Os juízes que encabeçam o processo falimentar do grupo João Lyra determinaram a reintegração de posse de uma fazenda que havia sido invadida pela usina Coruripe e fornecedores da cooperativa Pindorama, acusados de usufruírem ilegalmente das terras hoje pertencentes à massa falida da Laginha.
No último final de semana, a Polícia Militar foi acionada para cumprir a ação na fazenda São José, localizada em Coruripe (AL). Segundo a decisão assinada pelos juízes Diogo de Mendonça Furtado, Emanuela Bianca de Oliveira Porangaba e Luciano Andrade de Souza, a área foi invadida pelas empresas que um dia foram concorrentes do falecido João Lyra.
O pedido de reintegração de posse foi formulado pelo novo administrador judicial, Igor da Rocha Telino. Embora tenha sido cumprido no começo do mês e esteja sob segredo de justiça, os detalhes do mandado de reintegração foram publicados no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) na quarta-feira, 6.
“Desde o início do mês de agosto, a fazenda São José foi invadida pela usina Coruripe, que passou a cultivar a área como se sua fosse sem autorização ou pagamento de qualquer contraprestação à massa falida, restando caracterizado inclusive o enriquecimento sem causa daquela”, especifica o documento.
Em contato com o Extra, o presidente da cooperativa Pindorama, Klécio Santos, disse que a cooperativa não invade terra de ninguém. Segundo o executivo, alguns produtores de cana, associados à cooperativa, podem ter plantado cana no local e fornecido a produção para a usina junto com a cana produzida em outras áreas. “Não temos envolvimento com nenhuma invasão”, afirmou.
Klécio Santos explicou que a Pindorama recebe cana de seus associados e de antigos fornecedores independentes, alguns também produtores da região (plantam em terras não pertencentes à entidade), de tal forma que não cabe à cooperativa identificar a origem.
José Fernando Martins