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Produtores iniciam colheita no Paraná e confirmam perdas no milho

Agricultor do noroeste do Paraná calcula 70% de quebra na lavoura devido à estiagem


Globo Rural - Publicado: 02 Mai 2024 - 08:26

No noroeste do Paraná, os agricultores estão enfrentando problemas nas áreas cultivadas com milho de segunda safra, especialmente devido ao déficit hídrico em março e na primeira quinzena de abril.

“Essas condições adversas prejudicaram o desenvolvimento vegetativo e a fase de floração da cultura, resultando em prejuízos”, informa o boletim divulgado nesta terça-feira, 30, pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da secretaria da agricultura e do abastecimento.

A avaliação do Deral é que a previsão de um novo período seco é “muito preocupante” para a cultura, podendo aumentar as perdas. “Isso agrava a situação dos produtores, que já enfrentaram perdas financeiras na soja e, agora, além do milho estar com preços baixos, ainda enfrentam redução na produtividade”, afirma o texto.

O produtor Ricardo Paludo, que cultiva 1,6 mil hectares de milho entre os municípios de Francisco Alves e Iporã, no noroeste do Paraná, está confirmando as perdas previstas na lavoura – devido à estiagem – na colheita que iniciou nesta terça-feira. “A estimativa de quebra é de 70%, por causa da seca e do calor de fevereiro”, diz o produtor, em vídeo enviado à Globo Rural.

O milho safrinha foi plantado em 15 de janeiro e a colheita está apontando para 40 sacas por hectare, bem abaixo da estimativa inicial de 120 sacas por hectare. “O milho pegou seca antes de pendoar. Formou bem, mas o grão é pequeno”, explica Paludo.

Durante a fase de desenvolvimento reprodutivo da cultura, foram registradas altas temperaturas na região, com média de 40°C por dias seguidos, o que somado ao solo arenoso resultou na queda de rendimento. Segundo o produtor, as plantas mais novas da lavoura já estão murchando devido ao calor, o que também preocupa.

No ano passado, o cenário foi bem diferente. A lavoura de milho safrinha da fazenda rendeu 270 sacas por hectare – muito além do volume histórico para a região, de 120 sacas por hectare.

O início da colheita confirma também as previsões de especialistas ouvidos pela Globo Rural em meados de abril. A expectativa para a região já era de que as perdas do potencial produtivo nas lavouras de milho possam chegar a mais de 70% por causa do clima.

O agrônomo Ricardo Raimondi, que atua na localidade, comentou que em propriedades em que se esperava colher 120 sacas por hectare, a previsão de colheita era de 40 sacas por hectare em média. Há ainda aqueles em situação mais crítica, que devem colher menos.

“Historicamente, essa região sofre com períodos sem chuva, mas este ano foi atípico, com temperaturas muito elevadas junto com a estiagem”, constata Raimondi.

O presidente do Sindicato Rural de Iporã, Edamir Jair Salvador, também avalia que as perdas do milho plantado na região serão acima de 50%: “Principalmente daqueles que plantaram mais cedo e pegaram a onda forte de calor”.

Em relação à região oeste do Paraná, o Deral informa que as precipitações ocorridas na última semana foram benéficas para o milho da segunda safra. “Porém, mantém-se a previsão de quebra devido à falta de chuvas”, alerta.

A Globo Rural conversou com o produtor Jonas Mário Vendruscolo, de Palotina, que registrou perda de 100% da plantação em algumas áreas da lavoura de milho. O Deral aponta ainda que a cultura está em fase de frutificação e a pressão de pragas está menor este ano. A análise do Deral compreende o período de 23 a 29 de abril.

Carolina Mainardes