Uma iniciativa de práticas sustentáveis desenvolvido pela Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), já começa a dar resultados. A associação irá promover a entrega da Certificação Bonsucro para um grupo de 12 associados da entidade, assistidos pelo programa Semeia (Sustentabilidade Econômica, Meio Ambiente, Eficiência e Inteligência Agronômica).
Para obter a Certificação Bonsucro, eles precisaram adotar um padrão de sustentabilidade que permite atingir metas de compras sustentáveis e estabelecer parcerias para resolver questões de sustentabilidade conjuntamente.
Por intermédio do Semeia, a Canaoeste orientou os produtores associados no desenvolvimento e na aplicação de práticas sustentáveis em suas propriedades. O projeto assessora quanto à preparação para auditoria de certificação e promove treinamento para processos, operações e atividades de boas práticas.
Para o gestor da Canaoeste, Almir Torcato, um dos benefícios é abrir as portas aos produtores para as plataformas de certificações, que ditam as regras no mercado de consumo do mundo sustentável.
“Foi um desafio preparar nossos associados para a certificação durante três anos de trabalho. Agora colhemos o fruto: a certificação passou pelo crivo da Bonsucro e vem para chancelar a excelência dos serviços realizados pela Canaoeste para seus associados”, afirma o gerente de sustentabilidade, Fábio de Camargo Soldera.
Ele ressalta o esforço de cada associado no processo e, também, o apoio de toda a equipe da Canaoeste, em especial do Comitê Semeia, formado por uma equipe multidisciplinar para sanar dúvidas dos associados no processo de certificação.
Segundo a Canaoeste, nesta primeira etapa, serão contemplados com a certificação 12 produtores associados, que respondem por 26 propriedades e totalizam cerca de 17 mil hectares. Eles somam, aproximadamente, 1,1 milhão de toneladas certificadas.
“O projeto para a Certificação Bonsucro já vinha ocorrendo há um certo tempo e muitos produtores estavam bem organizados; outros acabaram desistindo do projeto no meio do caminho”, relata o analista de sustentabilidade da Canaoeste, André Pavan Réa.
De acordo com ele, o objetivo foi alcançado, mas o trabalho não para por aí. “Deve-se continuar com a mesma dedicação para continuar cumprindo os padrões e ir desenvolvendo outros produtores para fazerem parte desse movimento inovador”, destacou.
O presidente da associação, Fernando dos Reis Filho, também comemora a nova fase da Canaoeste. “A conquista dessas certificações comprova a qualificação e o conhecimento técnico da equipe de profissionais da Canaoeste, dando continuidade ao nosso princípio de sempre oferecer o melhor para os nossos associados”, ressalta.
Entre os produtores que conquistaram a Certificação Bonsucro estão Bruno Rosolen Gilli e Leandro Rosolen, que produzem cerca de 10,5 mil toneladas de cana por ano e entregam para a Raízen e para a usina Baldin.
“A Canaoeste nos apoiou em todo o processo, passando informações valiosas para a melhoria contínua em todo o processo de trabalho. Os benefícios da certificação são imensos, com a visibilidade positiva da empresa na região, melhorias nas áreas sociais, ambientais e econômicas e a geração de novas oportunidades de negócios e de trabalho na empresa”, comemoram.
Por sua vez, Célia Ferreira de Oliveira Porto, da Fazendão São João em Viradouro (SP) conta que houve momentos em que pensou em desistir, mas a equipe da Canaoeste a incentivou a permanecer no programa. “Conseguimos todos juntos. Esse laço bem-feito envolvendo a Canaoeste, todos os produtores rurais e funcionários das respectivas fazendas foi essencial”, afirma.
Já Helena Zero Kamada, fornecedora da usina Nardini, acredita que o processo foi “relativamente tranquilo”, pois sua fazenda já que estava adiantada na questão trabalhista e de segurança do trabalho.
“A maior dificuldade foi a logística para organizar a documentação, pois o escritório fica na cidade e a vistoria é feita na fazenda. Mas o papel da Canaoeste foi fundamental, dando toda a orientação necessária. O mercado estará mais interessado em açúcar e etanol certificados, dificultando a comercialização de quem não certificar”, avalia.
Lia e Mariana Teixeira, da fazenda Pavão em Barretos (SP) também apontam dificuldades próprias. “O maior desafio foi romper os ‘vícios’ antigos dos funcionários, pois mudança sempre gera desconforto, mesmo que seja para melhor, mas, com o apoio da associação e unindo forças com a equipe da fazenda, conseguimos realizar essas mudanças, em que toda a cadeia é beneficiada”, comentam.
Um relato similar veio de Thales Matos, da Estância Matos: “A certificação traz grandes benefícios trabalhistas, ambientais, de prevenção de acidentes e de outros problemas graves no dia a dia. Para chegar a ela, tivemos que quebrar alguns paradigmas, como funcionários há muitos anos fazendo as coisas da mesma maneira (errada), para ensinar o certo”.