectivas da consultoria para o mercado brasileiro de combustíveis ao longo da safra 2020/21. Ele também apresentou as projeções da empresa para a moagem de cana-de-açúcar e a produção de etanol e açúcar no período.

“Nos últimos dias, o time todo fez um esforço, buscando dados, informações e artigos técnicos para a gente formar um consenso do impacto para a demanda projetada de combustíveis para o Brasil”, relata e continua: “Isso é uma das peças-chaves para a gente montar o quebra-cabeça e enxergar alguns cenários para etanol e para cana-de-açúcar neste ano e no ano que vem”.

Ele ainda explica que foi realizada um cálculo sobre o impacto da atual crise no consumo de combustíveis no Brasil de maneira mensal. De acordo com o analista, abril deve ser o mês com a maior redução em relação ao mesmo período de 2019. “Maio também terá alguns dias de paradas e, gradualmente, sobra somente o impacto recessivo”, relata.

Com isso, a redução esperada pela FG/A para o mercado de combustíveis do Ciclo Otto é de 6,1%. No total, o consumo de abril de 2020 a março de 2021 deve chegar a 50 bilhões de litros.

perspectivas corona 090420 combustiveis

Para os cálculos, a consultoria usou uma série de referências, incluindo até mesmo dados da greve dos caminhoneiros ocorrida em maio de 2018. A partir deles, a FG/A calculou uma redução na demanda de 2,8% por dia útil para os dias de isolamento. O período foi escolhido, segundo Hernandes, por mostrar uma parada significativa no mercado de combustíveis.

Além disso, a consultoria também considerou a participação de São Paulo e Rio de Janeiro no consumo total de combustíveis. “Esses são dois estados que devem enfrentar uma restrição, no nosso entendimento, um pouco maior”, justifica o Hernandes. Desta forma, o analista chegou a uma redução na demanda de 38%, a partir de uma parada mais drástica de 32 dias úteis. Para os demais estados, a pausa estimada é de 15 dias úteis.

Outro ponto observado foi a retomada no consumo que, para a consultoria, deve ocorrer de forma gradual até dezembro deste ano. “O PIB sente bastante impacto no primeiro e no segundo trimestres e, depois, tem uma recuperação significativa, fechando em 2% a 3% abaixo do ano passado”, complementa.

Etanol em queda; açúcar em alta

Por conta da menor demanda por combustíveis, a FG/A também projetou uma menor oferta de etanol em 2020/21. “Para a cana, já é um consenso que a produtividade vem boa, o clima vem bom e haverá um aumento da produção de matéria-prima. A dúvida maior é a capacidade de migração desta cana para o açúcar”, aponta.

Devido a esta dúvida, a consultoria baseou seus cálculos em dois números projetados para a produção de açúcar: 33,5 milhões e 37,5 milhões de toneladas. Ambos representam um crescimento em relação à produção de 26,8 milhões de toneladas na safra 2019/20. Porém, o menor valor é derivado de um cenário tido como médio pela FG/A, enquanto o segundo deriva de uma maximização da produção de açúcar.

“A gente tem observado remunerações elevadas para o açúcar, especialmente no cenário de curto prazo; tem prêmios que chegam a 20%, 30%. Então, a tendência é que a gente se aproxime do cenário de 37,5 milhões de toneladas de açúcar”, afirma Hernandes.

perspectivas corona 090420 safra

De acordo com ele, este aumento na produção de açúcar pode se refletir em uma queda de até 35% na produção de etanol hidratado. “Essa tende a ser a resposta do setor para aquela queda de demanda que a gente viu”, assegura.

Ainda segundo o analista, esta produção de etanol projetada permite que, nas bombas dos postos, o biocombustível custe 66% do valor da gasolina, em média. Para este cálculo, ele considerou um preço médio de R$ 3,70/l para o combustível fóssil ao longo de 2020 – ou seja, o etanol seria comercializado por, aproximadamente, R$ 2,44/l. Nas usinas, por sua vez, Hernandes crê que o valor deve ser em torno de R$ 1,89/l.

Caso a queda na demanda de combustíveis do Ciclo Otto seja menor que 6%, porém, a relação entre os preços pode se aproximar cada vez mais de 70%, considerado o limite da competitividade do etanol. Isso acontece porque uma demanda maior aumentaria o preço de venda do etanol nas usinas, diminuindo a competitividade do renovável nos postos.

perspectivas corona 090420 precos

“A gente enxerga preços desde R$ 1,67 até R$ 2 [nas usinas], sempre considerando os R$ 3,70 na bomba”, afirma. Ao mesmo tempo, ele pondera que o valor da gasolina depende do mercado de petróleo, do câmbio e da política de preços adotada pela Petrobras.

Mercado de açúcar

Ainda conforme a FG/A, a produção adicional de açúcar no Brasil não deve levar o mercado internacional da commodity a um superávit. Atualmente, a projeção da consultoria é para um déficit de 2,2 milhões de toneladas em 2019/20 (outubro a setembro).

perspectivas corona 090420 acucar

Ele ainda aponta que os produtores brasileiros não devem ser tão afetados pela queda nos preços internacionais de açúcar devido à desvalorização do real frente ao dólar. “Em centavos de dólar por libra-peso, a queda é muito mais significante do que em reais”, argumenta.

Para 2020/21, a consultoria acredita em uma remuneração média de R$ 1.291/t – um valor próximo à média histórica –, embora algumas usinas tenham conseguido negociar açúcar em torno de R$ 1.350/t. “Nós não estamos vivendo um ciclo de baixa para o açúcar; estamos na média. E ainda com a ressalva de que muitos entraram na safra com um percentual de fixação mais elevado”, garante Hernandes.

Para a safra 2021/22, por sua vez, a projeção é de R$ 1.365/t. Ou seja, um valor acima da média histórica.

Preços sob controle

Além disso, combinando preços do açúcar e do etanol – trazidos para uma medida de açúcar total recuperável (ATR) equivalente – a FG/A calcula que as usinas recebam em torno de R$ 1.056/t na safra 2020/21. O valor representa uma queda de 4% ante os R$ 1.100/t vistos em 2019/20.

“Ainda assim, o valor está longe de alguns ‘vales’ que o setor já teve”, reforça o analista. “Com possibilidade de fazer fixações e de observar o mercado de curto prazo, chegamos a R$ 1.129/t em 2021/22”, completa. O valor, ele ressalva, considera os valores de açúcar e etanol no cenário de inflação atual e não engloba todo o carrego possível do mercado de petróleo.

perspectivas corona 090420 atr

Ao mesmo tempo, ele também observa que o setor deve registrar uma redução de custos no período por conta de um aumento da produtividade e por uma redução no valor de alguns dos principais gastos das usinas. Entre os custos que devem cair, ele enumera o diesel, a cana obtida com parcerias e o custo financeiro, calculado em relação às dívidas atuais e à redução da taxa Selic.

Novos financiamentos, em contrapartida, podem ficar mais caros por conta da maior necessidade de crédito do mercado.

Renata Bossle – NovaCana

Compartilhar: