O ProRenova passou por um corte relevante de recursos neste ano e agora passa a ser considerado de segunda grandeza por diretores da instituição. Apesar das declarações do BNDES, o esforço do setor produtivo para evitar queda de produtividade é constante
Implantado em 2012 como parte da estratégia para aumentar a produção dos derivados da cana-de-açucar, o Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (ProRenova) passou por um corte relevante de recursos neste ano e agora passa a ser considerado de segunda grandeza por diretores da instituição.
“Para um programa que tinha caráter emergencial, o ProRenova já cumpriu um papel muito importante. Hoje, sua importância é marginal”, afirmou Julio Raimundo, diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento e Ecônomico e Social (BNDES).
Apesar das declarações do BNDES, o esforço do setor produtivo para evitar queda de produtividade é constante. Como a idade média do canavial está intimamente ligada ao rendimento, as usinas e canavieiros precisam continuar investindo na reforma das plantações. Para o canavial ser totalmente renovado em cinco anos, seria necessária uma renovação anual de 20%. No entanto, é considerado ideal um canavial com idade média de 3,2 anos, o que representa uma renovação anual de 18%.
Nas últimas duas safras este índice não foi alcançado. Em 2012/13 a renovação dos canaviais ultrapassou os 20%, mas em 2013/14 o índice caiu para 17% e na safra passada, 2014/15, ficou em torno de 14% (veja gráfico abaixo com o índice de renovação dos canaviais nas últimas 26 safras e o impacto no rendimento ano a ano).
Como resultado, o canavial agora já começa a ficar mais velho. Em 2015 a estimativa do CTC é de um aumento de 1,1% na idade dos canaviais, reduzindo a produtividade em 1,7%.
O ProRenova foi determinante para eliminar o quadro crítico dos canaviais e continua sendo uma ferramenta essencial. Assim, a decisão de reduzir os recursos do programa parece carregar uma relação muito maior com os problemas fiscais do governo federal.
Veja a seguir:
- Todas as opiniões do BNDES sobre o ProRenova.
- Ajuste fiscal e o setor sucroenergético na visão do MME.
- “Eles estão avaliando as empresas, mas ninguém [agentes financeiros] me diz por que algumas não conseguem acesso. Pergunto isso a todo mundo que vai conversar comigo.”
- “Estamos migrando para uma seleção natural.”
Implantado em 2012 como parte da estratégia para aumentar a produção dos derivados da cana-de-açucar, o Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (ProRenova) passou por um corte relevante de recursos neste ano e agora passa a ser considerado de segunda grandeza por diretores da instituição.
“Para um programa que tinha caráter emergencial, o ProRenova já cumpriu um papel muito importante. Hoje, sua importância é marginal”, afirmou Julio Raimundo, diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento e Ecônomico e Social (BNDES), na semana passada, durante o Ethanol Summit, evento promovido em São Paulo.
O ProRenova é um dos principais programas do governo de apoio à cadeia sucroenergética e contribuiu para diminuir a idade média das plantas de 3,6 anos para 3,3 anos, segundo dados do CTC.

Os financiamentos disponibilizados com os recursos da linha, entretanto, recuaram 60% na comparação entre os primeiros trimestre de 2015 e 2014. Entre os períodos o repasse ao ProRenova diminuiu de R$ 567,7 milhões para R$ 298,7 milhões.
Na avaliação do banco, um dos pontos que necessita ser reconhecido é que a situação dos canaviais já não é tão crítica.
“Entramos numa fase de menor investimento no setor nos últimos três anos e nosso orçamento reflete condições mais restritas do que no passado. Mas os canaviais tiveram melhorias e isso determinou as condições do programa atual”, afirmou Raimundo.
A interpretação de Raimundo é apoiada por Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do departamento de Biocombustíveis do BNDES. De acordo com ele, a instituição planejava uma concentração maior dos investimentos nos três anos iniciais do programa.
“Em 2015, a gente já imaginava uma demanda menor por vários motivos: comprovou-se uma melhora na qualidade dos canaviais e o rejuvenescimento necessário efetivamente ocorrreu ao longo dos anos. Então o que era o grande mote para o lançamento do ProRenova continua, mas em quantidade menor”, disse Cavancanti durante um dos intervalos do evento.
Segundo ele, conversas constantes com o setor deixaram claro que os investimentos mais pesados em canaviais já foram feitos nos anos anteriores. “É uma curva [descendente] natural”, avalia.
Apesar das declarações do BNDES, o esforço do setor produtivo para evitar queda de produtividade é constante. Como a idade média do canavial está intimamente ligada ao rendimento, as usinas e canavieiros precisam continuar investindo na reforma das plantações. Para o canavial ser totalmente renovado em cinco anos, seria necessária uma renovação anual de 20%. No entanto, é considerado ideal um canavial com idade média de 3,2 anos, o que representa uma renovação anual de 18%.
Nas últimas duas safras este índice não foi alcançado. Em 2012/13 a renovação dos canaviais ultrapassou os 20%, mas em 2013/14 o índice caiu para 17% e na safra passada, 2014/15, ficou em torno de 14%.
Como resultado, o canavial agora já começa a ficar mais velho. Em 2015 a estimativa do CTC é de um aumento de 1,1% na idade dos canaviais, reduzindo a produtividade em 1,7%.
O ProRenova foi determinante para eliminar o quadro crítico dos canaviais e continua sendo uma ferramenta essencial. Assim, a decisão de reduzir os recursos do programa parece carregar uma relação muito maior com os problemas fiscais do governo federal.
Recursos a conta-gotas
Para Ricardo Dornelles, diretor do Departamento de Energias Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), as condições gerais dos investimentos governamentais constam no plano de safra 2015/2016 e não se diferenciam no setor sucroalcooleiro dada a conjuntura econômica.
“As questões econômicas não são simples de tratar neste momento. Tem o problema de recurso e não está fácil para achar. Há uma briga gigantesca por todas as áreas [da economia] para achar recurso”, afirmou Dornelles.
De acordo com ele, o ritmo menor dos repasses no primeiro trimestre refletiu também nas discussões do plano de ajuste fiscal no âmbito do governo federal. “Houve uma demora da avaliação do impacto que isso teria no plano safra. Mas estamos trabalhando junto com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na operacionalização e esperamos retomar a normalidade em breve”, disse o diretor do MME.
Dornelles avalia, ainda, que o governo não obtém respostas dos agentes do mercado financeiro sobre as dificuldades que algumas empresas enfrentam quando tentam acessar essas linhas. Investimentos no ProRenova e em armazenagem, por exemplo, são indiretos e passam por agentes do mercado comum.
“Eles estão avaliando as empresas, mas ninguém [agentes financeiros] me diz por que algumas não conseguem acesso. Pergunto isso a todo mundo que vai conversar comigo. Então fica sempre uma conversa sem resposta. Por outro lado, nós sabemos que muitos grupos estão endividados, em condição de aperto de crédito bancário, ou com restrições”, afirmou.
Seleção natural
Como o acesso a recursos muda substancialmente de uma empresa para outra, Giovana Araújo, analista de agronegócio do Itaú BBA, acredita que os players com melhor estrutura financeira se posicionam com vantagens competitivas muito maiores.
“Estamos migrando para uma seleção natural por meio da qual as empresas com geração de caixa maior sairão mais fortes na busca por recursos e terão acesso a mais fontes de financimento. Isso não deve mudar nos próximos anos, a menos que ocorra uma mudança substancial de margem do setor”, disse a analista.
Na avaliação do Itaú BBA, o setor necessita de taxa de retorno de 12% para não perder capital, mas a taxa média atual das empresas está em 6,9%.
Felipe Vanini Bruning e Filipe Albuquerque – NovaCana

